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Sábado, 02 de Setembro de 2017

Morango brota na aridez do Centro Oeste


Amanhece na plantação como uma tela de arte em movimento. O quase silêncio no campo é apenas cortado por uma espécie de tilintar do vento frio, dos pássaros ou dos curtos rangidos dos chapéus que protegem as pessoas do sol. O toque cuidadoso das botas no chão escolhe as pegadas por entre as margens estreitas no limite das mudas. Os canteiros se estendem até o perder da vista, o olhar em verde, próximo ao chão. Com os dedos, chega-se à descoberta. Em vermelho, em pontinhos, em memória doce. É setembro, e a safra do morango no Brasil promete mais uma vez aquecer cidades, refrescar agricultores (a maior parte no Brasil são de propriedades familiares) e atrair olhares e paladares para uma fruta que ganhou gosto nacional.



Entre as formas de celebrar, as principais cidades produtoras do país realizam concorridas festas do morango que vão além de bandejas de fruta, sucos, sorvetes ou qualquer outro alimento. Nesses eventos, comemora-se a força de uma cultura que ajuda a mover a agroindústria brasileira, as novidades tecnológicas, o alavancar dos equipamentos, as inovações científicas e a saúde in natura de quem vive deste sabor. Do produtor no sul de Minas Gerais à tradicional região de Atibaia (SP), passando pelos estados do Sul e chegando até mesmo ao Planalto Central de Brazlândia (DF), cada amanhecer no campo é pintado por trabalhadores em diferentes fases do cultivo.




A raiz e o fruto

Morango em meio a plantação
Produtores evitam o uso de agrotóxicos nas plantações - Valter Campanato, Agência Brasil
Morangos na plantação
Plantações no Brasil já desenvolveram diferentes tipos de morangos - Valter Campanato, Agência Brasil
Um dos eventos mais tradicionais que celebram a colheita do morango acontece próximo à Brasília, com a participação de 250 agricultores até o dia 10 de setembro. O paulista João Fukushi, hoje aos 65 anos, está entre eles. De origem japonesa, o cheiro do morango faz parte da história de vida de toda a família. Saiu de São Paulo, percorreu o interior do Estado, e deu novos cenários aos sonhos dos pais. Como o terreno era disputado e caro para produzir o pequeno fruto na região Sudeste, resolveu seguir para Tocantins. Chegou a pensar em ir para Serra Pelada, no Pará. Descobriu no Centro-Oeste que havia oferta para pequenos agricultores que se aventurassem a produzir no centro do Brasil. Alcançou o coração do país e de si mesmo antes de chegar nas novas terras, nas "imediações de Brasília".

"Se não fui o primeiro, posso dizer que fui um dos pioneiros por aqui". O "aqui" de Fukushi é Brazlândia, cidade a 1,300 metros de altitude, clima ameno e terra muito mais "em conta" do que em São Paulo. "Com o preço de um hectare em São Paulo ou Minas, consegui comprar 29 hectares por aqui", recorda. O eldorado ganhou endereço naquele 1974 para o rapaz desbravador, de 23 anos "Gostei daqui. No ano seguinte, tripliquei a produção". Foi assim que o vilarejo foi se transformando. Tanto deu certo que o lugar, quatro décadas depois, já era uma cidade de mais de 50 mil habitantes por conta da agricultura. A "cidade do morango" é também da couve-flor, da cenoura e das flores. Fukushi apostou nos morangos e nas flores. A vida se perfumou.

Naquela época, outros produtores de origem oriental seguiram para a cidade e formaram o lugar que deixou de ser apenas um novo trabalho.Tempos em que uma bandeja de morango "dava para comprar 10 litros de gasolina". João casou com Zélia, sua companheira há 40 anos, na mesma chácara onde escreveram uma história de amor junto aos quatro filhos. A produção influenciou Kamila, de 27 anos, a cursar agronomia. Hoje ela faz doutorado. "Sempre quis que eles seguissem seus próprios caminhos", diz a mãe. Não era exatamente um sonho que os filhos seguissem no campo. Zélia prefere atuar em uma área estratégica para os negócios da família, o embalar das duas mil caixas diárias de morango que pesam um quilo e meio. Pesado e saboroso. O morango pincinque, por exemplo, um dos tipos mais populares na região, é de origem italiana e impressiona pelo tamanho. "O que me deixa satisfeito é garantir que não há qualquer agrotóxico por aqui. Isso aqui é saúde", sorri João. A família usa insumos naturais e garante que o segredo para evitar as pragas está também no carinho e na experiência. "Estou com 15 mil pés de morango. Eu vou cobrir na época da chuva para render". Ele não arrisca qual será a produção do ano.

Nas cercanias das terras de Fukushi, outra plantação familiar emoldura o cerrado. Lá a história também tem cheiro de morango. Edilson Lorena acompanhou o pai, Alberto, na década de 1980. Saíram da interiorana Barro Alto (GO) para trabalhar em propriedades de japoneses em Brazlândia, a 200 quilômetros de distância. De tanto trabalhar e observar o trato com a terra, juntaram dinheiro e adquiriram a própria terra. O sonho tem nome e endereço: Chácara Lorena. "Meu pai ia de carroça vender o morango que plantávamos", explica Edilson, hoje aos 50 anos. "Estou no morango desde que me entendo por gente". Também nesse caso, o esforço do pai e do avô chegou à academia. O engenheiro agrônomo Douglas Lorena, de 28, foi atraído pelo desafio de cuidar melhor o morango, uma fruta tão delicada. "A gente só produzia em uma época do ano. Hoje produzimos o ano inteiro. A tecnologia melhorou muito e temos mais possibilidades de cultivo e manejo. O morango nunca deixou faltar nada em casa", afirma. A produção dos Lorena deve chegar a 70 toneladas em 2017.

O caule e a flor

Tanto Douglas Lorena como Kamila Kukushi explicam que a topografia e o clima viabilizaram a consolidação de Brazlândia como um dos pólos de cultivo da fruta. O engenheiro agrônomo Rodrigo Teixeira, gerente do escritório da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Distrito Federal (Emater), explica que cresceu ano a ano a participação do morango na cultura da região. "Temos aqui cerca de 230 produtores que chegaram em uma época de imigração na década 1970 (...) Aqui se alcançou um nível tecnológico bastante alto".

O profissional detalha que o morango impacta de diversas formas o cenário econômico e o social do local onde a produção se desenvolve. "O PIB do morango é de cerca de R$ 30 milhões". Mas o dinheiro não é o único ganho. Teixeira ressalta que a ideia de se ter uma "cidade do morango" impulsiona turismo, responsabilidade ambiental e cadeias produtivas. Ele exemplifica que a produção da cenoura, em Brazlândia, também é substancial, mas o "morango atrai mais". Por isso, os especialistas são unânimes em entender que há potencial de crescimento para a região, mesmo com as dificuldades econômicas e limitação do uso de água.

Outro importante produtor de morango que está em festa é Atibaia, a 69 quilômetros de São Paulo. São cultivados na cidade cerca de 3,5 milhões de pés da fruta por temporada. Entre as qualidades enumeradas pelos produtores está a "a alta qualidade do solo" e a expansão do Selo PIMO (Produção Integrada de Morangos). As principais variedades de fruta cultivadas na região são Oso Grande, Albion, Camino Real, Festival, Alleluia, Camarosa. A conhecida festa do lugar vai até dia 24 deste mês.

A produção integrada em Atibaia foi articulada pela pesquisa da Embrapa Meio Ambiente. O objetivo é difundir tecnologias de boas práticas agrícolas e possibilitar maior geração de empregos no campo com a fixação do homem nessas cidades. Em Bom Repouso (MG), uma das maiores produtoras de morangos do país, há três mil produtores - também com predominância de agricultura familiar - , que ocupam uma área plantada de 300 mil hectares. A produção anual é de 20 milhões de caixas, segundo a Embrapa.

De acordo a entidade, a proposta de produção integrada provocou uma mudança cultural entre os produtores de morangos na região desde a sua implantação. "Conseguimos agregar conhecimento por meio da difusão de conceitos do uso racional dos insumos de produção e vencemos na busca por morangos mais saudáveis, livres de contaminação," disse o produtor Osvaldo José Maziero, conforme divulgou a empresa.

A Embrapa explica que o total da produção no país é de aproximadamente 120 mil toneladas destinadas principalmente para o mercado interno. Uma produção que vem, em sua maioria, de regiões com inverno marcante, de temperaturas baixas a noite e calor durante o dia. Os pesquisadores explicam que os solos argilo-arenosos são mais indicados para a frutinha. A Embrapa registra que há grande migração para sistemas que não colocam o morango no chão. Outra influência que os brasileiros já seguem é a de polinização pelas abelhas para o cultivo do morango.

Os pesquisadores também estudam possibilidades de colaborar com a criação de um morango tipicamente brasileiro. Segundo Sandro Bonow, pesquisador da Embrapa Clima Temperado e responsável pelo projeto,a intenção é "investir em características que atendam às necessidades de mercado, não só por parte dos produtores, como também dos consumidores, como sabor doce, tamanho médio e cor avermelhada". Além disso, a atenção tecnológica deste momento no país é para desenvolver tecnologias inovadoras na produção de morangos, com sistema de produção fora de solo recirculante para reduzir uso da água e fertilizantes.

Os impactos nas cidades produtoras são visíveis por todos os lados. Do campo para o comércio local, na movimentação dos negócios, nos incentivos ao turismo e aos empreendimentos imobiliários. Em Brazlândia ou em Bom Repouso. Até em projetos sociais. A freira Yoshiko Mukai, no DF, organiza um trabalho de apoio à comunidade no Distrito Federal que transforma morango em geleia, licores e outros produtos. O que é arrecadado se transforma em ajuda a pessoas vulneráveis. "A festa do morango é um momento importante também por conta disso. O morango chegou ao auge há 20 anos. Antes eram só japoneses. Agora são os brasileiros que dominam", diz.

O agricultor Francisco Rabelo, de 64 anos, comemora os bons resultados do ano com a fruta. "Todas as pessoas que eu conheço vivem de alguma forma do morango. Sempre trabalhei na roça e criei meus quatro filhos assim". Ele tem que correr para pegar o ônibus e voltar pra casa. Nem vê quando, de noite, a flor branca do morango se abre. Já pela manhã, ela se esconde, e tudo recomeça, com o mesmo sabor.




Panorama nacional: uma festa no campo

O Brasil é o terceiro maior produtor de frutas no mundo, perdendo apenas para a China e a Índia. Em 2017, a estimativa do IBGE é que sejam produzidas 44 milhões de toneladas de frutas no país. O morango, porém, ainda ocupa um espaço restrito nesse cenário. Com uma área plantada de 4,3 mil hectares, a produção, no último ano, foi de 160 mil toneladas.

Recente pesquisa realizada pela Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas), em parceria com a Universidade de Lavras (MG), aponta que, em 2016, a produtividade média de morango no Brasil foi de 35 toneladas por hectare. Em regiões com mais recursos tecnológicos, esse número pode chegar a 60 toneladas por hectare.



A hidroponia - técnica de irrigação e fertirrigação, em que os nutrientes são distribuídos na água - e as técnicas de plantação suspensa e vertical foram as que mais contribuíram para incrementar a produção. O estado de Minas Gerais se mantém em destaque como o maior produtor da fruta no Brasil. Sozinha, a região do sul do estado foi responsável pela produção de 73 mil toneladas de morango, em uma área plantada de 1,6 mil hectares. O número representa mais de 45% de toda a produção nacional do ano passado. São Paulo, Espírito Santo, Paraná, Santa Catarina e Distrito Federal são, respectivamente, as unidades da federação que mais produzem a fruta.

Na outra ponta, São Paulo e Rio de Janeiro são os principais consumidores de morango in natura, em um mercado no qual as exportações são praticamente inexistentes. A média de rendimento do mercado da fruta, no último ano, foi de R$ 180 mil por hectare, com um custo de implantação de R$ 70 mil pelo mesmo espaço plantado.

Da Agência Brasil

 

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