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Segunda-feira, 01 de Maio de 2017

Corpo de Belchior será enterrado nesta segunda em Sobral (CE)

Da Redação

O migrante nordestino Belchior, dono de uma dos maiores nomes da MPB - Antônio Carlos Gomes Belchior Fontenelle Fernandes -, e também um dos grandes nomes da música, será enterrado hoje. Brigador com a vida, o marasmo, poeta musicado, ele volta assim para a terra onde aprende a cantar ouvindo violeiros, sanfoneiros e o saxofonista, avô, através do alto falante.

Ele teve uma ruptura de artéria que lhe foi fatal, aos 70 anos. Vivia incógnito em uma cidadezinha do Rio Grande do Sul. Vivia com problemas financeiros, segundo dizem amigos. Mas jamais procurou ajuda ou realizou campanhas. Havia, nele, orgulho e dignidade demais para mostrar-se abatido.



Ora direis, ouvir estrelas, certo perdeste o senso
Eu vos direi no entanto:
Enquanto houver espaço, corpo e tempo e algum modo de dizer não
Eu canto
(Bilac/Belchior)



Santa Cruz do Sul, a cidadezinha que não o acolheu porque não imaginava que ele estava ali, foi portanto a testemunha do seu último acorde.

Belchior, ao aparecer musicalmente para o país no início dos anos 70, comprou briga com grandes da MPB. Direcionou um canhão para Caetano quando compôs um dos primeiros sucessos. Em estudo divulgado pela agência USP, o pesquisador Júlio Bernardes relata alguns destes momentos baseado em pesquisa de doutorado da professora e radialista Josely Teixeira Carlos, que analisou canções de Belchior em estudo na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP.

Em "Rapaz Latino Americano", disse ele:

"Mas trago de cabeça uma canção do rádio / Em que o antigo compositor baiano me dizia: / - 'Tudo é divino! Tudo é maravilhoso!'".

Uma outra polêmica bem marcada é a que diz respeito ao investimento em línguas estrangeiras, especificamente ao uso do inglês. "Belchior critica, desse modo, a adesão pelos baianos à cultura de língua inglesa, o que pode ser atestado na canção 'Coração selvagem', que diz repetidamente: 'meu bem / que outros cantores chamam baby! / que outros cantores chamam baby! / que outros cantores chamam baby! / meu bem.'", aponta a professora. "A letra polemiza mais diretamente com a canção de Caetano Veloso, 'Baby', imortalizada por Gal Costa".


Tretas de Belchior também são narradas pelo Blog Xapuri Agora. E ele fala também sobre a disputa pessoal com Caetano - que, diga-se virou exclusiva dele tendo em vista que Caetano não embarcou. Aparentemente:


As letras das composições de Belchior, além do forte conteúdo social, buscavam incessantemente o diálogo com outros nomes da MPB ao ponto de fincar posições que contrariavam a direção estabelecida por outros músicos para os rumos da canção brasileira.

O primeiro exemplo é a canção Apenas um rapaz latino-americano, quando Belchior critica Caetano Veloso ressoando:

Mas trago de cabeça uma canção do rádio

em que o antigo compositor baiano me dizia:

- "Tudo é divino. Tudo é maravilhoso"

(...)

Mas sei que nada é divino

Nada é maravilhoso

Nada é secreto

Nada é misterioso

Não

Ele se referia à canção "Tudo é divino, tudo é maravilhoso" que tanto sucesso fez nos anos 70, mas que parecia soar como algo alienado diante de tantos problemas da realidade social. Caetano ainda é alvo de crítica em outra música de Belchior "Fotografia 3x4", agora se referindo a ele textualmente em sua canção festivalesca "Alegria Alegria":

Veloso, "o sol (não) é tão bonito" pra quem vem

Do Norte e vai viver na rua

E como quem não quer perder o costume, há uma referência à canção "Baby" de Caetano Veloso, gravada por Gal Costa na música "Coração Selvagem", polemizando e afirmando o elemento nacional num período de intensa circulação de músicas estrangeiras nas rádios:

Meu bem,

vem viver comigo, vem correr perigo,

vem morrer comigo, meu bem, meu bem, meu bem.

Oh! Oh! Meu bem

que outros cantores chamam baby!

A peleja entre Belchior e os tropicalistas não para por aí. Em "Velha Roupa Colorida", cujo título já contém uma forte ironia, o autor aponta sua navalha aos ideais hippies e aos valores tropicalistas vigentes e tentar anunciar um novo rumo à música popular brasileira - um rumo mais comprometido com a realidade política e social do país.

Mas nem tudo eram flores. Nada mais nada menos que Raul Seixas na canção "Eu também vou reclamar" chacota a posição de Belchior acusando-o de querer vender discos:

Mas é que se agora

pra fazer sucesso, pra vender disco de protesto

Tudo mundo tem que reclamar

Eu vou tirar o meu pé da estrada

E vou também entrar nessa jogada

E vamos ver agora quem é que vai agüentar

...

Ligo o rádio e ouço um chato

Que me grita nos ouvidos

Pare o mundo que eu quero descer

...

Apesar dessa voz chata e renitente

Eu não tô aqui para me queixar

E nem sou apenas um cantor

...

Eu já cansei de ver o sol se por

Agora eu sou apenas um rapaz latino-americano

Que não tem cheiro nem sabor

...

Mas agora eu também resolvi

Dar uma queixadinha

Porque eu também sou um rapaz latino americano

Que também sabe se lamentar

A crítica de Raulzito, cujo alvo também eram os compositores Silvio Brito e Hermes Aquino, se centrava na posição de que tudo aquilo, talvez se referindo à ditadura, era "nuvem passageira" . No entanto, Belchior quer dialogar e não deixa o homem que nasceu há dez mil anos atrás sem resposta. Em A palo seco ele diz:

Se você vier me perguntar por onde andei

No tempo em que você sonhava.

De olhos abertos, lhe direi:

- Amigo, eu me desesperava.

Sei que, assim falando, pensas

Que esse desespero é moda em 73.

Mas ando mesmo descontente.

Desesperadamente eu grito em português

E para não dizer que Belchior ficou ressentido, o músico gravou a excelente "Ouro de Tolo" de Raulzito em 1984 no LP "Cenas do Próximo Capítulo". Com polêmicas saudáveis como essa só resta dizer, admitindo a saudade, que a MPB já foi muito mais interessante. Hoje, tem gosto de sopa de macarrão aguada e sem sal.

 

Veja também:

>> Cantor e compositor Belchior morre aos 70 anos - vídeo

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Corpo de Belchior será enterrado nesta segunda em Sobral (CE)
 

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