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Sábado, 11 de Setembro de 2021

Crítica & Literatura: Tantas palavras

Tantas palavras



Minha Pátria é minha língua
Fernando Pessoa



Por Olga de Mello*

Em tempos de absoluto exercício do disse-me-disse, palavras são lançadas aos ventos, sem reflexão ou conhecimento do que significam. A imensa maioria dos leitores gosta do encadeamento das palavras em narrativas. Outros querem saber é das formas de encadear uma trama, das construções e desconstruções textuais. E existe um tipo que vê em cada palavra uma história, um tema, um contar. São esses que se apaixonarão pelo Dicionário das religiões afro-brasileiras (Ao Livro Técnico, R$ 52), do artista plástico Ronaldo Rego, que reúne, em quase 400 páginas, os mais variados termos da devoção de um país que se explica por seu sincretismo.



Nem só denominações de objetos ou etapas dos rituais estão no Dicionário, que oferece ainda sintéticos esclarecimentos sobre o uso e a importância de vegetais na vivência de seus fiéis, apresentando a origem de cada palavra. Impressionante mesmo é a quantidade de vocábulos que vieram da África e hoje são parte integrante e corriqueira do discurso brasileiro. Palavras como coroca e cocoroca, sinônimos de babaquara: todas significam 'pessoa de idade avançada e senil" em banto!!! Ou caxumba, termo quimbundo para "inflamação das parótidas". Também do quimbundo vem a cachaça, assim como caçula e maracutaia. Já mambo é palavra haitiana, do vodu, significando sacerdotisa. Surpresa para muitos é descobrir que Mandrake, o popular mágico das histórias em quadrinho, tem um substantivo correlato em quicuio, o mandóki.



Sem tantos significados ocultos, mas repleto de ação é Bahia de todos os negros - As rebeliões escravas do século XIX (Intrínseca, R$ 59,90), do jornalista Fernando Granato, que usa os escravizados Luiza Mahim e seu filho Luiz Gama como os eixos para falar dos movimentos de insurreição pré-abolição. Embora a população de cativos fosse imensa em todo o Brasil, é na Bahia que as revoltas se sucedem, o que poderia ser explicado pela origem daqueles povos trazidos à força para o país. Boa parte vinha da Costa da Mina, região onde hoje é o Benin. Muçulmanos, sabiam ler e escrever. Luiza Mahin teve participação ativa na Revolta dos Malês, o mais sério levante urbano de escravizados no Brasil, que levou 600 africanos às ruas de Salvador.




Desses, 70 morreram em combate com a polícia, 300 foram processados e, ao fim das ações judiciais, 4 foram fuzilados, 22 presos e 44 açoitados. Depois do movimento 500 africanos livres foram expulsos do Brasil e tiveram que voltar para a África. Sobre Luiza, escreveu Luiz Gama: "Sou filho natural de uma negra, africana livre, da Costa Miná (Nagô de Nação), de nome Luíza Mahin, pagã, que sempre recusou o batismo e a doutrina cristã. Minha mãe era de baixa estatura (...) a cor de um preto retinto e sem lustro, tinha os dentes alvíssimos como a neve, era muito altiva, geniosa, insofrida e vingativa. (...) Laboriosa, mais de uma vez, na Bahia, foi presa como suspeita de envolver-se em planos de insurreição de escravos, que não tiveram efeito".




Já quem gosta de ação, maledicências e todos os seus significados para montar o mais popular dicionário do país, vai encontrar muitas histórias em Por trás das palavras - As intrigas e disputas que marcaram a criação do Dicionário Aurélio, o maior fenômeno do mercado editorial brasileiro (Máquina de Livros, R$ ), do jornalista Cesar Motta. O subtítulo é autoexplicativo, buscando esclarecer o trabalho de uma equipe de pesquisadores ao lado de um fascinante personagem: o revisor detalhista e anárquico, mais boêmio do que metódico, que deu seu nome ao mais popular dicionário da língua falada no Brasil. Que alguns, como o jornalista e estudioso dos nossos falares, Sérgio Rodrigues, prefere rebatizar. Também com um subtítulo bastante informativo, Viva a língua brasileira! - Uma viagem amorosa, sem caretice e sem vale-tudo pelo sexto idioma mais falado do mundo - o seu (Companhia das letras, R$ 38,50) é um livro para quem quer escrever corretamente - já com o polêmico acordo ortográfico que nem Portugal respeita - e também conhecer as diversas lendas sobre expressões de uso corrente, como "virar casaca" (seria francesa e estaria ligada à troca de cores nas roupas de políticos que mudavam de partido e/ou corrente ideológica), "sair à francesa" (oriunda de um costume social... inglês!) ou "lavagem de dinheiro" (norte-americana), que em Portugal ficou bem mais bonita: branqueamento de capitais!



* Olga de Mello é jornalista, cronista, crítica literária e escreve aos sábados em Conexão Jornalismo.

 

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