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Polícia - Segurança Pública

 

Domingo, 27 de Março de 2016

Por que a mídia corporativa omite a notícia da morte de Lucas Gomes Arcanjo?

Por Fábio Lau

Mídia corporativa ignorou a morte
Mídia corporativa ignorou a morte
Por Fábio Lau


Silêncio entre os jornais da chamada mídia corporativa. Não se abriu espaço para falar sobre a morte, ainda sob suspeita, do policial civil Lucas Gomes Arcanjo ocorrida por volta de meio dia de sábado, em sua casa, em Belo Horizonte. Ele foi encontrado enforcado com uma gravata pendurada no batente da porta. A imagem pode ser percebida por quem passava do lado de fora. Estranho e suspeito.

Embora fosse ele um adversário feroz dos políticos tradicionais mineiros, a maioria instalada no poleiro do PSDB, não há prova alguma de que a morte esteja relacionada a assassinato ou crime de mando. Aécio Neves, o principal alvo do policial civil, seguido do também correligionário Anastasia.... ninguém fez qualquer comentário.

Leia aqui:
Um mês depois morte de Arcanjo continua em mistério


Não há dúvida de que neste ambiente político em que estamos, onde todos são inimigos, adversários e culpados até prova em contrário - Moro está aí para não nos deixar mentir - suspeitas, irresponsáveis, recairão sobre agentes políticos. O que não quer dizer que sejam verdadeiras - ou tampouco mentirosas.

Leia também: Tássia Camargo não acredita em suicídio de Arcanjo
Policial civil que denunciava Aécio é encontrado morto em casa


Caberá a polícia, de maneira imparcial e implacável, investigar. Crimes desta natureza, especialmente por enforcamento, tem acontecido aos montes na história do Brasil. Vladimir Herzog, morto na ditadura, foi vítima de enforcamento na prisão e apontado como suicida.

Há décadas um criminoso famoso do Rio, Chocolate, envolvido no sequestro de um empresário, também foi assassinado na cadeia com um cobertor e apontado como suicida. A história, para quem não esquece dela, tem muito a ensinar.

Arcanjo era um policial que parecia dedicado a encerrar o ciclo dos mal feitores no ambiente político. Mas estava longe de ser o anjo que carregava no nome. Com ambição política, era um sujeito sobre quem não recaiu, jamais, qualquer delito que pudesse macular seu nome. Era um homem normal, embora muito mais corajoso do que homens normais costumam ser.

O melhor prêmio à sua história deveria ser a apuração correta da morte. Ele tomava medicação contra depressão. Seria ela a indutora do suicídio? Ou estaria servindo para acobertar um crime político?

A imprensa corporativa já tomou seu partido. Ignorou o caso como se Arcanjo jamais tivesse existido. Assim ela faz sua opção nesta história. A defesa do velho modelo que silencia opositores - às vezes politicamente.

 

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