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Sexta-feira, 10 de Novembro de 2017

Movimento negro apresenta queixa no MP contra William Waack

Da Redação

Lázaro e Waack: racismo é crime
Lázaro e Waack: racismo é crime

O movimento negro organizado começa a reagir ao ataque considerado racista protagonizado pelo apresentador e jornalista William Waack há um ano. O caso ganhou repercussão esta semana após vazamento de um vídeo onde o âncora do Jornal da Globo disse que o som de uma buzina ouvido nos Estados Unidos seria "coisa de preto". O partido Frente Favela Brasil (FFB) anunciou que está protocolando na tarde desta sexta-feira (10) queixa-crime contra o jornalista no Ministério Público Federal do Rio de Janeiro (MPF-RJ) pelo crime de racismo. Lázaro Ramos se manifestou sobre o episódio nesta sexta feira e lembrou que racismo é crime. O ator da Globo disse que coisa de preto é, entre outras coisas, a música de Cartola.




Waack, que foi afastado da Rede Globo após a intensa repercussão na internet, protagonizou cena de preconceito racial em vídeo onde aparece conversando com o também jornalista Paulo Sotero. A conversa entre os dois é interrompida por um som de buzina na rua, que faz Waack gritar agressivamente: "Tá buzinando o que, ô seu m... do cacete?", e vira para o colega e diz: "Não vou nem falar o que é porque eu sei quem é, isso é coisa de preto".

Segundo a Frente Favela Brasil, os comentários de William Waack não podem ser admitidos. "Tomamos a decisão de acionar o nosso Departamento Jurídico, porque o Frente Favela Brasil entende que não cabe mais esse tipo de fala. Isso é inadmissível em todas as esferas da sociedade, vindo de um formador de opinião em uma das principais emissoras de televisão se torna mais grave ainda. Não podíamos ver aquele vídeo e ficarmos parados", explicou Wanderson Maia, co-presidente da agremiação.

O FFB lembra que a "postura arrogante" do jornalista é um crime que contraria todos os acordos dos quais o Brasil é signatário nos fóruns mundiais como a Organização dos Estados Americanos (OEA) e Organizações das Nações Unidas (ONU). Além disso, fere o princípio da Dignidade da Pessoa Humana. "Portanto, as declarações que incitam o ódio a grupos sociais não podem ser toleradas em uma sociedade democrática".

O vídeo em que o jornalista William Waack protagoniza uma cena de racismo foi divulgado pelo operador de VT Diego Rocha Pereira, e o designer gráfico Robson Cordeiro Ramos. A imagem original foi obtida por Diego, que é ex-funcionário da Rede Globo. "Eu ainda voltei as imagens para ter certeza, não estava acreditando que ele teria falado aquilo. Fiquei tão revoltado que filmei com meu celular", diz.

Lázaro Ramos



Com a ajuda de um texto de Johnatan Oliveira Raimundo, e pegando carona na hashtag #coisadepreto, um dos tópicos mais comentados no Twitter, o ator desconstruiu a fala de Waack e mostrou, de uma vez por todas, o que é "coisa de preto". "Coisa de preto é a poesia de Cartola. Os dedos a bailar sobre o violão de Paulinho da Viola. Ah, só podia ser preto - Romário, Imperador, Ronaldinho", publicou.

E, para finalizar, usou as próprias palavras: "Racismo é crime e ponto final".

 

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