Da falta de luz em SP ao ano mais quente em 125 mil anos

Autores: Giovana Girardi.

Da falta de luz em SP ao ano mais quente

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Boa parte do noticiário na última semana se concentrou no caos que se estabeleceu em alguns bairros de São Paulo em decorrência da tempestade com vendaval na sexta passada (3), que deixou milhares de paulistas sem luz – da periferia à classe média alta. 

Minha ideia era discutir o nosso total despreparo para lidar com um cenário que vai ser cada vez mais comum. Da prefeitura de Ricardo Nunes (MDB) à Enel, a concessionária de energia da região metropolitana, ninguém está se programando para lidar com os eventos extremos. E na hora em que eles ocorrem – e eles ocorrem com uma frequência cada vez maior – dá-lhe culpar o vento, as árvores, mas não a própria administração.

Mas a semana veio recheada de uma série de outros eventos e divulgação de dados que revelam, muito além do umbigo de São Paulo, o tamanho do enrosco em que estamos, como humanidade, metidos. Tudo conectado, uma coisa interferindo na outra.

Resolvi escrever este texto num formato um pouco diferente, em tópicos, em uma tentativa de oferecer um panorama mais claro do que está acontecendo. Certamente deixei outras tantas coisas importantes de fora, mas fica a tentativa de resumir, em “bullets”, um mundo em plena transformação. Vamos a eles:  

  • 3/11: Uma tempestade com ventos fortes, de 100 km/h, derrubou centenas de árvores, danificou a rede elétrica, e milhares de pessoas em São Paulo ficaram sem luz. Muitos passaram o fim de semana inteiro no escuro. Lá em casa foram 43 horas assim. Nesta quarta (8) à noite, 120 horas após o temporal, ainda havia cerca de 30 mil clientes sem energia na região metropolitana;
  • 6/11: A cidade de Manaus, que vem sofrendo já há alguns meses com as intensas queimadas que ocorrem no estado e também no Pará em decorrência de uma seca extrema, teve um pico de fumaça. A ponto de os satélites não conseguirem distinguir o que era nuvem do que era fumaça;
  • 8/11: Nota técnica divulgada pelo Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) revela que o combinado entre o El Niño e as altas temperaturas do oceano Atlântico já está refletindo em uma piora da seca do Nordeste. No mês de outubro, o interior da região semiárida, em especial na fronteira agrícola conhecida como Matopiba e no sul da Bahia, registrou o maior número de dias consecutivos sem chuvas para o período. O grande agronegócio e a agricultura familiar já são impactados;
  • 8/11: A Organização Meteorológica Mundial informou que outubro foi mais um mês de recorde de temperaturas, “continuando uma série prolongada de temperaturas extraordinárias da superfície terrestre e oceânica e baixo gelo marinho”. O Copernicus, o serviço climático europeu, revelou que de janeiro a outubro a temperatura média do planeta foi a mais alta do registro histórico, 1,43ºC acima da média observada no planeta no período pré-industrial, entre 1850 e 1900. A temperatura média nesses dez meses já ficou 0,1ºC acima do mesmo período de 2016, que era o ano mais quente até agora. A expectativa dos pesquisadores europeus é que 2023 seja não apenas o ano mais quente desde o início das medições, mas o mais quente em 125 mil anos, de acordo com análises paleoclimatológicas;
  • 9/11: Uma outra análise de temperatura, dessa vez do Climate Central – um grupo internacional de cientistas do clima que investiga quanto é possível atribuir às mudanças climáticas os eventos extremos que o mundo está testemunhando –, apontou que nos últimos 12 meses (de novembro de 2022 a outubro deste ano) 5,8 bilhões de pessoas (73% da população do planeta) foram expostas a um mínimo de 30 dias sob temperaturas acima da média, que se tornaram pelo menos três vezes mais prováveis pela influência da mudança climática. Essa exposição incluiu quase todos os residentes do Brasil;
  • Por outro lado, nossa capacidade (por nossa quero dizer mundial) de nos adaptar ao que já estamos enfrentando está muito aquém da necessária. O Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma) estimou um déficit de até US$ 366 bilhões por ano nos investimentos em adaptação. Esse quadro, somado a um planejamento inadequado, deixa o mundo exposto, aponta o levantamento divulgado no último dia 2;
  • E, se falta dinheiro para adaptação, sobra para os combustíveis fósseis. Outro relatório do Pnuma divulgado nesta quinta (8) calculou que o planejamento de produção de petróleo, carvão e gás até 2030 não bate – nem de longe – com o que precisa ser feito para conter o aquecimento global. É 110% maior do que seria o compatível para segurar a elevação da temperatura em 1,5ºC, que é o objetivo do Acordo de Paris; 
  • E vem mais calor por aí. Lembra aquela semaninha do capeta entre o fim de setembro e o começo de outubro? Os serviços meteorológicos do Brasil estão prevendo uma nova onda de calor que pode ser ainda pior, com temperaturas batendo os 40ºC em vários cantos do país. Já são quatro meses: julho, agosto, setembro e outubro que tivemos recorde de temperatura no Brasil. O El Niño ainda está se intensificando e deve continuar atuando até abril do ano que vem. E o aquecimento do planeta… bem, nem preciso dizer, né?

Fonte: Via apublica.org

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