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Cultura - Novas Mídias

 

Quinta-feira, 16 de Janeiro de 2020

Para não dizer que não falei das cores


Para não dizer que não falei das cores



Por Álvaro Miranda*

Nunca antes neste país, desde a redemocratização, a paisagem brasileira ficou tão cinzenta e triste. Por mais que tentemos a alegria, sim, ela acontece, mas de forma fugaz, privada, diante desse lodo todo, essa gosma do esbulho do nosso destino. Parece pouco diante dos problemas concretos dos mais necessitados. Mas, entre o circo e o pão, ninguém nega também a fome pela celebração da vida, cada um à sua maneira com amigos, parentes ou colegas de trabalho, seja nas ruas, nas praças, nos bares, nas visitas a museus, no cinema ou teatro, ou na laje construída em mutirão.


Mesmo a ditadura de 1964 não sequestrou de nossos gostos o verde amarelo da bandeira nacional. Sou do tempo do tricampeonato mundial em que o Brasil deu de quatro a um na Tchecoslováquia, país que não existe mais, vendo o jogo ainda em preto e branco pela televisão. E mesmo o bicolor da alegria em meio à ilusão dos anos de chumbo nunca neutralizou e encarcerou nossas cores da emoção de pertencimento, nem impediu de chorarmos ao cantar o hino nacional.

É por essas e outras que me ofende profundamente o fato de os neofascistas vestirem a camiseta verde e amarela, apropriando-se das cores da geleia geral brasileira. Por mais que talvez possam ser ingênuos esse meu sentimento e impulso, a sensação é que precisamos retomar nossas cores, misturando-as num caleidoscópio de alegria com os tons de vermelho, do arco-íris e de todas as outras, conhecidas e imponderáveis, bem-vindas numa disposição sincrética de coletividade. O Brasil é nosso, não dos neofascistas.

Aos brados: O Brasil é nosso! Nosso, como brasileiros, e de quem quiser chegar para viver em comunhão, e não para surrupiar nossas riquezas. Repito, parodiando o grito de João Estrela, o personagem encarnado por Selton Mello, no meio da alegria da festa num apartamento de classe média da Zona Sul do Rio, música a todo volume, numa das cenas do filme "Meu nome não é Johnny", quando ele entoa: "O Rio de Janeiro é nosso!"

Num contraste da ilusão do personagem provocada pela cocaína, minha droga tem sido o constante ato de pensar, repensar, ler, estudar e escrever, mesmo tropeçando e errando nas minhas interpretações e avaliações, ou até, muitas vezes, acertando em algum alvo de repercussão útil. Num sentido de resistência, o nome do nosso filme poder ser "Meu nome não é idiota". Pensando nisso tudo, três mensagens de whatsApp que recebi ontem parecem atestar que minha disposição não é tão ingênua assim.

Numa delas, minha amiga, poeta e psicanalista Daisy Justus faz uma interessante análise-relâmpago sobre o papel que a música brasileira teve em bolsões de resistência à ditadura civil-militar - e o papel agora, com a democracia surrupiada pelo vórtice do voto manipulado e fraudado pelas fakenews, desempenhado pelo cinema brasileiro. É pura vertigem mesmo o que estamos vivendo, não sem um toque de humor, como a imagem que circula no Facebook com a foto da estatueta da festa de Hollywood falando "é golpe".

Na outra mensagem, o professor de história Eduardo Coelho, num vídeo de pouco menos de quatro minutos, dá uma aula-relâmpago sobre a redemocratização, falando sobre o comício das diretas, a eleição de Trancredo Neves e outros fatos do fim da ditadura. Detalhe: Filmado diante da Igreja da Candelária, no Rio, onde ocorreu o famoso comício de 1984, Eduardo, militante do PT, veste uma camiseta amarela da seleção brasileira, dessas que os reacionários e ingênuos usam nas manifestações pró-Bolsonaro. Fundador do PV, é lulista apaixonado, tendo viajado dezenas de vezes a Curitiba enquanto Lula esteve preso. Parabéns, professor!

Por fim, a terceira mensagem foi compartilhada num chat de poetas amigos pela poeta Juliana Echeverria. Ela manda uma matéria do site Hypeness sobre a origem etimológica e a história de resistência por trás da palavra baderna. Trata-se da bailarina de origem italiana Marietta Baderna, filha de um médico que se exilou no Brasil por conta dos tempos conturbados dos meados do século XIX na Europa. Baderna gostava de festa, bebida, alegria e muita dança - o que incomodou nossa aristocracia escravocrata. Essa mesma aristocracia com seus genes ainda perdurando em gerações atuais do Brasil republicano.

Enfim, falo de tristeza, mas não com tristeza, pois o que precisamos é de uma baderna feliz e construtiva, com ares de pluralidade democrática e projeto de nação, e não esse obscurantismo que diminui as pessoas ao rés da sobrevivência. Os tempos se sobrepõem, e o passado é presente em diferentes vieses, inclusive para a esperança. Daí que Geraldo Vandré, embora esquecido, é atualíssimo, convidando que "esperar não é fazer, quem sabe faz a hora, não espera acontecer."



* Álvaro Miranda é jornalista, poeta, mestre e doutor em Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento pela UFRJ, prestes a lançar seu quinto livro de poesia. Autor de "A casa toda nave cega voa" e "Pra que serve a palavra nunca".

 

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