Rainha da Holanda conhece em Brasília programa de educação financeira

BC estimula inclusão bancária entre alunos do ensino fundamental

A rainha da Holanda, Máxima Zorreguieta Cerruti, encontrou-se, nesta quarta-feira (7), com estudantes do 5º ano do ensino fundamental e professores de uma escola pública, que participam, desde 2020, do Aprender Valor, programa de educação financeira do Banco Central (BC). ebcebc

Brasília, DF 07/06/ 2023 A rainha dos Países Baixos, Máxima Zorreguieta, na qualidade de Assessora Especial do Secretário-Geral das Nações Unidas para o Financiamento Inclusivo para o Desenvolvimento (UNSGSA), visita, acompanhada do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, a Escola Classe 312 norte. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Ao  lado  do dpresidente  do  Banco  Central,  Roberto  Campos  Neto  (D),  a  rainha  da  Holanda,  Máxima  (3ª E/D),  conversa  com  aluno  do  ensino  fundamental  de  uma  escola  de  Brasília  –  Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência  Brasil

No pátio da escola, a rainha ouviu depoimentos de crianças sobre como elas e a família gastam e poupam recursos, com base no que aprenderam em sala de aula. Máxima participou também de uma sessão de perguntas e respostas, em que os estudantes questionaram como a educação financeira pode protegê-los contra dificuldades e possibilitar investimentos no futuro. 

Em resposta, a rainha falou sobre o papel dos estudantes como agentes multiplicadores de conhecimentos sobre finanças. Ela destacou que o dinheiro poupado permite realizar desejos de compras, ter crédito e oferece segurança, em caso de imprevistos.

“O maior desafio de todos é convencer vocês, que são o futuro, a ter essa inclusão financeira e poupar. Porque, quando você tem a inclusão financeira, as compras acabam sendo fáceis. Mas é muito importante você guardar dinheiro para o futuro para poder, realmente, seguir os sonhos no longo prazo”, disse Máxima.

Desde 2009, a rainha é assessora especial da Secretaria-Geral das Nações Unidas (ONU) para o Financiamento Inclusivo para o Desenvolvimento, por meio da educação, e a democratização bancária para melhorar a vida das pessoas. Máxima, que está no Brasil pela segunda vez, já visitou representantes de fintechs (empresas que introduzem inovações tecnológicas nos mercados financeiros), pequenos empreendimentos comerciais. Ontem (6) ela foi recebida pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

Aprender Valor

Em 2020, o Aprender Valor começou como projeto piloto em seis estados e em menos de 500 escolas convidadas. Atualmente, participam do programa quase 23 mil escolas, distribuídas em mais de 3 mil municípios de todos os estados, mais o Distrito Federal. São escolas públicas rurais, urbanas, indígenas e quilombolas. 

O presidente do BC, Roberto Campos Neto, acompanhou a visita da rainha à escola de Brasília. Campos Neto detalhou como o Aprender Valor vem sendo aplicado. “Buscamos estimular crianças e jovens a refletir sobre suas prioridades e planejar seu futuro, no curto, médio e longo prazos, além de tomar decisões conscientes, compreendendo os benefícios do hábito de poupar e os prós e contras do uso do crédito.”

Escolas da rede municipal e estadual de ensino que desejam aderir ao programa podem consultar online os procedimentos para cadastro na plataforma digital.

Democratização bancária

Na manhã de hoje, a rainha da Holanda participou também de reuniões na sede do Banco Central, em Brasília, para conhecer outras iniciativas brasileiras de inclusão financeira, como o sistema de pagamentos instantâneos PIX e o open finance (compartilhamento autorizado de dados entre instituições financeiras).

Brasileiros

Dados do World Bank Findex Reports 2021 sobre o Brasil, divulgados pela Secretaria-Geral de Financiamento Inclusivo para o Desenvolvimento/ONU mostraram que, em 2021, 84% dos adultos tinham conta bancária. Se se separar por gênero, naquele ano, 87% dos homens e 81% das mulheres tinham conta bancária no Brasil.

Entre os adultos, 46,2% tinham poupança. Destes, 25,4% mantinham poupança por meio de conta formal e 6,2% usaram uma modalidade semiformal, como grupos de poupança ou conta de pessoa de fora da família.

Fora do sistema bancário, havia 27 milhões de adultos e 58,8% relataram pedir empréstimos. Destes, 41,3% fizeram empréstimos formalmente e 24,7% pediram dinheiro emprestado a familiares ou amigos.

O uso de meios digitais de pagamento aumentou para 76,5% dos adultos em 2021 – em 2017, o total era de 57,9%.

As contas em plataformas de dinheiro móvel (mobile money) saltaram de 4,8% (2017) para 27% em 2021. Em geral, os usuários de tais contas têm acesso a celular, mas não têm conta bancária; 

Outra pesquisa apresentada pela secretaria da ONU foi sobre o Índice de Saúde Financeira do Brasileiro (I-SFB – 2022), elaborada pela Federação Brasileira de Bancos (Febraban), com apoio técnico do BC, que indicou nível relativamente baixo de saúde financeira dos brasileiros, o que sugere que os adultos costumam ter problemas para administrar as despesas do dia a dia; não conseguem poupar para metas de longo prazo; têm resiliência financeira limitada e que falta confiança financeira com relação ao futuro. 

A pesquisa da Febraban mostra que, em 2022, 34,2% dos entrevistados gastavam mais do que ganhavam; apenas 19,8% conseguiriam arcar uma despesa grande e inesperada; e 56,4% afirmaram que as finanças são motivos de estresse na vida familiar.

Recomendações

Diante de tais dados, a secretaria da ONU propõe que gestores públicos formulem políticas que priorizem a saúde financeira nacional; provedores de serviços financeiros incentivem inovações para melhorar a saúde monetária dos clientes, detectar sinais de alerta e oferecer apoio aos clientes ante desafios relacionados a dinheiro e promovam a concorrência e a inovação para um ecossistema financeiro digital responsável e uma infraestrutura que beneficie a todos, com aumento do alcance e qualidade dos serviços financeiros. 

Rainha da Holanda conhece em Brasília programa de educação financeira
© Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

Fonte: Agência Brasil

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