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Política - Brasil

 

Quinta-feira, 08 de Novembro de 2018

Requião ironiza Moro por "perdoar" Lorenzoni e propõe uma lei

Eu te perdoo por cometeres crime
Eu te perdoo por cometeres crime

Não estivesse o Brasil sob uma nuvem grossa de cinismo e favorecimentos o caso mereceria destaque até na Folha do Catumbi - como diria Waldemar Cabral. Mas como a nuvem só engrossa, só nos resta a ironia. Foi a que recorreu o senador não reeleito do Paraná, Roberto Requião (MDB). Ele se referiu a fala do juiz e futuro ministro da Justiça, Sérgio Moro, que se satisfez com o pedido de desculpas de um recebedor confesso de propina via caixa 2. Leia aqui.



Rede Brasil Atual

Para ironizar a "generosidade" de Sergio Moro, futuro ministro da Justiça do governo Bolsonaro, dedicada a Onyx Lorenzoni (DEM), por usa vez futuro chefe da Casa Civil, o senador Roberto Requião (MDB) elaborou um texto nos moldes de um projeto de lei, que "concede a juízes o poder de perdoar políticos que tenham se arrependido e feito 'pedido público de desculpas'" por seus crimes ou acusações.

A ironia feita por Requião, durante o plenário do Senado, nesta quarta-feira (7), é motivada pela declaração de Moro, que além de se declarar admirador de Lorenzoni, afirmou que o agora colega de governo "já admitiu o erro, pediu desculpas e tomou as providências necessárias para compensar pelo crime (de caixa 2)."

Em 2018, o deputado do DEM admitiu ter recebido R$ 100 mil não declarados da JBS para sua campanha em 2014. Por outro lado, segundo a delação da JBS, Onyx teria recebido R$ 200 mil em espécie, entregues pelo presidente da Associação Brasileira de Exportadores de Carne Bovina, Antônio Jorge Camardelli, em 12 de setembro de 2014.

A redação do projeto batizado de "Lei Onyx Lorenzoni" defende que o benefício de Moro deveria ser estendido a qualquer político que "demonstre arrependimento, confesse a prática do crime e apresente pedido público de perdão". "

"Eu não quero que isso venha a desestabilizar o futuro Governo do Bolsonaro. Então, eu pretendo regulamentar isso, introduzindo no Direito brasileiro", ironizou Requião.

Na justificativa, Requião sustenta que a Constituição Federal iguala a todos perante a lei. "Agora, nós precisamos estabelecer, com clareza, que os juízes, sem processo legal, sem incomodar o réu de forma processual, sem o levar à barra dos tribunais, possam estabelecer, com clareza, o perdão", disse.

Também em 2017, durante uma palestra para estudantes brasileiros na Universidade de Harvard, Moro classificou o desvio de dinheiro público para abastecer campanhas eleitorais como algo pior que o desvio de recursos para o enriquecimento ilícito. "Temos que falar a verdade, a Caixa 2 nas eleições é trapaça, é um crime contra a democracia", disse.

 

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