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Política - Geral

 

Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

Maconha: consumo para fins recreativos começa a partir deste mês - no Uruguai

Da Redação

Enquanto no Brasil, com a criminalização levada ao mais alto grau, a venda da maconha, mesmo para uso medicinal, é considerada crime hediondo, no nosso país vizinho, o Uruguai, a estratégia da descriminalização deu certo e começará, já a partir deste mês, a ser ampliada. Foi anunciado hoje, que o processo de venda começará a ocorrer em farmácia a partir da próxima quarta-feira. O órgão regulador, Instituto de Regulamento e Controle de Cannabis, garantirá o fornecimento atestando qualidade e quantidade.

A venda em farmácias é uma das vias de acesso legal à substância, que foi regularizada em dezembro de 2013, sob o governo de José Mujica.

O organismo apontou que, até o momento, são 16 as farmácias que aderiram e essa lista será divulgada no mesmo dia do início das vendas através do site do Ircca. "Serão vendidas flores de cannabis - bud - envasilhados em estado natural, secas, e sem ser prensada", detalhou a instituição.

Concretamente, serão vendidas duas variedades que foram denominada Alfa I e Beta I, com características diferentes.

A Alfa I será um "híbrido de predominância indica com um conteúdo de tetrahidrocannabinol (THC) médio-baixo e alto conteúdo de canabidiol", segundo o comunicado. No total, a Alfa I contará com uma média de 2% de THC.

Enquanto isso, a Beta I terá uma predominância de sativa, também com um conteúdo de THC médio-baixo e um alto conteúdo de canabidiol.

Segundo o Ircca, estas variedades com predominância de sativa contam com "efeitos psicoativos que se manifestam principalmente a nível cerebral".

O organismo informou que até 10 de julho de 2017 eram 4.711 as pessoas registradas para poder comprar maconha recreativa de forma legal e através de farmácias. Desse total, 60% residem em Montevidéu, enquanto os outros 40% correspondem aos outros 18 departamentos (províncias) do país.

"Por sua vez, 70% dos inscritos são homens e 30% mulheres", apontou a instituição.

A maior proporção de pessoas registradas no Ircca ronda entre os 30 e 44 anos. No entanto, também foram registradas pessoas maiores de 45 anos, ainda que em menor medida, que já correspondem a 3 de cada 10 inscritos. As pessoas registradas entre 18 e 29 anos são 3 de cada 10, detalhou o comunicado do Ircca.

Uma vez que comece a venda, as pessoas registradas poderão ter acesso à substância legal em farmácias sem a necessidade de revelar nenhum tipo de informação pessoal, já que poderão comprar através da impressão digital. Os dados das pessoas registradas estão guardados "sob os mais altos padrões de segurança informática", informou o Ircca.

A erva poderá ser adquirida nas farmácias em embalagens de 5 ou 10 gramas, ainda que na etapa inicial só será disponível o primeiro dos dois, a um custo aproximado de US$ 1,30 (cerca de R$ 6) o grama. Cada indivíduo poderá comprar um máximo de 10 gramas por semana e de 40 gramas por mês.

O preço é formado com US$ 0,90 por grama para a empresa produtora e, acima desse custo, a farmácia receberá 20% e o Ircaa 10%, que destinará a programas de prevenção do uso de drogas.

Com a implementação desta medida, o Uruguai completará a regulamentação da lei de produção, comercialização e distribuição de maconha que foi aprovada em dezembro de 2013.

Depois de três anos e meio de experiência, o Uruguai se transformará na primeira nação do mundo a regular do começo ao fim a venda de maconha para uso recreativo.

No Brasil



A venda e consumo de maconha e outras drogas representam a principal causa da morte de jovens, principalmente da população mais pobre, no Brasil. Apesar disso, os partidos de direita e a cultura policial abominam qualquer proposta de revisão na lei.

 

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