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Terça-feira, 27 de Agosto de 2019

A política na escola e o fetiche de que só adultos têm vida pública

Imagem da Internet
Imagem da Internet
Por Álvaro Miranda(*)

A política vem sendo tratada como assunto pornográfico ou escatológico por pais e mães em grupos de whatsApps formados para acompanhar a vida de seus filhos na escola. Ouvi relato recentemente segundo o qual alguém manifestava, num desses grupos de mães da Zona Sul do Rio de Janeiro, sua preocupação com abordagens de temas políticos em sala de aula. "Eles não têm idade para esse tipo de assunto", dizia a mãe mais ou menos assim, peremptória, porém ansiosa e desorientada sobre como lidar com a influência da escola sobre seu filho.


O obscurantismo e o baixo astral que vêm se espalhando pelo Brasil é tanto que, em vez de tratar a política como perspectiva alegre, necessária e inevitável de imaginação para o presente e o futuro, pessoas de classe média tentam sua interdição e o silêncio. Que educadores e especialistas preocupados com a formação da cidadania - desenvolvida somente a partir da colaboração entre gerações - domem a ansiedade destes pobres pais e mães sonâmbulos no labirinto de suas mortes antecipadas. Suas e as de seus filhos, se estes não reagirem com a impetuosidade natural da juventude. Afinal, como tratar de história e geografia sem falar de política? Como ensinar filosofia ou psicologia sem enveredar pelas injunções políticas dessas disciplinas? Como falar do Brasil passado e contemporâneo sem abordar os aspectos políticos e econômicos? Como estudar o período colonial, a formação do império, a escravidão e suas consequências para o Brasil republicano atual sem falar dos conflitos políticos?

Como debater sobre tecnologias sem falar de política? Ou os ingênuos acreditam que as tecnologias possuem um desenvolvimento próprio e natural, a partir do nada, independente dos conflitos entre grupos, países, classes sociais?

Mais ainda: como explicar para a criança falas absurdas de governantes tresloucados que incentivam o ódio e a violência? A ideia de que crianças não teriam idade para a política é um fetiche segundo o qual a vida pública dos indivíduos só começaria na idade adulta. Tal fetiche esconde as inclinações ideológicas que deixam mal resolvida na cabeça de muita gente a imbricação recíproca entre vida pública e vida privada.

Ora, a vida pública das crianças começa já na infância quando elas interagem com outras crianças e adultos, estranhos e conhecidos, nos espaços da vizinhança e da escola. Não se trata do sentido apenas da convivência física em lugar "público", fora de casa, longe dos pais. Mas sim, obviamente, também no aspecto institucional, já que, na escola e na vizinhança, a criança se depara com práticas e discursos de regras formais ou informais. Isto é, com as instituições, enfim, que nada mais significam do que conjuntos de normas postas para a interação coletiva, conflituosa ou não, na escola pública ou privada, na rua ou nos condomínios fechados.

A politização é inevitável seja como formação estruturante da busca pelo conhecimento, seja como sua tentativa reversa de despolitização. A negação da política é uma forma de politização ao contrário, não deixando de ser um tipo de politização, já que negar a política também é agir politicamente, escondendo ou enunciando expressamente suas preferências, intenções e motivos. Pode parecer uma aporia, mas o pretenso "apolítico" age politicamente, mesmo ignorando o que significa aporia. Não à toa, um dos maiores ataques da direita no processo de desmonte do país é a devastação na área da educação. A escola é, por excelência, a arena institucional de abertura para o mundo e a vida em sociedade. Nesse sentido, pensando as relações entre público e privado e as interações entre lar, escola e mundo, nossa reflexão nos leva inevitavelmente para diferentes complexidades do tema.

Num ambiente comunicacional de novas tecnologias e velocidade de informação nunca vista entre diversas fontes, grupos e indivíduos, o mundo tem invadido os lares, não sendo mais, muitas vezes, a estrada a ser iniciada a partir de uma escolha deliberada e pensada em casa. Hoje, o mundo tem chegado primeiro a nós do que nós a ele. Esses pais e mães, muitos histéricos e à deriva nas contradições da vida coletiva, talvez precisem se perguntar se, algum dia, tiveram na vida ou sabem o que é livre arbítrio. Indagar se o que acreditam ser livre arbítrio foi desenvolvido a partir de escolhas pensadas ou se imposto como claustros camuflados de crenças e manipulações.

Minha curiosidade é saber se desligam a televisão na hora do Jornal Nacional. Ou se proíbem também seus filhos de participar de jogos de guerra em grupos com os adolescentes, cada um nas suas casas, conectados entre si operando controles e gadgets diante das telas.

E agora vêm falar que seus filhos não têm idade para ouvir (e viver) em sala de aula o tema da política? Alguma coisa muito séria e grave vem desandando o equipamento mental de pais e mães da nossa abatida e preocupada classe média. A julgar pelas histerias e falsos moralismos, determinados estratos desse segmento social têm encarado os assuntos públicos de forma trôpega e patética. Isso, certamente, por conta de certo sonambulismo que vê o mundo como labirinto incompreensível quando a vida transborda os limites da tela da televisão, dos grupos de whatsApp e das redes sociais.



(*) Jornalista, Mestre e Doutor em Ciências, Políticas Públicas, Estratégias e Desenvolvimento pela UFRJ, por onde também tem especialização em Análise de Políticas Públicas, além de MBA em Marketing pela Fundação Getúlio Vargas. Prestes a lançar agora em setembro seu quinto livro de poesia, "Estranho país que teus olhos já não procuram mais", pela 7Letras.

 

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