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Defesa do Consumidor

 

Quarta-feira, 09 de Setembro de 2015

Uma declaração de guerra contra a indiferença que nos envolve e deforma

Da Redação

Comodismo, medo, desilusão - qual a pior desculpa?
Comodismo, medo, desilusão - qual a pior desculpa?
O advogado Gustavo Henrique Freire Barbosa, membro da Comissão de Estudos Constitucionais da OAB e da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares, faz uma profunda análise sobre o descaso e a passividade que parecem se expandir em nossa sociedade. Sentimentos e posturas que, segundo ele, são o oposto do amor. Patologias humanas que muitas vezes se camuflam, mas que andam de braços dados com o preconceito e o ódio.

Leia o artigo "A indiferença não é obra da fatalidade", em que o autor mistura citações diversas para pintar um retrato preocupante do Brasil: "Quem vive verdadeiramente não pode deixar de ser cidadão, e de tomar partido. Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. Por isso, odeio os indiferentes" - leia:

A indiferença não é obra da fatalidade

Por Gustavo Freire Barbosa, no site Justificando

Em "O Arquipélago", definitiva obra da trilogia clássica "O Tempo e o Vento", de Érico Veríssimo, o autor lança luzes sobre o tênue binarismo existente entre o amor e o ódio, afirmando que, ao invés deste, é a indiferença que estaria em franca oposição àquele. Tendo o amor como referência, não existiria um "preto no branco", mas um degradê que, escalonado, situa o ódio em suas cores intermediárias, expressão menos intensa do mosaico interposto entre o amor e sua verdadeira face oposta, qual seja, a da própria indiferença.

Martha Medeiros, escritora e gaúcha assim como Veríssimo, também evidenciou essa realidade em seus versos, concluindo que o ódio, se tivesse uma cor, seria vermelho, tal qual o amor, enquanto a indiferença seria cor da água, cor do ar, cor de nada: "o amor e o ódio habitam o mesmo universo, enquanto que a indiferença é um exílio no deserto".

Não por menos, Antonio Gramsci, no artigo La Cittá Futura, publicado em 1917, declarou guerra à indiferença: "odeio os indiferentes", afirmou, concluindo que "quem vive verdadeiramente não pode deixar de ser cidadão, e de tomar partido. Indiferença é abulia, é parasitismo, é covardia, não é vida. Por isso, odeio os indiferentes". Ao retirar a noção de indiferença de sua mais comum representação enquanto sentimento limitado à esfera particular, inserindo-a na arena das disputas políticas da sociedade, Gramsci revela a indissociável presença de seu conteúdo ideológico, eminentemente voltado à neutralidade, essa coisa impossível, acinzentada e insossa, segundo Paulo Freire.

A caminho da desumanização
A caminho da desumanização  


















A quebra do olhar matemático sob as abstratas contraposições entre o amor e o ódio nos leva à compreensão de que o antagonismo - substanciado, a depender das referências ideológicas, na defesa de cosmovisões que contemplam a manutenção de obscenidades superestruturais encaradas com a mais prosaica naturalidade, alimentando e legitimando uma ordem que se fundamenta na igualdade meramente formal e nas injustiças dela decorrentes - teria a pedagógica utilidade de (re)acender o que Paulo Freire denomina de "justa raiva", na esteira da consolidação e descoberta de nossas escolhas diante das representações do mundo que desvelam diante de nós.

Assim, é pertinente observar que, atrelada ao despertar da autoconsciência transformadora, é da contumácia com que teorias reacionárias ausentes de alicerces históricos logram êxito em granjear corações incautos, elevando-se à condição de lei natural, que se extrai parte da matéria-prima que guarnece a luta contra-hegemônica em face das invisibilizadas iniquidades cotidianas banalizadas pela "ordem natural das coisas", revelando a desumanização escondida e legitimada, sobretudo, sob o véu da indiferença.

A cumplicidade da mídia e da política

A legitimação ideológica das bases estruturais de todo esse sistema se expressa no próprio dia a dia das relações comuns, restando identificar quem são os arautos desse pensamento unidimensional ainda mais pujante após a queda do Muro de Berlim. Sem negligenciar o papel colonizador do mercado financeiro internacional e de todas as estruturas locais que lhe dão suporte, é um equívoco concentrar tal responsabilidade nas ungidas entidades supranacionais que, a exemplo do FMI e da Comissão Europeia, sangram a soberania de nações ao impor-lhes as homicidas regras das cartilhas da austeridade. Enganamo-nos mais ainda quando também nos atemos tão somente aos porta-vozes da mídia comercial oligopolista, expressa vedação constitucional (artigo 220, §5º), ou até mesmo nos parlamentares que, financiados por grandes conglomerados empresariais, encampam com fidelidade canina seus interesses tanto dentro quanto fora do Congresso Nacional. Embora se tratem de peças essenciais para a reprodução e consolidação dos valores hegemônicos encerrados pelo capitalismo, procura-se aqui abordar a ponta da lança de seus efeitos.

Isolamento e perda de sentido existencial
Isolamento e perda de sentido existencial  
Como observado, a base da aludida legitimação se encontra no discurso reproduzido no nosso dia a dia, nas mais simplórias situações cotidianas, familiares, afetivas, casuais e profissionais. Vemos surgir a face que sustenta a opressão nos comentários que ouvimos na fila do banco, em jantares de família ou em conversas casuais no trabalho. Trata-se, segundo Foucault, da efetiva concretização da dominação, manifestada em suas extremidades, em suas últimas ramificações, onde se torna capilar, local e regional e onde o exercício do poder é cada vez menos jurídico e mais cultural e disciplinar. Nesse sentido, a indiferença e a neutralidade, faces da mesma moeda, ganham relevo enquanto expressão do conservadorismo, ainda que inutilmente procurem de forma frequente se esconder no discurso moderado, de centro, rechaçando a "radicalidade" e a "polarização" com o objetivo de se apresentar como discurso racional e sensato em tempos de acirramento.

A apatia dos "sensatos", a desilusão, o pessimismo e todo o tédio das lamúrias dos eternos inocentes que carregam consigo a indiferença, voltando às palavras de Gramsci, ladeia o discurso ativo de defesa dos valores hegemônicos, cegando-lhes para o fato de que, na cadeia social, nada que se sucede se deve ao acaso e à fatalidade, mas à obra inteligente dos cidadãos e cidadãs[1] ou, segundo Marx e Engels, ao produto das relações históricas de produção e das lutas geracionais com o passar dos séculos.

É exatamente nessa apatia pessimista que floresce a indiferença em seus efeitos reais e concretos sobre a inquietude contestadora e o ímpeto diletante pela busca de um mundo fundado em valores contrários à lógica anti-humanitária imposta pelo modo de produção capitalista. Com razão, o próprio Gramsci - ainda no artigo mencionado no início - classificou a indiferença como o peso morto da história, "âncora que paralisa o inovador, a matéria inerte onde se afogam frequentemente os mais esplêndidos entusiasmos, o pântano que circunda a velha cidade e a defende melhor do que as mais sólidas muralhas, melhor que o peito dos seus guerreiros, já que traga em suas areias movediças os que a combatem e os dizima, os desencoraja e, muitas vezes, os faz desistir do empreendimento heroico".

Para onde vamos?
Para onde vamos?  
A recente e comovente imagem do cadáver de Aylan Kurdi, criança síria afogada em uma praia turca, chamou a atenção também para os valores por trás do drama dos refugiados que, desesperados, submetem-se aos maiores riscos e insalubridades para aportar no continente europeu. O azar de Aylan foi o de ser gente, nascido de um útero e não das minas de diamante da África ou dos poços de hidrocarbonetos do Oriente Médio, mercadorias que, com maior facilidade que qualquer ser humano, não veem obstáculos legais, morais e alfandegários para adentrar na Europa e saciar sua secular, insaciável e predatória rapinagem neocolonialista, hoje sob as cínicas vestes da globalização. Eis o verdadeiro e desnudo legado do livre mercado globalizado, chancelado, sempre, pelo comodismo da indiferença.

* Gustavo Henrique Freire Barbosa é advogado, membro da Comissão de Estudos Constitucionais da OAB/RN, membro da Rede Nacional de Advogadas e Advogados Populares (RENAP), integrante do Instituto de Pesquisa e Estudos em Justiça e Cidadania (IPEJUC), mestrando em Constituição e Garantia de Direitos pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).

REFERÊNCIAS

[1] "Tomo partido, vivo, sinto que já pulsa nas consciências viris do meu partido a atividade da cidade futura que estamos construindo. E, nela, a cadeia social não pesa apenas sobre poucos; nela, nada que sucede se deve ao acaso, à fatalidade, mas é obra inteligente dos cidadãos. Não há nela ninguém que fique olhando pela janela enquanto poucos se sacrificam, consumindo-se no sacrifício; ninguém que fique à janela, escondido, querendo usufruir um pouco do bem que a atividade de poucos cria e que manifeste sua desilusão ofendendo o sacrificado, o que se consumiu, por que este não teve êxito em sua tentativa. Vivo, tomo partido. Por isso, odeio quem não se compromete, odeio os indiferentes".

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