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Reportagem Especial

 

Terça-feira, 13 de Janeiro de 2015

Unimed e hospital particular de Niterói acusados de negligência e descaso com paciente

Por Rogério Imbuzeiro

O comerciante aposentado Américo Ferreira, de 94 anos, está internado desde o dia 22 de dezembro na Casa de Saúde e Maternidade Santa Martha, em Niterói. Segundo a família, ele sofreu uma queda em casa, mas entrou na unidade hospitalar lúcido e caminhando normalmente.

Hoje, passadas mais de três semanas, Américo continua internado, mas não consegue mais ficar em pé, ganhou muitas escaras pelo corpo e, a cada dia, parece mais abatido e debilitado. Embora o médico responsável tenha dado "alta" para o paciente, na prática isso seria inviável. Assim como a família, o médico também estaria aguardando a Unimed autorizar o atendimento Home Care (assistência domiciliar), para que Américo dê continuidade ao tratamento em casa.

O filho Joaquim Ferreira e a advogada contratada por ele dizem que a situação do hospital é muito ruim, com superlotação e serviços precários, especialmente quanto à atenção que as equipes médicas e de enfermagem dedicam aos pacientes. Leia a reportagem e ouça entrevistas com a advogada e com o filho do aposentado.


O português Américo Ferreira trabalhou como comerciante por mais de 70 anos. Segundo a família, ele recebe apenas um salário mínimo, consumido integralmente pelo plano de saúde. É cliente da Unimed desde 2009 e até o incidente ocorrido no dia 22 de dezembro jamais havia precisado de internação, mesmo com a idade avançada.

Internado pela primeira vez desde que se tornou cliente do plano de saúde.
Internado pela primeira vez desde que se tornou cliente do plano de saúde.  
- É muito triste, revoltante, no momento em que o meu pai precisou de socorro, ele ficar desse jeito. Sempre pagou o plano, e quando precisa, recebe esse atendimento - diz o filho Joaquim Melo Ferreira, que é corretor de seguros e teve que se afastar do trabalho para se dedicar ao pai. Américo é viúvo e mora com o filho, que tem 65 anos.

Joaquim nos contou que no dia 22 foi com o pai até o Santa Martha apenas por desencargo de consciência. Américo havia levado um tombo no banheiro de casa, mas estava muito lúcido e sem dificuldades para caminhar.

Ao chegar na unidade, foi atendido e fez uma tomografia. Logo em seguida, foi liberado. Tudo parecia estar bem. Mas ao chegar em casa, Américo começou a falar coisas desconexas. Joaquim achou melhor voltar ao hospital.

O hospital, no bairro de Santa Rosa.
O hospital, no bairro de Santa Rosa.  
O pai chegou lá e não saiu mais. O médico de plantão recomendou que o aposentado ficasse em observação até o dia seguinte. Como Américo continuou a falar frases sem sentido, continuou internado. Fez novos exames, apresentou elevação na taxa de glicose e pressão alta. Começou a tomar remédios.

- Ficou no soro e davam comprimidos, não sei quais eram. No terceiro dia, passaram a dar antibiótico. Porque ele tinha pegado uma infecção, lá.

Joaquim afirma que logo percebeu a precariedade do atendimento na instituição. Superlotação evidente, na recepção e nos corredores, pacientes muito próximos uns dos outros nos quartos e falta de pessoal.

Segundo ele, principalmente de madrugada, é preciso aguardar às vezes duas ou três horas pela chegada de enfermeiras ou técnicas de enfermagem para trocar fraldas sujas e fazer curativos. Ele mesmo já teve que fazer esse serviço, em momentos mais críticos.

O leito do aposentado fica muito próximo ao de outro paciente.
O leito do aposentado fica muito próximo ao de outro paciente.  
Outro problema: ausência de médicos.

- Uma madrugada meu pai passou mal, muita tosse, alguma coisa respiratória. Fui procurar o médico de plantão, mas não encontrei. Isso era uma ou duas da manhã. Só veio um técnico. Mas podia ser alguma coisa mais grave - e aí, como seria? O médico só foi aparecer às sete da manhã.

A advogada Lucia Moura, especializada na área de Direito Constitucional, confirma a gravidade da situação.

- Tinha que ter um médico por andar, de plantão. Até porque são dezenas de quartos, um número enorme de pacientes. É inadmissível esse quadro lá no Santa Martha, que já foi um ótimo hospital, noutros tempos. E a superlotação é só um dos problemas.

A advogada Lúcia Moura vai procurar o Ministério Público.
A advogada Lúcia Moura vai procurar o Ministério Público.  
A questão do atendimento personalizado deficiente na unidade chocou Lucia Moura. Ela diz que também trocou fraldas de Seu Américo, na falta de profissionais para fazer isso. Mas imediatamente procurou a chefia da enfermagem e também funcionários da administração. O que não significa que a situação tenha melhorado depois disso.

- É um contexto de crise, mesmo. Para você ter ideia, certa dia percebi que iam dar a medicação errada pro Seu Américo, ele ia tomar o comprimido de um paciente que tava em um outro quarto! Por sorte eu tava lá e alertei a técnica que ia dar a medicação.

A família do paciente enfrenta uma série de outras adversidades.

Como é filho único, e com os outros parentes impossibilitados de ajudá-lo, Joaquim chegou a passar mais de uma semana direto no hospital. Acabou se vendo obrigado a contratar uma acompanhante para ficar com o pai durante o dia, para ele poder trabalhar. Mas os gastos se multiplicam: com fraldas e cremes em grande número, além de várias outras despesas.

O Santa Martha não teria fraldas no tamanho das que o aposentado necessita. E devido às assaduras é preciso aplicar cremes permanentemente.

O pedido da nutricionista.
O pedido da nutricionista.  
































A nutricionista do hospital recomendou o uso de suplementos alimentares, mas Joaquim não tem mais recursos para isso. Ele e a advogada dizem que representantes de uma empresa do ramo aparecem com frequência nos quartos para oferecer aos familiares esses suplementos.

Lucia Moura aponta várias irregularidades.

Segundo ela, caberia à Unimed bancar os gastos com os suplementos pedidos, assim como com os cremes e fraldas.

Mas existe um ponto considerado ainda mais problemático. Pelo menos verbalmente, o médico responsável por Américo, o doutor Cláudio Palombo, já teria dado alta para ele. Só que uma alta teórica... Porque num laudo pedido pela advogada o médico diz que o aposentado necessita: de fisioterapeuta, fonoaudiólogo e acompanhante para fazer curativos, além dos suplementos alimentares - e das fraldas e dos cremes...

O laudo do médico.
O laudo do médico.  
































Lucia Moura pediu o laudo com a intenção de recorrer à Justiça, se preciso fosse. Mas antes decidiu procurar a Unimed. Na última quinta-feira (dia 8) foi pessoalmente até a Ouvidoria da empresa, que a encaminhou para um setor responsável por esse tipo de caso. Chegando lá, a advogada foi informada de que a Unimed ainda não havia recebido nenhuma comunicação ou solicitação feita pela Casa de Saúde e Maternidade Santa Martha quanto à necessidade (ou possibilidade) de tratamento domiciliar - o chamado Home Care - ao qual Américo tem direito.

Lucia não se conforme, particularmente, com o fato de até hoje nenhum representante da Unimed ter ido até a unidade hospitalar para ver de perto a situação do paciente - cliente da empresa. Segundo ela, caberia a um médico-auditor da Unimed ter feito essa visita.

A advogada diz que vai procurar o Ministério Público, já que as partes envolvidas não se articulam para resolver o caso, que exige solução imediata.

No quarto do hospital, Américo vai definhando, cada vez mais abatido e debilitado, segundo Joaquim. As escaras exigem atenção contínua e a presença da acompanhante é obrigatória, diante da insuficiência de pessoal - lembrando que trata-se de um hospital particular que presta atendimento a um paciente que sempre pagou em dia as mensalidades do plano. O filho diz que tem todos os comprovantes, porque é ele mesmo quem efetua os pagamentos, desde 2009, assim que o pai recebe a aposentadoria no início do mês.

- Eu queria muito que isso fosse resolvido já. Por mim, pela minha família, pela neta e pela bisneta do meu pai, mas principalmente por ele mesmo. Uma pessoa que trabalhou a vida inteira, que mesmo com sacrifício sempre pagou em dia seus compromissos, e que agora tá passando por essa situação absurda, muito dolorosa e muito triste.

Lúcido de novo, e querendo muito ir para casa.
Lúcido de novo, e querendo muito ir para casa.  
Nós entramos em contato com a Unimed na manhã desta terça-feira, mas até o momento a empresa não se pronunciou sobre o caso. Durante a manhã, também tentamos falar com alguma pessoa responsável pelo hospital Santa Martha, mas somente no meio da tarde conseguimos falar com uma funcionária autorizada, que solicitou o envio de perguntas. Fizemos isso e estamos aguardando as respostas.

- A gente sabe que a situação da Saúde, no Brasil, é quase sempre crítica, se tornou muito precária. Mas na minha opinião o senhor Américo Ferreira padece, basicamente, é de falta de humanidade - diz Lucia Moura.

Ouça abaixo entrevistas com a advogada e com o filho do paciente.

 

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Unimed e hospital particular de Niterói acusados de negligência e descaso com paciente
 

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