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Quarta-feira, 09 de Maio de 2018

Projeto de Alexandre de Moraes para combater crime não prevê investimento social

Abandono da infância é o combustível do tráfico
Abandono da infância é o combustível do tráfico

Armas, carros blindados, investimento em tecnologia, aumento da pena e dinheiro - muito dinheiro. O anteprojeto apresentado pelo ministro do STF, Alexandre de Moraes, para tentar combater a violência galopante no Brasil não prevê investimento na origem de todos os males: o abandono da infância e adolescência. Arregimentados ainda na adolescência para engrossar as fileiras criminosas, especialmente no tráfico de drogas, os jovens merecerão, de acordo com o projeto, o enfrentamento do estado: temas importantes e fundamentais como escola em tempo integral, programas esportivos e amparo social para as famílias localizadas em zonas de risco são temas que nem sequer mereceram a atenção do grupo instituído para trabalhar no projeto.

Leia a reportagem na Agência Brasil e mantenha este foco: é só despesa em compra de equipamento - nenhum investimento social:

Por Heloisa Cristaldo - Repórter da Agência Brasil

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes apresentou, nesta terça-feira (8), na Câmara dos Deputados, um conjunto de propostas para endurecer a legislação penal no combate ao crime organizado, ao tráfico de drogas e de armas e no enfrentamento às milícias. As medidas também incluem mudanças no Código de Processo Penal e no Código Penal, além de sugerir novas formas de financiamento da segurança pública no país.

As propostas foram elaboradas por uma comissão de juristas instalada pela Câmara dos Deputados, no passado, e presidida por Alexandre de Moraes.

"São questões, que uma vez aprovadas pela Câmara e pelo Senado, rapidamente a sociedade brasileira vai perceber que é possível dar uma maior celeridade às investigações, no processo, principalmente na punição da criminalidade organizada no tráfico de drogas, no tráfico de armas, nas milícias - que são os três pontos principais", explicou Moraes.

Entre os principais pontos do anteprojeto, está o aumento do período máximo de cumprimento de pena no país. O prazo atual de 30 anos seria estendido para 40 anos de detenção em regime fechado. Segundo Moraes, essa medida acompanha o crescimento da expectativa de vida dos brasileiros e poderá evitar que membros do crime organizado presos jovens deixem a prisão ainda aptos a cometerem novos crimes.

De a acordo com a medida, crimes leves teriam proporcionalmente sanções mais leves. Os crimes praticados sem violência, sem ameaça, devem ter uma sanção rápida e ser punidos com medidas penais restritivas, como a perda de bens e valores e a prestação de serviço à comunidade ou a entidades públicas.

"O Brasil precisa concentrar a pena privativa de liberdade para aqueles criminosos graves, com grave violência e grave ameaça, e a criminalidade organizada. No restante, nós devemos ter penas restritivas, penas de prestação de serviços à comunidade. Agora, para aqueles que praticam a criminalidade organizada, não há lógica em se prender e depois de um sexto [de cumprimento da pena] já estarem soltos", avaliou o ministro. A perspectiva de Moraes é que essa medida elimine 75% das ações penais de menor gravidade, como furto sem violência e estelionato.

Recursos para a segurança



Outro ponto da proposta é a criação de varas colegiadas, em que um grupo de cinco juízes julgará processos referentes a organizações criminosas, tráfico de armas, tráficos de drogas e milícias. A medida visa garantir mais segurança aos trabalhos dos juízes que lidam com crime organizado pelo país.

A proposta prevê ainda a introdução da figura do "cidadão colaborador". Semelhante à colaboração premiada em casos de corrupção, a medida seria usada para recompensar cidadãos quando fornecerem informações em casos de tráfico de drogas e milícias.

O financiamento da segurança pública também foi incluído na proposta. Pelo anteprojeto, cerca de R$ 5,5 bilhões seriam destinados a estados, Distrito Federal e municípios "sem a criação de novos tributos", segundo Moraes. A medida estabelece que 25% das verbas viriam dos recursos arrecadados com a incidência das contribuições do Sistema S.

Além disso, 4% do total dos recursos arrecadados com loterias oficiais também seriam destinados à segurança pública. Pela proposta, 75% dos recursos seriam destinados para estados e para o Distrito Federal, distribuídos de acordo com os critérios de tamanho da população (60%) e com os índices de homicídios (40%). Os outros 25% seriam para municípios, distribuídos metade para as capitais e metade para os municípios com mais de 200 mil habitantes.

Comissão especial da Câmara



Segundo o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), será criada uma comissão especial na Casa para analisar o anteprojeto. A previsão do parlamentar é que em até 40 dias a medida esteja pronta para ser votada no plenário da Casa. "O aumento da violência no Brasil tem acontecido de forma muito rápida e acredito que o anteprojeto vem na linha daquilo que a gente espera. Esse enfrentamento ao crime organizado, ao tráfico de drogas e à milícia, quanto mais rápido puder ter um projeto moderno, que endurece a lei e debate a questão do financiamento [melhor]", afirmou Maia.

Para o presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), a medida está em consonância com o desejo da sociedade brasileira por mais segurança. "É um conjunto de ideias que chegaram ao Congresso através dessa comissão especial e receberá essa proposta a contribuição dos parlamentares, em audiências públicas, se forem necessárias. Mas acho que é uma contribuição importante para aprovação de matérias que venham ao encontro, ao anseio da sociedade, que é o combate ao crime organizado, o tráfico de drogas, tráfico de armas", disse.

 

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