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Quarta-feira, 29 de Janeiro de 2020

Rio Acima: Marcelo Migliaccio e a narrativa da morte que chega de táxi

Imagem arquivo - TJ/RJ -
Imagem arquivo - TJ/RJ -
O cronista carioca Marcelo Migliaccio, zentos anos de jornalismo e documentarismo, revela a conversa inusitada travada com um taxista neste início de 2020. O papo, trocado entre marchas e sinais vermelhos e amarelos, remete a um dos míticos criminosos do Rio que foi empoderado pela mídia nos anos 90: Ernaldo Pinto Medeiros, o Uê. O motorista viu quando o criminoso perdeu suas sete vidas em uma rebelião. E entrou, definitivamente, para a literatura policial carioca.



"Atrás das grades



Por Marcelo Migliaccio: escrito originalmente no Blog Rio Acima


_ Amarraram o Uê com fios de luz. De cobre, né? Jogaram gasolina e tocaram fogo.

Aquele homem que dirigia o carro ao meu lado viu Ernaldo Pinto de Medeiros, então chefe do tráfico de drogas no complexo do Alemão, ser queimado vivo dentro de um presídio do Rio. Ele mesmo quase morreu no episódio.

_ Algemaram eu e um colega num botijão de gás. Pra explodir. Eu rezando pra tropa de choque não invadir. Só não invadiu porque a governadora era a Benedita da Silva e ela não deixou.

Peguei o táxi no centro do Rio. O frio glacial dentro do carro me fez perguntar ao motorista por que ele não abria o vidro.

_ Tem muito assaltante que vem quando o sinal fecha. Aí...

Por algum motivo achei que o homem corpulento e com fala de quem só dorme com remédio tarja preta tinha uma arma.

_ Aí você dá um tiro na cara dele.

Sem nunca alterar a expressão sonada e o olha fixo no caminho que seguia, o homem me deu a chave de tudo:

_ Revidaria a injusta agressão.

_ Você é policial, né?

- Agente penitenciário. Trabalho 24 por 72 horas e completo a renda no táxi.

Como jornalista que sou, faço a minha pergunta preferida, aquela de quem sabe que a entrevista informal acabará quando chegarmos ao meu destino:

_ Qual foi a coisa mais incrível que você já viu dentro de uma cadeia?

Ele me conta a morte de Uê pelo bando de Fernandinho Beira-Mar, em 2002, no presídio de segurança máxima Bangu 1. Diz que só foi libertado porque tinha boa relação com o detento Beira Mar.

_ Nossa estratégia era tratar bem os líderes, com algumas regalias, para que eles mantivessem a cadeia calma. Hoje em dia, isso acabou. Não tem mais liderança.

Quero saber por que ele escolheu essa profissão tão...

_ Eu trabalhava na Nestlê. Hoje estaria ganhando uns R$ 15 mil por mês. Fazia a linha pó, Nescau, Neston, Leite Ninho, entregava pelo interior do Rio. Mas veio um alemão presidir a empresa no Brasil e a coisa ficou ruim. Comecei a fazer concurso e passei para agente do Desipe. Comecei na Ilha Grande, adorava. Aquilo era um paraíso. Tinha a parte do presídio e a outra, onde nós morávamos.

Ele diz que no tempo em que o tráfico tinha líderes de verdade, era mais fácil.

_ O Escadinha era um gentleman. O Robertinho de Lucas sabia conversar com os guardas com humildade. Uma vez ele chegou pra mim de cabeça baixa e mãos para trás e pediu que nós deixássemos ele fazer uma festinha de aniversário no dia da visita. Eu sabia que podia confiar nele. Não esfarelamos o bolo que a mãe dele levou, ele garantiu que dentro não tinha arma, faca, peça de arma, nada.

O celular dele apita. Ele olha no zap. Alguém de seu grupo acaba de enviar um vídeo.

_ Suicídio agora no aeroporto Tom Jobim.

Me mostra a imagem de uma das câmeras do aeroporto, certamente enviada por um colega dele que trabalha na segurança de lá.

Em meio a dezenas de pessoas que caminham no saguão, um homem magro, roupa preta e menos de 30 anos, de repente, dispara em direção ao parapeito e mergulha como se estivesse numa piscina, de cabeça. O taxista-inspetor passa à foto seguinte, do suicida estirado no andar debaixo.

Segue-se um longo silêncio no carro.

Parcialmente refeito, pergunto como está a situação hoje nas cadeias. Ele compara ao inferno. E diz que é bom que seja assim.

_ Se eu vir um cachorro atropelado ali na frente, paro o carro, levo pro veterinário e gasto o que for preciso. Se for um vagabundo caído baleado ainda passo com o carro por cima.

Já perto de casa, pergunto sua idade. Tem nove anos menos que eu. Uma filha. Quero saber o que ela acha da profissão dele.

- Ela é inspetora da Polícia Civil e está estudando pra ser delegada.

Desço na porta de casa. Ele me olha pela terceira ou quarta vez em meia hora e diz que valeu pelo papo.

_ Você é jornalista?

_ Já nem sei mais.

 

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