• Ouça a Rádio
  • Galeria de Fotos
  • Vídeos
  • Facebook
  • Twitter
SELECT TOP 3 B.Codigo , B.Nome_Arquivo , B.Href , B.Descricao FROM Banner B WHERE B.Publicar = 1 AND B.Data_Expiracao >= 20200404 AND B.[1pagina] = 1 AND B.Cod_Tipo_Banner = 4 ORDER BY B.Data_Publicacao DESC, codigo DESC
Conexão Jornalismo é o primeiro site do país a merecer o selo verde.
Planvale

Busca

 
Audiência na TV

Sexta-feira, 03 de Abril de 2020

Gabriela Prioli terá programa no horário nobre da CNN Brasil
Audiência na TV

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook

Galeria de Fotos

 
 

 
 

Comunidade

home > notícias conexão

Notícias Conexão

 

Sábado, 21 de Março de 2020

Crítica & Literatura: A distopia nossa de cada dia

A distopia nossa de cada dia



Por Olga de Mello*

"Fiquei em casa, e, pela primeira vez, tentei cozinhar. Mas a peste não se manifestou em mim. Pelo telefone podia falar com quem quisesse e saber as notícias. (...) Um terço da população nova-iorquina estava morta.(...). um comunicado de Berlim atestava que um bacteriologista havia descoberto um soro para a epidemia. (...) Era tarde demais."

A Praga Escarlate, Jack London





Na peça The Children's Hour (no Brasil, Infâmia), de Lillian Hellman, duas professoras se trancam em casa depois de perderem a escola que dirigiam devido ao boato de que mantinham um relacionamento amoroso. Nos dias de solidão, uma delas comenta que obedece a horários para tornar qualquer atividade significativa, entre elas pentear os cabelos. A pandemia que assola o planeta exige a mudança na rotina e leva a busca de novos sentidos para o que se faz automaticamente. Além dos registros científicos, calamidades tradicionalmente inspiram abordagem literária. Bom momento para verificar como populações sobreviveram em tempos de restrição, temor e tragédia.




A praga escarlate (Conrad, R$ 26), de Jack London, antecipa os cenários distópicos tão frequentes hoje na literatura infanto-juvenil. Lançada em 1912, a novela fala de uma doença misteriosa que acaba com a civilização 100 anos depois, sequência de diversas pandemias como a que surgiu, em 1984, "num país chamado Brasil e que matou milhões de pessoas". A Morte Vermelha dizima a população mundial, então em 8 bilhões de pessoas. O último sobrevivente da época, um professor imune ao vírus, conta aos netos, crianças violentas e iletradas, como as cidades eram abandonadas e os doentes se suicidavam ao perceber os sintomas.



Daniel Defoe escolheu o caminho inverso ao de Jack London. Um diário do ano da peste (Artes e ofícios, R$ 45) traz o fictício relato de uma testemunha ocular sobre o surto de peste bubônica, que causou 100 mil mortes em Londres, no verão de 1665. Defoe, considerado o criador do romance moderno, foi jornalista e homem de negócios (falido) antes de se dedicar à literatura, com mais de 60 anos. Era criança durante a epidemia, e pesquisou históricas verídicas para montar o livro, que abre lamentando a ausência de jornais de grande circulação na época em que a doença obrigou os londrinos a sacrificarem 40 mil cães e 20 mil gatos para conter a disseminação.


Um dos livros mais vendidos desde o início do coronavírus na Europa é A peste (Record, R$ 49,90), de Albert Camus. Lançado em 1947, visto por muitos críticos como uma alegoria para a França ocupada durante a dominação nazista na Segunda Guerra Mundial, o romance é conduzido pelo médico Rieux, que tropeça num rato morto na rua, numa manhã, em Orã, na Argélia. Como tantos outros, ele se arrisca a ser contaminado ao tratar dos doentes, sem tempo para refletir sobre as perdas pessoais.

É um dos primeiros a advertir que metade da cidade corre o risco de morrer, enquanto autoridades hesitam em divulgar os números da doença, aproveitadores aumentam os preços de mercadorias e a população passa da apatia inicial para o desespero, confinados na cidade fechada a visitantes externos.


Uma reconstituição histórica do combate à epidemia de cólera, que matou 23 mil dos 2 milhões de habitantes de Londres, em 1854, está em O mapa fantasma (Zahar, R$ 79,90), de Steven Johnson. A narrativa parece um thriller mesclado a dados históricos, em linguagem jornalística, uma especialidade de Johnson, autor de diversos livros e textos sobre temas científicos. A média de 500 mortes por dia levou cientistas a descobrirem como se transmitia a doença - pela água - e a iniciarem o saneamento da metrópole, com a construção de um sistema de abastecimento de água e outro de captação de esgotos.


--------------------------

Que tenhamos fé, cautela e solidariedade para superar esses dias difíceis.

-----------------------

Muitos dos livros aqui citados têm textos disponíveis na Internet ou por e-book em sites de vendas.




* Olga de Mello é jornalista, cronista, crítica literária e escreve aos sábados em Conexão Jornalismo.

 

Veja também:

>> Confinados 3: Uma novela de Francis Ivanovich

>> Índice de recuperação de coronavírus no Brasil é um dos mais baixos do mundo

>> A crise da saúde no planeta sob a ótica da mitologia africana

>> Confinados: Parte 2 - Uma novela de Francis Ivanovich

>> Coronavírus no Rio já ultrapassa os cem casos

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook
  •  
  •  
  •  comentário(s)
  •  
 
Crítica & Literatura: A distopia nossa de cada dia
 

Copyright 2020 - WebRadio Programa Conexão - Todos os direitos reservados

Desenvolvido por Go2web

Está no seu momento de descanso né? Entao clique aqui!