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Gastronomia - Comida de Rua

 

Terça-feira, 28 de Novembro de 2017

Olga de Mello e a feirinha de comilança dos refugiados no Brasil

Feirinha de comilança em prol dos refugiados que se abrigam no Brasil




Por Olga de Mello

Sábado de sol lindo na Província, uma monte de gente branquíssima se enfileirando para comprar comidas "exóticas" e beber cerveja artesanal. Fora o discurso sobre o aroma frutado e tom ácido da bebida, uma delícia, o chope bem carinho, mas palatável, assim como o lanchinho indiano, que dispensou a bula, porque a vendedora tinha mais do que 40 anos de idade. O chá da moda também só é vendido depois de muita informação sobre odores, sabores e efeitos colaterais benéficos para quem comprar uma garrafinha.


Tem artesanato boliviano confeccionado por nativos que vivem à beira da indigência em suas aldeias andinas. Uma bolsa coloridíssima sai por meros R$ 200. A pequenina, pouco maior que um moedeiro, a R$ 80. Duas coroas se sentam em um banco onde uma jovem mãe amamenta o filhinho. Uma delas amigas faz festa para a criança e fala com saudade da época maravilhosa, do laço entre bebê e mãe.

A jovem mãe não sorri. Parece dizer com o olhar sério que a maternidade é um ofício duro, sem alegrias, repleto de sacrifícios para o corpo que merecia descansar e não ter suas forças sugadas por aquele ser parasitário que ela cuida com desvelo, impedida de ingerir álcool ou desfrutar de prazeres garantidos a quem não tem compromisso com a criação de pessoas. Em frente aos bancos, um rapaz de coque ninja corta (mal, muito mal mesmo) cabeleiras de moças despenteadas. O resultado é ruim, mas combina com as roupas desbeiçadas, peles pálidas tatuadas.

Os velhos presentes comem muito. As crianças fazem cara feia para a comida, correm e não querem saber de recreadores que oferecem oficinas de desenho.
As amigas coroas gastaram, cada uma, em torno de 30 reais no lanchinho. Ficaram apenas nas iguarias árabes e indianas. Para experimentar os pratos argentinos, colombianos, nigerianos e peruanos, além de tudo quanto era pão, sorvete, café e docinhos brasileiros, teriam que gastar em torno de 90 reais por cabeça.

Como programa, perde para um dia de praia.

Como caridade, fica impossível para bolsos combalidos por tantas crises.
A causa é nobre, o dinheiro, infelizmente, curto. A pose, essa foi perdida junto com as ilusões.




* Olga de Mello é jornalista, cronista e crítica literária.

 

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