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Reportagem Especial

 

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2015

Justiça obriga Unimed a garantir tratamento domiciliar a idoso de 94 anos

Por Rogério Imbuzeiro

Américo Ferreira: paciente da Casa de Saúde Santa Martha e cliente Unimed.
Américo Ferreira: paciente da Casa de Saúde Santa Martha e cliente Unimed.
O caso do comerciante aposentado que padece há semanas em um hospital particular de Niterói (RJ), publicado com exclusividade em Conexão Jornalismo, finalmente caminha para o que parece ser um final feliz... A partir de uma liminar concedida pela Justiça, a advogada que acompanha o caso, Lucia Moura, conseguiu obrigar o Plano de Saúde Unimed a arcar com o custo de um tratamento domiciliar para o idoso.

Mantido no hospital há quase um mês, Américo contraiu muito mais do que angústia e depressão em sua internação forçada: seu corpo foi tomado por escaras e ele já teve uma infecção.

Um oficial de justiça esteve nesta segunda-feira à noite na Casa de Saúde e Maternidade Santa Martha e na manhã desta terça-feira na Unimed. O prazo para que uma Home Care seja instalada na casa do paciente é de 48 horas. A advogada nos informou que o atendimento no hospital melhorou após a visita judicial. Saiba mais - e veja fotos do aposentado tiradas hoje.


O suplício do velhinho teve início após uma queda no banheiro de casa em 22 de dezembro. Com Plano de Saúde em dia, apesar de receber um salário mínimo mensal de aposentadoria, ele foi orientado pelos médicos a se manter internado. Mas a deficiência no número de médicos e enfermeiros comprometeu sua recuperação e acabou por ampliar os problemas de saúde. Seu corpo ficou tomado por feridas, já que não havia profissionais para movê-lo durante a recuperação.

Neste período, parentes e advogados se uniram para ajudar Américo. Conexão Jornalismo foi acionado e entrou no caso. Procurados pela reportagem, os gestores do hospital e da Unimed solicitaram que enviássemos as perguntas por e-mail. Mas as dúvidas que encaminhamos para as partes envolvidas ainda estão sem resposta - desde o dia 13 de janeiro!

Por volta das 19h30 de ontem (dia 19), o oficial de justiça Pascoto entregou a liminar na Casa de Saúde Santa Martha. Esta manhã, Lucia Moura foi até lá e ficou surpresa com a nova aparência do quarto e com a presteza no atendimento ao paciente - reflexo evidente da visita do oficial. Resta agora aguardar pelo cumprimento da liminar por parte da Unimed. Na liminar, Lucia também pede que tanto o Plano quanto a unidade hospitalar paguem indenizações ao paciente e sua família, por danos morais.

Fotos desta terça-feira (20).
Fotos desta terça-feira (20).  

Entenda o caso


Conforme mostramos na primeira reportagem, publicada no dia 13, Américo Ferreira esteve pela primeira vez no hospital no dia 22 de dezembro. Ele havia levado um tombo em casa, mas entrou na unidade lúcido e caminhando normalmente. Foi até lá apenas para que um médico o avaliasse. Fez uma tomografia. Aparentemente estava bem e foi liberado.

Mas na mesma noite, segundo o filho Joaquim Ferreira, Américo começou a falar coisas sem sentido, o que nunca tinha acontecido antes.

A família resolveu voltar ao hospital. O que parece ter sido uma condenação.

Na madrugada de 23 de dezembro, o aposentado foi internado. Fora as frases ainda desconexas, ele estava forte e corado, de acordo com Joaquim. Mas em poucos dias, Américo parecia ser outra pessoa:

- começou a tomar vários remédios, prescritos pelos médicos;

- no terceiro dia, pegou uma infecção hospitalar e teve que tomar três antibióticos;

- as assaduras e escaras se multiplicaram;

- embora tendo recuperado a lucidez, Américo desenvolveu um quadro depressivo.

Joaquim revelou que era comum aguardar duas ou três horas pela chegada de enfermeiras ou técnicas de enfermagem para limpar o paciente, e que ele mesmo, Joaquim, teve que fazer esse serviço em momentos mais críticos, devido à falta de pessoal.

Segundo o filho, os médicos muitas vezes desapareciam. Certa vez, disse ele, por volta das duas da manhã, Seu Américo começou a passar muito mal, com tosse e dores no peito, mas apenas às 7 horas da manhã um médico surgiu para examiná-lo.


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Rotina de sofrimento e incerteza

Os problemas listados acima representam apenas uma parcela do drama. Porque a Casa de Saúde e Maternidade Santa Martha também não tinha fraldas do tamanho necessário para o paciente. Joaquim Ferreira, que é corretor de seguros e ajuda no sustento de parentes, teve que comprar as fraldas - cerca de 15 pacotes até o momento. Também tem bancado os gastos com cremes para assaduras e escaras porque, segundo o hospital lhe revelou, o Plano de Saúde Unimed não cobriria esta parte. E diante do abandono em que ficavam os pacientes, em diversos momentos do dia, também foi contratada uma acompanhante.

- Eu estava muito agoniado com aquela situação. Meu pai trabalhou no comércio mais de 70 anos. Em 2009 virou cliente da Unimed. Sempre pagou em dia, eu tenho todos os comprovantes. Nunca precisou de internação, foi a primeira vez. E eu achei que sendo um hospital particular ele ia receber um atendimento melhor. Mas foi muito ruim. Os médicos, é como se tivessem má vontade, tivessem fazendo um favor. O serviço de enfermagem, também, muito longe do ideal, deixou muito a desejar. Acabei ficando lá, direto. Mas depois de sete, oito dias, precisei voltar a trabalhar. Sem dinheiro a situação ia ficar pior ainda.

Leia: Unimed e hospital particular de Niterói acusados de negligência e descaso com paciente (13/01 - entrevistas gravadas com Joaquim Ferreira e com Lucia Moura)

A advogada Lucia Moura nos telefonou assim que conseguiu a liminar.
A advogada Lucia Moura nos telefonou assim que conseguiu a liminar.  
Foi quando a família decidiu procurar também uma advogada. Lucia Moura se envolveu de imediato e intensamente com o caso, que a chocou.

- Fiquei impressionada com o hospital. Era um dos melhores de Niterói. Mas decaiu demais. Um quadro nítido de superlotação e uma precariedade bem perceptível. Pra você ter uma ideia: uma vez eu tava lá e notei que a funcionária ia dar o remédio errado pro Seu Américo, o remédio trocado! O comprimido era de outro paciente, que tava em outro quarto...

A advogada diz que também chegou a trocar fraldas do paciente, seu cliente. Lucia alertou a direção sobre o que estava acontecendo, quanto ao tratamento dispensado a Américo Ferreira. Mas não teria adiantado - era gente demais para ser atendida, e as equipes seriam insuficientes. Afora uma certa indiferença que ela percebeu, por parte de alguns funcionários.

Outra questão: a nutricionista da instituição recomendou que o paciente recebesse um suplemento alimentar, mas a direção do hospital alegou que o Plano de Saúde não iria autorizar.

O pedido feito pela nutricionista do hospital.
O pedido feito pela nutricionista do hospital.  

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Ganhando contornos de novela, daquelas bem arrastadas

No dia 8 de janeiro, a advogada procurou a Ouvidoria da Unimed para relatar o caso. Passaram-se os dias e, segundo Lucia, nenhum funcionário do Plano telefonou para a família nem para ela.

- Está previsto que numa situação dessas um auditor da empresa compareça à unidade hospitalar para ver de perto a situação. Mas nem isso! Nesse meio tempo, no dia 9 de janeiro, um dos médicos, o doutor Cláudio Palombo, deu alta pro Seu Américo.

Contudo, foi uma alta que pedia a continuidade do tratamento no ambiente doméstico, com medicação, fonoaudiólogo, fisioterapeuta e um acompanhante para o idoso. Ou seja, segundo o médico, o paciente já tinha condições de ser tratado em casa, mas para isso precisava que a Unimed liberasse a Home Care, à qual o paciente tinha direito.

O laudo assinado pelo médico Cláudio Palombo.
O laudo assinado pelo médico Cláudio Palombo.  
































Lucia procurou de novo a Unimed, com esta informação. Mas a empresa não se mexeu, alegou que não havia recebido nenhuma solicitação do hospital.

No dia 13, foi publicada a reportagem em Conexão. Antes da publicação, entramos em contato com a Casa de Saúde e Maternidade Santa Martha e com a Unimed. Ambas pediram que perguntas fossem encaminhadas por e-mail. Fizemos isso, mas foi o mesmo que nada, porque até hoje nem uma nem outra responderam a qualquer dos questionamentos.

Leia: Unimed e hospital particular fazem jogo de empurra e ancião continua com a vida em risco (16/01 - veja a lista de perguntas que não foram respondidas)

No dia 14, Lucia Moura voltou ao hospital, onde seria realizada uma suposta reunião entre as partes. Mas de acordo com a advogada, na prática, o que ela ouviu de mais "relevante" foi uma funcionária, chefe da enfermagem, dizer que era para a mídia sair do caso, porque logo tudo seria resolvido.

Lúcido novamente, o aposentado só quer voltar para casa.
Lúcido novamente, o aposentado só quer voltar para casa.  
Objetivamente, nada mudou. Apenas as escaras do aposentado, que pioraram.

Lucia diz que fez novos contatos com a Unimed, em vão. A empresa só se manifestou no dia 17, sábado passado, para pedir que alguém da família (depois de tudo o que já havia sido passado pela advogada) enviasse por e-mail um relato pormenorizado de toda a via-crúcis do paciente...

- Ou seja, a impressão que deu foi a de que ninguém, nem a Unimed nem o hospital, estava com "vontade política" verdadeira de resolver a situação. Se por acaso o paciente morresse, no meio dessa "guerra fria", azar o dele, né? Eu trabalho nessa área e é o que a gente cansa de ver por aí, infelizmente - afirmou Lucia.

A advogada decidiu então entrar com um pedido de liminar, uma tutela antecipada, para que a integridade e a dignidade do paciente sejam finalmente respeitadas - com a transferência para casa, com direito ao tratamento previsto pelo contrato de Américo Ferreira com o Plano de Saúde.

- Além disso eu pedi indenização por danos morais, porque o que eles fizeram nas últimas semanas com aquele velhinho foi algo inconcebível, não tem justificativa. Não fizeram por bem, agora não adianta chorar, tem que cumprir a determinação da Justiça.

A previsão é de que Américo Ferreira saia do hospital ainda nesta terça-feira, para começar hoje mesmo a receber o tratamento necessário em casa.

O filho conta os minutos para que isso aconteça:

- A gente não aguenta mais tanto sofrimento sem necessidade. É muito injusto. Espero que a decisão da Justiça seja realmente cumprida.

Nós também. Continuamos a acompanhar o caso e esperamos publicar o mais rapidamente possível uma outra reportagem, que mostre o senhor Américo Ferreira já em casa, sendo tratado por médicos e enfermeiros, e também pelo Plano de Saúde, como um ser humano deve ser tratado.

Ainda no quarto do hospital, bem perto de outro paciente.
Ainda no quarto do hospital, bem perto de outro paciente.  


Fotos tiradas pela advogada nesta terça-feira de manhã:





 

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Justiça obriga Unimed a garantir tratamento domiciliar a idoso de 94 anos
 

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