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Quarta-feira, 12 de Junho de 2019

A morte do presidente do Sindicato Rural de Rio Maria e outras histórias

Carlos Cabral: engrossando a lista de mortos
Carlos Cabral: engrossando a lista de mortos
Por Fábio Lau

Em 1995 fui à Rio Maria, no Sul do Pará, contar os casos de assassinatos de líderes do Sindicato Rural por fazendeiros, madeireiros, latifundiários e grileiros protegidos pela Justiça. Só contra a família Canuto foram três casos. Estavam comigo Antonio Carlos Dias (áudio) e Cacau Tourinho (cinegrafista). O padre Ricardo Resende, que lá esteve anos antes, correu antes que o matassem. O fato é que hoje os pistoleiros e seus contratantes se sentem ainda mais à vontade para matar defensores da democratização da terra.



Na nossa passagem, que durou dez dias, sofremos ameaças ostensivas e subliminares. Rondavam nossa pousada e atiravam para o alto. Autoridades alertavam para o perigo de sairmos à noite e frequentarmos bares. Fizemos um churrasco no quintal da pousada regado a carne de bode, cerveja quente e muito mosquito. Tivemos que precipitar nossa estada a pedido dos donos do estabelecimento. Temiam sofrer retaliação quando partíssemos.

Isso foi em 2005. Quatorze anos depois um novo líder é morto por pistoleiros: Carlos Cabral Pereira, de 58 anos. Lá fiz um amigo para a vida toda - mas que a vida levou: o frade dominicano francês Henri Burin des Roziers.

Diante do presidente do TJ do Pará, e com a cópia de algumas condenações de fazendeiro que, se somadas, ultrapassariam o milênio, perguntei: "o que é preciso um fazendeiro fazer no Estado do Pará para que seja preso? Este mandou matar cinco. Este outro, nove. Um pistoleiro, 14....E todos se reúnem no bar em frente a minha pousada. "

O juiz encerrou a entrevista.

Quando retornamos a Rio Maria havia sido expedido o mandados de prisão contra mais de 20 condenados.

Que, claro, alertados, já estavam longe dali.




Histórico de mortes



Em 18 de dezembro de 1985, o trabalhador rural e militante do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) João Canuto, foi brutalmente assassinado com 12 tiros. Dois fazendeiros da região foram julgados e condenados pelo homicídio: Adilson Carvalho Laranjeira, prefeito de Rio Maria na época, e Vantuir Gonçalves.

Quase seis anos depois, em fevereiro de 1991, o sucessor de João Canuto na presidência do STR, Expedito Ribeiro de Souza, também foi assassinado. O mandante foi o fazendeiro Jerônimo Alves do Amorim, condenado a 19 anos de prisão.

Todos os homicídios aconteceram na cidade de Rio Maria, que passou a ser informalmente tratada como "a terra da morte anunciada".

Diante do grande numero de conflitos no campo e assassinatos por encomenda de lideranças sindicais, Rio Maria ficou conhecida como "A Terra da Morte Anunciada" e símbolo da luta camponesa no Pará e no Brasil.

E o Estado do Pará um símbolo da impunidade no campo. A lista de crimes é extensa. Passa pelo assassinato do ex-deputado e advogado de posseiros do Sul do Pará, Paulo Fonteles, ocorrido em 11 de junho de 1987 e, posteriormente, o deputado estadual e advogado João Batista, 1988.

Há o massacre de Eldorado dos Carajás em 17 de abril de 1996, onde foram assassinados pelo aparato estatal da Polícia Militar 19 trabalhadores rurais sem terras. Outras tantas lideranças sindicais e religiosas como a Irmã Dorothy Stang, 73 anos, assassinada em 12 de fevereiro de 2005, no município de Anapu, e ainda o casal de ambientalistas Maria do Espírito Santo e José Cláudio Ribeiro mortos no assentamento Agroextrativista em Nova Ipixuna, aos 24 de maio de 2011.


 

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