Hipertensão (pressão alta)

A hipertensão arterial ou pressão alta é uma doença crônica caracterizada pelos níveis elevados da pressão sanguínea nas artérias. Ela acontece quando os valores das pressões máxima e mínima são iguais ou ultrapassam os 140/90 mmHg (ou 14 por 9). A pressão alta faz com que o coração tenha que exercer um esforço maior do que o normal para fazer com que o sangue seja distribuído corretamente no corpo.  A pressão alta é um dos principais fatores de risco para a ocorrência de acidente vascular cerebral, enfarte, aneurisma arterial e insuficiência renal e cardíaca. 

O problema é herdado dos pais em 90% dos casos, mas há vários fatores que influenciam nos níveis de pressão arterial, como os hábitos de vida do indivíduo.

No Brasil, 388 pessoas morrem por dia por hipertensão.

Causas

Essa doença é herdada dos pais em 90% dos casos, mas há vários fatores que influenciam nos níveis de pressão arterial, entre eles:

  • Fumo;
  • Consumo de bebidas alcoólicas;
  • Obesidade;
  • Estresse;
  • Elevado consumo de sal;
  • Níveis altos de colesterol;
  • Falta de atividade física.

Além desses fatores de risco, sabe-se que a incidência da pressão alta é maior na raça negra, em diabéticos, e aumenta com a idade.

Sintomas

Os sintomas da hipertensão costumam aparecer somente quando a pressão sobe muito: podem ocorrer dores no peito, dor de cabeça, tonturas, zumbido no ouvido, fraqueza, visão embaçada e sangramento nasal.

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Diagnóstico

Medir a pressão regularmente é a única maneira de diagnosticar a hipertensão. Pessoas acima de 20 anos de idade devem medir a pressão ao menos uma vez por ano. Se houver casos de pessoas com pressão alta na família, deve-se medir no mínimo duas vezes por ano.

Profissionais de saúde

Atenção Especializada

O cuidado ao indivíduo portador de pressão alta, com exames e procedimentos mais complexos a complicações provenientes dessa doença, é realizado no âmbito da média e alta complexidade do SUS. Estes indivíduos deverão ser encaminhados para pontos de atenção de densidade tecnológica equivalente e com equipes de saúde preparadas para a abordagem. Os métodos diagnósticos e terapêuticos para os quais há evidências de eficácia e segurança são ofertados pelos SUS, mediante organização da rede pelo gestor local e financiamento via teto de Média e Alta Complexidade, e estão disponíveis no Sistema de Gerenciamento da Tabela de Procedimentos, Medicamentos e Procedimentos e OPM do SUS (SIGTAP).

Protocolos e Diretrizes Terapêuticas

Além disso, as complicações provenientes da pressão alta, como Infarto Agudo do Miocárdio e Acidente Vascular Cerebral, possuem Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que são documentos que estabelecem critérios para o diagnóstico da doença ou do agravo à saúde; o tratamento preconizado, com os medicamentos e demais produtos apropriados, quando couber; as posologias recomendadas; os mecanismos de controle clínico; e o acompanhamento e a verificação dos resultados terapêuticos, a serem seguidos pelos gestores do SUS. Estes são baseados em evidência científica e leva em consideração critérios de eficácia, segurança, efetividade e custo-efetividade das tecnologias recomendadas.

Prevenção

Além dos medicamentos disponíveis atualmente, é imprescindível adotar um estilo de vida saudável:

  • Manter o peso adequado, se necessário, mudando hábitos alimentares;
  • Não abusar do sal, utilizando outros temperos que ressaltam o sabor dos alimentos;
  • Praticar atividade física regular;
  • Aproveitar momentos de lazer;
  • Abandonar o fumo;
  • Moderar o consumo de álcool;
  • Evitar alimentos gordurosos;
  • Controlar o diabetes.

Alimentação saudável

Uma alimentação equilibrada é uma das formas de controle da hipertensão arterial. Para ajudar no dia a dia da alimentação do brasileiro foi lançado em 2014, o Guia Alimentar para a População Brasileira. A publicação relata os cuidados e caminhos para alcançar uma alimentação saudável, saborosa e balanceada.

Para complementar o Guia, em 2015, foi lançada a publicação Alimentos Regionais Brasileiros que divulga a variedade de alimentos no país e orienta as práticas culinárias, estimulando a valorização da cultura alimentar brasileira. Sobre o assunto, foi lançado também o Plano Nacional de Redução de Sódio em Alimentos Processados que tem a meta de tirar 28.562 toneladas de sódio dos alimentos processados até 2020. Até agora, mais de 14 mil toneladas de alimentos já foram retiradas.

hipertensão

Plataforma Saúde Brasil

Com o objetivo de aproximar a população de informações especializadas sobre promoção à saúde, o Ministério da Saúde, lançou, em junho de 2017, a Plataforma Saúde Brasil. A ferramenta na internet faz parte de uma campanha que visa divulgar informações para a população brasileira sobre a adoção de práticas para a promoção da saúde. Todos os conteúdos e serviços estão baseados em quatro pilares: EU QUERO Parar de fumarEU QUERO Ter peso saudávelEU QUERO Me alimentar melhor; e EU QUERO Me Exercitar.

Tratamento

A pressão alta não tem cura, mas tem tratamento e pode ser controlada. Somente o médico poderá determinar o melhor método para cada paciente.

O Sistema Único de Saúde (SUS) oferece gratuitamente medicamentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBS) e pelo programa Farmácia Popular. Para retirar os remédios, basta apresentar um documento de identidade com foto, CPF e receita médica dentro do prazo de validade, que são 120 dias. A receita pode ser emitida tanto por um profissional do SUS quanto por um médico que atende em hospitais ou clínicas privadas. 

Medicamentos ofertados gratuitamente no SUS para hipertensão
Medicamentos que atuam sobre o sistema cardiovascular e renal
16.5 Medicamentos anti-hipertensivos
Denominação genéricaConcentração / ComposiçãoForma Farmacêutica/ DescriçãoStatus
Ambrisentana5 mgComprimido
Ambrisentana10 mgComprimido
Bosentana62,5 mgComprimido
Bosentana125 mgComprimido
Brinzolamida10 mg/mLSuspensão oftálmica (frasco com 5 mL)
Nitroprusseto de sódio50 mgPó para solução injetávelNova inclusão em 2018
16.5.1 Diuréticos
Denominação genéricaConcentração / ComposiçãoForma Farmacêutica/ DescriçãoStatus
Espironolactona25 mgComprimido
Espironolactona100 mgComprimido
Furosemida40 mgComprimido
Furosemida10 mg/mLSolução injetável
Hidroclorotiazida12,5 mgComprimido
Hidroclorotiazida25 mgComprimido
16.5.2 Bloqueadores adrenérgicos
Denominação genéricaConcentração / ComposiçãoForma Farmacêutica/ DescriçãoStatus
Atenolol25 mgComprimidoNova inclusão em 2018
Atenolol50 mgComprimido
Atenolol100 mgComprimido
Cloridrato de propranolol10 mgComprimido
Cloridrato de propranolol40 mgComprimido
Cloridrato de propranolol10 mg/mLSolução injetávelNova inclusão em 2018
Mesilato de doxazosina2 mgComprimido
Mesilato de doxazosina4 mgComprimido
Metildopa250 mgComprimido
Succinato de metoprolol25 mgComprimido de liberação prolongada
Succinato de metoprolol50 mgComprimido de liberação prolongada
Succinato de metoprolol100 mgComprimido de liberação prolongada
Tartarato de metoprolol100 mgComprimido
16.5.3 Bloqueador de canais de cálcio
Denominação genéricaConcentração / ComposiçãoForma Farmacêutica/ DescriçãoStatus
Cloridrato de verapamil2,5 mg/mLSolução injetável
Cloridrato de verapamil80 mgComprimido
Cloridrato de verapamil120 mgComprimido
Anlodipino5 mgComprimido
Anlodipino10 mgComprimido
Nifedipino10 mgComprimido
Nifedipino10 mgCápsula
16.5.4 Vasodilatadores diretos
Denominação genéricaConcentração / ComposiçãoForma Farmacêutica/ DescriçãoStatus
Cloridrato de hidralazina20 mg/mLSolução injetávelNova inclusão em 2018
Cloridrato de hidralazina25 mgComprimido
Cloridrato de hidralazina50 mgComprimido
Nitroprusseto de sódio50 mgPó para solução injetávelNova inclusão em 2018
16.5.5 Inibidores da enzima conversora da angiotensina
Denominação genéricaConcentração / ComposiçãoForma Farmacêutica/ DescriçãoStatus
Captopril25 mgComprimido
Maleato de enalapril5 mgComprimido
Maleato de enalapril10 mgComprimido
Maleato de enalapril20 mgComprimido
16.5.6 Antagonistas de receptores de angiotensina
Denominação genéricaConcentração / ComposiçãoForma Farmacêutica/ DescriçãoStatus
Losartana potássica50 mgComprimido
Medicamentos do farmácia popular para o tratamento de hipertensão arterial
Medicamento / CorrelatoApresentaçãoUnidade de cadastro
Atenolol25mg/comp.Comprimido
Captopril25mg/comp. sulcadoComprimido
Enalapril10mg/comp.Comprimido
Hidroclorotiazida25mg/comp.Comprimido
Losartana50mg/comp.Comprimido
Propranolol (Cloridrato)40mg/comp.Comprimido

Estatísticas

pressão alta

Dados de prevalência sobre pressão alta

De acordo com o Sistema de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (VIGITEL) de 2017, a prevalência de hipertensão autorreferida passou de 22,6% em 2006 para 24,3% em 2017. A pressão alta tende a aumentar com a idade, chegando, em 2017, a 60,9% entre os adultos com 65 anos e mais; e foi menor entre aqueles com maior escolaridade, com 14,8% entre aqueles com 12 anos ou mais de estudo.

De acordo com o estudo, as mulheres ainda continuam com maior prevalência de diagnóstico médico de hipertensão arterial quando comparado aos homens, tendo registrado 26,4% contra 21,7% para eles. Em 2017, as capitais com maior prevalência entre as mulheres foram Rio de Janeiro (34,7%) e Recife (30,0), e entre os homens, foram Maceió (26,3%) e Natal (26,2%). Para o total, o Rio de Janeiro (RJ) se manteve pelo segundo ano consecutivo como a capital brasileira com o maior percentual de hipertensos.

Atendimento do SUS

Em 2016, foram registrados 983.256 procedimentos de internação e ambulatorial no Sistema Único de Saúde (SUS), gerando custo de R$ 61,2 milhões.

FrequênciaValor
Internações (SIH)83.688R$ 37.416.706,61
Atendimento Ambulatorial (SAI)899.568R$ 23.839.365,70
TOTAL983.256R$ 61.256.072,31

Fonte: DATASUS, em 20/04/2018, referente ao ano de 2016.

Mortalidade por hipertensão

Ano do óbitoMasculinoFemininoTotal
200617.16419.54336.707
200718.46820.85939.327
200820.30322.72443.027
200921.08223.18044.262
201021.19023.86245.052
201121.69924.96746.666
201221.21224.08545.297
201322.03124.79646.827
201421.38224.38645.768
201521.89325.38747.280
201623.52926.10649.635
Total229.953259.895489.848

Pressão alta na gravidez

As alterações hipertensivas da gestação estão associadas a complicações graves fetais e maternas e a um risco maior de mortalidade materna e perinatal. Nos países em desenvolvimento, a hipertensão gestacional é a principal causa de mortalidade materna, sendo responsável por um grande número de internações em centros de tratamento intensivo.

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Prevenção

Em mulheres com pressão alta, a avaliação pré-concepcional permite a exclusão de hipertensão arterial secundária, aferição dos níveis pressóricos, discussão dos riscos de pré-eclâmpsia e orientações sobre necessidade de mudanças de medicações no primeiro trimestre de gravidez.

Mulheres com hipertensão dentro da meta pressórica e com acompanhamento regular geralmente apresentam um desfecho favorável. Por outro lado, mulheres com controle pressórico insatisfatório no primeiro trimestre de gravidez têm um risco consideravelmente maior de morbimortalidade materna e fetal (JAMES; NELSON-PIERCY et al., 2004).

Tratamento

O tratamento da pressão alta leve na grávida deve ser focado em medidas não farmacológicas, já nas formas moderada e grave pode-se optar pelo tratamento usual recomendado para cada condição clínica específica.

Independente da etiologia da hipertensão arterial na gestação, é fundamental que a equipe de Saúde esteja atenta ao controle pressórico e avalie a possibilidade de encaminhamento ao serviço de pré-natal de alto risco.

Saúde GOV

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