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Cultura - Radionovela

 

Terça-feira, 28 de Maio de 2019

Os Dias de Dostô


Ao contrário do que o nome possa sugerir, Francis Ivanovich é carioca desde pequenininho. Artista em tempo integral, é escritor, diretor de teatro, cinema e tv e professor de roteiro nas horas vagas. Criar é, para ele, o mesmo que transpirar. E foi assim que ele sugeriu ver publicado em Conexão Jornalismo uma novela em capítulos tal e qual acontecia nos diários do mundo um século atrás. "Será que funciona?", foi a pergunta que nos fizemos diante da aposta. Só saberemos a partir da publicação. E foi assim que ele desenvolveu um personagem inspirado em ninguém menos que um dos maiores romancistas autor de duas das maiores obras primas da literatura mundial: Os Irmãos Karamázov e Crime e Castigo. Como a gente acredita em tudo que é ousado, transgressor e proibido, a novela de Francis Ivanovich começa a ser publicada hoje. O resto é com o leitor (Fábio Lau).



Por Francis Ivanovich


Os Dias de Dostô




Parte I



Fiódor Dostoiévski da Silva, cujo apelido é Dostô, é homem simples e sensível. Desses que não existem mais neste mundo de tantas vozes. Não é poeta por falta de vocação, mas funcionário público modesto, gráfico empregado numa repartição do governo estadual, sob regime CLT, cujos os vencimentos mal lhe garantem a solidão dos 45 anos, num pequeno conjugado no bairro do Estácio. O olhar de Dostô para as coisas da vida é de uma profundidade absurda. Seu pai era leitor fervoroso do escritor russo, foi dessa admiração que surgiu o nome nada comum por essas bandas ensolaradas.


Dostô pegou o trem do metrô na estação Estácio, rumo à Cinelândia. Estava de pé ao lado de duas mulheres que conversavam sobre a Lua estar em Peixes.

- Hoje, às 15h33 a Lua vai para Áries e deixa Peixes - disse a mulher com aparente conhecimento astrológico.

- Já era tempo, querida. Eu me sentia muito esquisita. Meu marido sofreu bastante comigo neste período.

Dostô não se conteve:

- Desculpem, mas o que significa Lua em Peixes?

As mulheres entreolharam-se e a que parecia ser astróloga esclareceu.


- Muita imaginação, criatividade, sonhos e desejos ganham formas e significados. Não é fase para tomar decisões que envolvam dinheiro. Excelente fase para meditar, cuidar do eu interior.


O trem chegou à estação da Carioca e as mulheres desembarcaram. Dostô se pôs a pensar no que ouvira, ficando temeroso de tomar o empréstimo consignado na financeira. A voz da astróloga ainda ecoava: Não é fase para tomar decisões que envolvam dinheiro. No entanto, Dostô estava endividado. Como ia pagar o aluguel do mês? Não tinha jeito, era preciso tomar o empréstimo. Entregar parte do salário para os abutres das finanças.


O metrô estacionou na estação da Cinelândia. Tomou o elevador rumo ao escritório da financeira, com a astróloga falando dentro da sua cabeça. Ao descer do elevador, no nono andar, viu uma carteira caída no chão do corredor. Olhou para os lados, não havia ninguém por perto. Pegou a carteira e ao abri-la encontrou mil reais em notas de 100 e nenhum documento do proprietário. Seu coração disparou. O seu aluguel era de 1100 reais. Estava salvo. Entretanto, um medo tomou seu coração, sentiu um peso sobre os ombros, as pernas bambearem, a dúvida assumiu sua alma.


- O que você vai fazer Dostoiévski da Silva? - perguntou-se angustiado.

(continua quinta-feira)

 

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