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Sábado, 18 de Novembro de 2017

Crítica & Literatura: Tremendões e ternurinhas

Tremendões e ternurinhas




Por Olga de Mello*

Os inacreditáveis 71 anos da cantora Wanderléa não correspondem à idade verdadeira da "Ternurinha". A fisionomia jovem da veteraníssima musa da Jovem Guarda esconde uma senhora de ... 73 anos. Este é um dos segredos que Wanderléa revela em sua autobiografia Foi Assim (Record, R$ 39,90), em que relembra sua carreira, fala dos amigos Roberto e Erasmo Carlos, da imensa família (nove irmãos, todos com o prefixo "Wander" nos nomes), dos amores e das tragédias pessoais, como a morte do filhinho de dois anos, Leonardo, superadas com o apoio dos admiradores e a espiritualidade.



O tom do livro é alegre e traz um pouco da simpatia da carismática artista, que explica o mal-entendido sobre sua idade por sua baixa estatura em criança e na adolescência, quando começou a cantar. Os anos de glória da Jovem Guarda iniciaram a amizade com os galantes Roberto e Erasmo, que tentaram engatar namoros com a jovem - que recusou. E, para delírio de uma multidão de fãs, ela revela que seu primeiro beijo, "com gosto de coxinha de frango que ele comeu no lanche" aconteceu tão rápida e surpreendentemente que Wanderléa nem teve como contestar: "Mas confesso: gostei. Ainda não tinha sido beijada, nem quando brincava de pera, uva, maçã ou salada mista". O nome do atrevido? Roberto Carlos, que depois, como Erasmo (outro ladrão de beijos), se tornou amigo-irmão da cantora, que conviveu intensamente com músicos de diferentes vertentes musicais, entre eles Egberto Gismonti, Tom Jobim, Elis Regina e Rita Lee. Leitura divertida - e não apenas para os admiradores da artista.



O cineasta Oliver Stone, crítico ferrenho da política norte-americana, encontrou-se com o homem forte da Rússia, Vladimir Putin, ao longo de dois anos para montar um documentário. As entrevistas de Putin (BestSeller, R$ 44,90) transcrevem as conversas em que o líder russo, há 18 anos no poder, fala sobre política e muito pouco a respeito de sua vida familiar (ele tem duas filhas e é casado; na época das entrevistas, estava para nascer seu primeiro neto) ou a respeito de correligionários. Reservado, disciplinado, amante dos esportes, Putin dá a impressão de ser tremendamente controlado, a ponto de informar que jamais bebeu com o ex-presidente Bóris Yeltsin, seu antecessor, notório amante do álcool.

Em novembro de 1973, um desfile de modas reunia aristocratas, artistas e celebridades em Paris para arrecadar fundos que restaurassem o palácio de Versalhes. A noite foi decisiva para levar ao cenário respeitado da moda os estilistas norte-americanos Oscar de La Renta, Bill Blass, Halston Anne Klein e Stephen Burrows, que se apresentaram ao lado de Givenchy, Yves Saint-Laurent, Pierre Cardin, Ungaro e Marc Bohan. Ali se abria caminho para a entrada dos estilistas ingleses, que alguns anos depois mostrariam calças rasgadas e camisetas manchadas nas passarelas, entronizando o punk como uma forma de expressão mais do que apenas uma vestimenta. A Batalha de Versalhes (Zahar, R$ 74,90), da jornalista Robin Givhan, mostra os preparativos para esse encontro no qual os franceses deveriam ser os protagonistas, coadjuvados pelos americanos. Invertendo os papeis, aquele desfile foi o momento em que a alta costura rendeu-se ao pop e deixou de ser encarado como uma produção acessível apenas aos ricos, abrindo-se para consumidores de qualquer poder aquisitivo.


* Olga de Mello é jornalista, crítica de literatura, cronista e escreve aos sábados em Conexão Jornalismo

 

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