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Segunda-feira, 27 de Março de 2017

Presidente da Bayer do Brasil denuncia racismo no mercado de trabalho

Da Redação

Preconceito acima de valores morais e profissionais
Preconceito acima de valores morais e profissionais

Um caso exemplar no melhor e no pior sentido da expressão: o presidente da Bayer do Brasil, o alemão Theo Van Der Loo, denunciou em sua rede social um caso envolvendo um amigo que, ao se submeter a uma entrevista de emprego no Brasil, ouviu que não seria entrevistado porque o contratante não contrataria um negro para o trabalho. A história, que chama a atenção pela exposição de um tema tabu, assusta também pela reação do ofendido que se recusou a denunciar. Ele teme que, caso a história lhe dê visibilidade, fique marcado para o resto de sua vida. O caso foi noticiado pelo site Mundo Negro. Leia aqui.




Racismo no mercado de trabalho não é novidade para ninguém. Agora um homem branco poderoso denunciando e levando seus seguidores a refletirem sobre como muitos profissionais negros, altamente competentes e gabaritados, são descartados durante processo seletivo só por pela cor da pele, aí já é algo raro, porém necessário. E foi isso que presidente da Bayer aqui no Brasil, Theo Van Der Loo fez em seu perfil no Linkedin, neste último domingo, 26 de março.

"NÃO ENTREVISTO NEGROS" Ontem, dia 24 de Março, ouvi uma história inaceitável e revoltante. Um conhecido meu, afro-descendente, com uma excelente formação e currículo, foi fazer uma entrevista. Quando o entrevistador viu sua origem étnica disse à pessoa de RH que ele não sabia deste detalhe e que não entrevistava negros! Eu disse ao meu amigo para fazer uma denúncia. Aí outra surpresa! A resposta: "Pensei, mas achei melhor não fazer, pois posso queimar minha imagem. Sou de familia simples e humilde custou muito para chegar onde cheguei".

Veja a postagem abaixo.




Imagem Linkedin
Loo também se mostrou muito perplexo com a atitude do amigo em não expor o ocorrido, o que é muito compreensível. Apesar de soar cômodo, o covarde (isso não foi sugerido no post), às vezes escolher se calar para não ser descartado em outros lugares é uma das decisões mais penosas, sobretudo para quem tem formação e experiência. Não é engolir sapo. É estratégico. E é sofrido.

Racismo é crime, mas é também é uma violência. Cada vítima reage de uma forma, mas há casos de pessoas que mesmo cientes dos seus direitos, sabem que também, são o lado mais vulnerável e podem comprometer sua carreira de forma irrecuperável, até porque a denúncia seria um caso de polícia.

Há poucos negros em cargos de liderança que possam levantar essa bandeira no sentido de mostrar que denunciar o racismo no meio corporativo e nos processos seletivos, especificamente, não é uma sujeira que deve ser jogada debaixo do tapete. Isso não pode ser uma luta solitária de um candidato discriminado, nem do único executivo negro da empresa. Também não é uma causa somente negra.

Por isso atitudes como Van Der Loo são preciosas. Líderes brancos não serão demitidos por denunciar racismo, machismo, ou qualquer tipo de afronta à lei e aos direitos humanos. As pessoas param para ouvir, repercutem e é assim que as coisas mudam.

Acredito na união de forças para avanços mais amplos e efetivos, homens e mulheres, negros e brancos. Afinal de conta se nós não criamos o problema, porque eliminar o racismo é tarefa só nossa?

Mundo Negro

NdaR - o presidente da Bayer já é uma referência quando o tema é preconceito racial no Brasil. Em 2015 ele ganhou prêmio "personalidade do ano" no campo das ações afirmativas e contra o preconceito racial. Leia aqui

 

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