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Quinta-feira, 26 de Abril de 2018

Como é bom saber que Elika Takamoto será candidata

Elika Takamoto: a força da candidatura vem da lida com o acidentado mundo digital
Elika Takamoto: a força da candidatura vem da lida com o acidentado mundo digital
Por Fábio Lau

Se há uma defesa unânime que fazemos por aqui é pelo lançamento de bons nomes (quem segue Conexão Jornalismo sabe exatamente a qual perfil nos referimos) que se disponham a ocupar espaço político. E por isso temos que parar e dar dois pontos para exclamar: como é bom acordar de manhã e descobrir que Elika Takamoto é candidata! A professora, mãe, filha, vizinha do subúrbio mais carioca do Rio e gente como pouca gente é, usou sua rede social para dizer: "Disputarei as eleições de 2018 como candidata a deputada estadual do Rio de Janeiro pelo partido que tirou o Brasil do mapa da fome".


Elika é professora de física do Cefet, uma escola tradicional voltada para a formação de técnicos, e tem doutorado em filosofia. Moradora de Madureira, conhece como pouco as mazelas desta região desassistida. Escritora e cronista, tem livros publicados e é principalmente uma atuante ativista na internet onde tem uma centena e meia de milhares de seguidores.

Mãe de três e filha de dois, conforme gosta de se definir, Takamoto experimenta há anos a dor e a delícia de alcançar a fama no mundo virtual. Enquanto falava sobre política, economia, prendas do lar, criação de filhos e experiência com coletor menstrual, o mundo pareceu ameno e um bom lugar para se viver. Até que num dia qualquer replicou um texto escrito por ela mesmo um ano antes no Facebook. Falava sobre cotas raciais e cotistas. Importante dizer que ela defende o sistema de cotas.

A reação, um ano depois da primeira publicação, foi surpreendente. O que era elogio foi transformado em "crítica" e o mundo que era bom ficou mau. Até gente que não a seguia ou conhecia passou a ofendê-la e até a ameaçá-la. A reação, desproporcional, deu a óbvia indicação, de quem assistia a distância, de que havia algo orquestrado disposto a desconstruí-la.

Baqueada, a senhora de traços orientais e modos, desejos, anseios e angústias absolutamente nacionais decidiu dar um tempo da internet. Entrou na muda como fazem os passarinhos. Trocou a plumagem por outra mais resistente, pegou um ar, afinou o gogó e voltou. Melhor.

Ao anunciar-se candidata, e acalentar o ânimo de combalido de tanta gente, Elika o fez num texto onde não esconde de ninguém quem é: frágil, doce, curiosa, ansiosa, leve, transparente, menina e guerreira. Mas, acima de tudo, corajosa. Mulher, portanto! Eis o texto:

"Preciso lhes contar algo que decidi hoje e que vai mudar radicalmente a minha vida. Há uma dose cavalar de emoção aqui neste momento. Um misto de alegria, ansiedade, disposição e, sobretudo, esperança.

Disputarei as eleições de 2018 como candidata a deputada estadual do Rio de Janeiro pelo partido que tirou o Brasil do mapa da fome.

Jamais pensei em entrar para a politica de forma efetiva, preciso confessar. Criticar quem está fazendo alguma coisa é muito mais fácil do que ir lá e tentar fazer melhor.

Fui atraída, porém, pelo desafio, assim como em tudo que fiz na vida: cursar uma faculdade de física, ter filho aos vinte anos, mudar de área no mestrado, mudar de área no doutorado, escrever um livro, escrever outro, escrever, inscrever-me em concurso público, ser mãe de três filhos, ser mãe solteira, andar de skate, ler ao menos 20 clássicos da literatura, correr 10 quilômetros, viajar sozinha e, o mais difícil de tudo, descobrir quantos meses tem uma grávida de 27 semanas.

Tudo isso são exemplos de coisas que me pareceram impossíveis de serem realizadas e quando vi já estavam feitas. E quero deixar registrado: o que fiz foi com muita insegurança e não está sendo diferente agora.

O medo, vale observar, nunca me paralisou. Pelo contrário. A química que ele gera em mim me movimenta para a luta da sobrevivência da minha essência.

Em várias dessas realizações, ouvi de muita gente que não iria conseguir. Fui sempre orientada por alguém a parar porque iria sofrer ou me frustrar. Vai acontecer de novo. Eu sei. Pressinto. "Conheço meu eleitorado".

Vão tentar me frear.

Adianto: ninguém vai fazer com que eu desista. Nem Lula conseguiu. E olha que ele tentou dizendo que eu iria apanhar e muito. Minha mãe tentou também porque acha que posso me machucar.

Não me lembro de ter passado por nenhum processo de transformação e realização sem dor. Vai doer. Não tem problema. Mas vai ser lindo porque vou descobrir coisas surpreendentes como, por exemplo, que faltam dois meses para o bebê nascer quando a grávida diz que está 27 semanas.

O que passei nesse tempo que andei avaliando tudo não deixou de ser também uma gestação. Algo aqui dentro foi muito bem fecundado. Já se mexia forte quando era apenas uma ideia. Criou corpo.

O parto se dá agora com esse texto.

O que será dessa criança vamos descobrir juntos".

 

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