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Quinta-feira, 28 de Abril de 2016

Fotografia de anônimo fala mais do que manchete de jornal

Por Fábio Lau

Vou seguir o rastro como fizeram os irmãos João e Maria: para quem não relaciona os nomes às pessoas, ajudo: trata-se do conto infantil dos irmãos que, para não perderem o rumo de casa, demarcam o caminho com migalhas de pão. Mas eis que um pássaro faminto percebe, come tudo e os irmãos se perdem na floresta. João e Maria terminam sob o domínio de uma bruxa. Uma fábula e tanto! Mas o nariz de cera* é justificável: a fotografia, acima, bombou na minha página pessoal. E a razão não é pouca: o menino, um carregador de latas e garrafas plásticas, fita um parque do outro lado da rua onde crianças, talvez menores do que ele, brincam em um escorrega e sabe-se lá mais o quê.

Comove. Comove porque a imagem fala por todos nós. Ela grita que o menino tem o direito de brincar como todos os meninos. E ela diz ainda que é injusto um garoto, com seus dez ou 11 anos, estar ali, calça comprida e tênis, carregando trabalho em forma de lata e plástico, quiçá para ajudar a sustentar um adulto. Ou adultos.

A fotografia, e aí entra a fábula do pé de feijão, foi capturada por este jornalista na página de uma amiga baiana, daquelas arretadas, e que tem a atividade profissional de psiquiatra. Pessoa acostumada a lidar com as intempéries da vida, portanto. Mas este repórter pegou a foto e a submeteu a tratamento - não psiquiátrico, mas de photoshop. Por que? Porque nela vinha escrito uma frase, acima, que me soou piegas e desnecessária: "imagens assim me partem o coração!"

Cortei.

Postei na minha página pessoal sem legenda. Aliás, ela entrou no rol daquelas que batizo com a seguinte expressão: "Da série: legenda pra quê?" Assim escrevo quando a imagem fala por si. Mas no caso particular do menino fiz mais. Tirei a frase que segue além dos dois pontos. Postei, portanto, apenas a inicial: "Da série:" Imaginei que as pessoas entenderiam. E entenderam.

Uma amiga, também jornalista, que hoje fica mais no interior de Minas do que na sua casa em Botafogo, foi uma das comentaristas da foto. E que frase ela postou? "Imagens assim me partem o coração!"

Pois é. A expressão que arranquei da foto original voltou com a naturalidade do sentimento que ela inspira. Confesso que a imagem, de fato, me ...... vá lá - parte o coração. Mas prefiro que não diga. Que permita que outros sintam.

Quando criança trabalhei também: vendi jornal (daí a vocação para jornalista? Talvez), laranjinha ( o que no Rio chamamos sacolé e por aí chamam dimdim, chup-chup, gelinho e etc), trabalhei na feira e fiz frete em supermercados.

A atividade não era exatamente laborativa, mas uma fórmula de ganhar alguns trocados - junto a amigos que, muitas vezes, o faziam para ganhar dinheiro e ajudar no sustento da família. O trabalho me engrandeceu. Tenho até hoje histórias para contar sobre eles. Mas me comovo com o quadro de alguém que fez o que fiz - talvez pelas circunstâncias que nos separam.

Acho que criança nasceu para brincar e estudar. Mas acho injusto ignorarmos que há um gesto nobre na dor inconsciente daquele menino. Uma grandeza. E fico ainda mais triste quando criminalizamos o trabalho infantil e aceitamos o abandono da infância - dos que roubam nos sinais, usam crack e cheiram cola. Diante destes, o menino da foto é um Rei.

A fábula de João e Maria termina com eles voltando para casa.

E este menino deve ter voltado também.

* Nariz de cera é o embromation no texto jornalístico.

 

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