Gol é liberdade, diz Germán Cano, o artilheiro do Brasil

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – Com o filho Lorenzo, 4, no colo, Germán Cano, 35, não pensa duas vezes. O argentino, artilheiro do Brasil em 2023, sabe explicar qual é a sensação de fazer um gol.

É um sentimento de liberdade.

“Quando vejo a bola lá dentro, é lindo. É diferente de tudo. São várias sensações em contraste, mas é uma liberação, o sentimento de liberdade”, diz Cano.

São 24 anotados nesta temporada, dois deles no Campeonato Brasileiro. O número pode aumentar neste sábado (20), quando o Fluminense enfrenta o líder Botafogo. A equipe do atacante pode assumir a ponta em caso de vitória, a depender do resultado do Palmeiras, que visita o Santos na Vila Belmiro.

O preço da liberdade, para Cano, é a paciência. Foi assim durante toda sua carreira. Ele precisa esperar o momento, em campo, para aproveitar as chances -e estas podem ser escassas. Teve de aguardar a oportunidade, que não veio, no Lanús, seu time do coração. Quando era garoto, foi profissionalizado no clube da periferia de Buenos Aires, mas não obteve espaço em elenco que tinha duas lendas da agremiação: Lautaro Acosta e José Sand.

Paciência foi necessária quando sofreu grave lesão no joelho no México. Foram longos nove meses de espera para voltar aos gramados. Ou no tempo necessário para conseguir mostrar o que podia no Independiente Medellín-COL.

Como tudo tem a sua recompensa, quando a explosão dos gols veio, Germán Cano estava pronto.

“Sou um cara assim, tranquilo. As coisas acontecem quando têm de acontecer. Eu tenho uma carreira muito longa, mas sempre fiquei tranquilo. Deixei as que as coisas acontecessem para mim e soube desfrutar disso. Se você está bem de cabeça e trabalha, tudo vem. Ter paciência é fundamental. Meu momento chegou na hora certa. Eu acho que a paciência é algo fundamental para cada jogador”, analisa.

O argentino jamais tinha escutado a frase de Dadá Maravilha, de que o artilheiro não é exatamente um jogador de futebol. É um artilheiro. Tal qual goleiro, trata-se de ofício à parte em um time.

“Eu concordo com isso. Estou vivendo um momento lindo da minha carreira.”

O Fluminense já conquistou o Campeonato Carioca deste ano, aparece como uma das melhores equipes do país, na briga pelo Brasileiro e disputa a Libertadores, onde fez 5 a 1 no River Plate do Maracanã, com gols de Cano. Resultado que causou espanto na imprensa argentina e chamou ainda mais a atenção para o artilheiro que, goleador depois da partida, disse que seu time havia dado uma “cátedra” de futebol.

“Acho que todos entenderam o que eu quis dizer”, desconversa, para não fomentar polêmica.

Cano é peça-chave para o elenco que apresenta o futebol mais bonito no Brasil hoje em dia, onde Fernando Diniz conquistou seu primeiro título de expressão como técnico e aparece como alternativa para a seleção, caso o italiano Carlo Ancelotti continue a engabelar a CBF. Cano o chama de “diferenciado”, capaz de tirar dos atletas o que outros não conseguem em nome da unidade da equipe, na filosofia do todos atacam e todos defendem.

Quando cita paciência, Cano quer dizer também ser feliz com o que conseguiu. Não está mais em sua cabeça objetivos que são sonhos dourados dos jogadores. Foram os seus também, um dia. Jogar na Europa, defender a seleção, estar em uma Copa do Mundo.

Nesta última, pelo menos, ele marcou presença, mas como torcedor. Com a família, Cano passou um mês no Qatar e viu de perto Lionel Messi levar a Argentina ao título em 2022.

“É algo que vai ficar para sempre no meu coração. Foi uma experiência linda, Ficava com ganas de entrar em campo. Foi algo inexplicável. Esta foi minha primeira Copa do Mundo. Sempre pensei assistir uma, mas nunca consegui”, lembra, citando que ficava na expectativa se a seleção passaria de fase, para esticar a hospedagem e arrumar ingressos. Enquanto a Argentina estivesse viva no torneio, ele ficaria. Foi até o fim.

Ele dá de ombros sobre não ter atuado em um clube europeu.

“Eu olho para frente, não para trás”, resume.

A experiência lhe trouxe outros interesses. Começou a jogar golfe (mais um esporte em que é preciso paciência) e fez curso de sommelier. Na adega de sua casa tem vinhos argentinos e brasileiros, do Rio Grande do Sul.

São passatempos. Seu ofício continua o mesmo que faz a torcida do Fluminense vibrar e Lorenzo comemorar na arquibancada do Maracanã ao ver o pai fazer o L, inicial do filho, com polegar e indicador.

“Germán faz as coisas como se trabalhasse em um escritório: venho aqui para fazer gols e gols é o que vou fazer”, definiu Octavio Zambrano, técnico de Cano no Indepediente Medellín em 2018, em entrevista à Folha em 2020.

O argentino artilheiro do Brasil escuta a definição do seu antigo técnico com atenção. Balança a cabeça a concordar.

“Acho que Zambrano definiu bem. Dou tudo de mim em campo. A definição dele é muito boa”, finaliza.

Autor(es): ALEX SABINO / FOLHAPRESS

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