• Ouça a Rádio
  • Galeria de Fotos
  • Vídeos
  • Facebook
  • Twitter
SELECT TOP 3 B.Codigo , B.Nome_Arquivo , B.Href , B.Descricao FROM Banner B WHERE B.Publicar = 1 AND B.Data_Expiracao >= 20210927 AND B.[1pagina] = 1 AND B.Cod_Tipo_Banner = 4 ORDER BY B.Data_Publicacao DESC, codigo DESC
Conexão Jornalismo é o primeiro site do país a merecer o selo verde.
Planvale

Busca

 
Audiência na TV

Segunda-feira, 27 de Setembro de 2021

Corpo de cantor sertanejo é encontrado dentro de carro em BH
Audiência na TV

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook

Conexão TV

Quinta-feira, 23 de Setembro de 2021

Uma boa série? Vosso Reino, na Netflix

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook
VER +

Galeria de Fotos

 
 

 
 

Comunidade

home > notícias conexão

Notícias Conexão

 

Sábado, 28 de Agosto de 2021

Crítica & Literatura: Um soco na alma

Um soco na alma



* Por Olga de Mello

Talvez a única beleza de O coronel que raptava infâncias (Intrínseca, R$ 49,90) esteja em seu melancólico título. Poderia ser roteiro de minissérie televisiva sinistra, a trajetória de um policial envolvido em política corporativa, negócios suspeitos e condenado à prisão por pedofilia. O cenário é um Rio de Janeiro a anos-luz de distância da imagem idílica vendida pelo turismo ou fomentada por quem vive nos bairros "nobres" da orla da cidade. A pesquisa detalhada na estreia literária do jornalista Matheus de Moura retrata a desigualdade social de uma metrópole em que o crime se sobrepõe à omissão do Estado.

A primeira versão do livro foi a base do trabalho de conclusão do curso de jornalismo de Matheus, que leu processos e entrevistou o máximo de envolvidos nos pavorosos episódios protagonizados por Pedro Chavarry Duarte, o coronel PM que foi flagrado com uma criança de dois anos, nua, dentro de seu carro estacionado em um posto de gasolina, numa noite em setembro de 2016. Havia anos que ele se apresentava como benfeitor de uma entidade de apoio a crianças muito pobres, cujo endereço os pais desconheciam, embora confiassem os filhos ao coronel para visitas à "sede da creche". Vez por outra, ele percorria recantos esquecidos pelo poder público, vielas em aglomerações paupérrimas, dando fraldas, brinquedos e mamadeiras para mães em situação de abandono tão lastimável quanto a dos filhos. Para essas pessoas, Chavarry era quase um santo, que se empenhava em melhora as condições de vida das crianças.

Matheus de Moura não buscou qualquer desculpa patológica ao traçar o perfil de Pedro Chavarry Duarte, um homem que teria estado na folha de pagamento do contraventor Castor de Andrade, e cujo relacionamento dentro da corporação permitiu-lhe, ao longo de duas décadas, distribuir benefícios a desprovidos de qualquer apoio estatal - usando dinheiro público. A descrição dos personagens é objetiva, ainda que detalhe o sofrimento e a imensa carência desses sobreviventes abandonados pelo poder público - pessoas cujas condutas nem sempre seguem caminhos legais ou regulares, premidas pela necessidade de encontrar alimentos, roupas e algum tipo de teto. Chavarry surge como agente de um poder paralelo, hoje assumido pelas milícias que dominam boa parte da cidade do Rio de Janeiro.

Não há detalhamento sobre os maus tratos às crianças, apenas a menção sobre os casos, o que protege as vítimas, sem, no entanto, preservar a imagem de Chavarry ou justificar sua perversão. O contraste da religiosidade expansiva que o coronel dizia reger sua vida com os abusos a menores tornam mais repugnante o relato dos acontecimentos. Embora a vilania de Chavarry permeie toda a narrativa, o que emerge do texto como elemento indissociável da tragédia cotidiana é a abissal desigualdade que envolve os personagens, muitos à beira da indigência. Matheus de Moura aponta como fator para a escalada pessoal de Chavarry sua condição de homem branco, enquanto a maioria de suas vítimas é negra.

O militar tem origem modesta, porém está longe de padecer da carência das pessoas de quem se aproxima. A corrupção lhe permitiu a ascensão social, mudando-se de um bairro menos afamado para a valorizada Barra da Tijuca, onde vai viver com a mulher e a filha, que, aparentemente, creditam a condenação de Chavarry - a onze anos de reclusão - à ação de inimigos políticos. Os leitores poderão creditar a brevidade da pena à ação de amigos. E à falta de políticas públicas, que poderiam evitar a recorrência de tantos crimes hediondos.




* Olga de Mello é jornalista, cronista, crítica literária e escreve aos sábados em Conexão Jornalismo

 

Veja também:

>> Quer uma marca de arroz que não fale mal do SUS? O MST tem um orgânico e com preço justo

>> Que covid? Rio vai liberar cinema, futebol e academia para quem tomou duas vacinas

>> Por ferir regimento da PM-SP, policiais que apoiarem atos antidemocráticos podem ser expulsos

>> Para Lula, militares não devem dar trela a Bolsonaro

>> A fome, no Brasil, tem o rosto de mulher: preta, nordestina, mães, pardas...

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook
  •  
  •  
  •  comentário(s)
  •  
 
Crítica & Literatura: Um soco na alma
 

Copyright 2021 - WebRadio Programa Conexão - Todos os direitos reservados

Desenvolvido por Go2web

Está no seu momento de descanso né? Entao clique aqui!