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Sábado, 05 de Agosto de 2017

Crítica & Literatura: Sobre a violência de cada dia

O assassinato que virou filme e literatura
O assassinato que virou filme e literatura

Sobre a violência de cada dia




Por Olga de Mello*

Nos Estados Unidos, dois terços dos jovens negros e 40% dos hispânicos já sofreram violência ou perseguição por policiais. Sobreviver diante desta realidade duríssima é o que os pais de Starr, protagonista de O ódio que você semeia (Galera, R$ 39,90), de Angie Thomas, ensinam à filha quando ela tem doze anos: se abordada por um policial, a menina deve deixar as mãos à vista, não fazer movimentos bruscos e falar somente caso seja interpelada. Quatro anos mais tarde, um amigo que não segue as mesmas recomendações é executado a tiros por um policial, em frente de Starr, cuja saga fictícia se baseia no cotidiano comum à população pobre e discriminada de grandes cidades - e não apenas nos Estados Unidos.



A morte de Oscar Grant, de 22 anos a tiros por um policial na Califórnia, em 2009, foi a base do trabalho final de Angie Thomas, que cursava Escrita Criativa na Universidade de Bellhaven, no Mississípi. Depois de mais quatro assassinatos de jovens negros, pouco tempo depois, ela decidiu transformar o conto inicial em seu romance de estreia, que entrou na lista de mais vendidos do New York Times, e teve os direitos de adaptação cinematográfica comprados pela Fox.


Narrado em primeira pessoa, o livro aborda a violência e o racismo pelo ponto de vista de uma geração que cresceu com direitos assegurados por lei, mas que tem de seguir as regras impostas por traficantes e por um Estado que trata o negro como suspeito. Até o cordato pai de Starr, que mostra documentos e chama os policiais de "senhor", é submetido à humilhação de uma revista deitado de bruços no chão, sob ameaça de um revólver.

A recessão econômica, o desemprego e o fantasma da perseguição política traçam o ambiente sombrio em que se desenrolam os contos reunidos em As coisas que perdemos no fogo (Intrínseca, R$ 39,90), da argentina Mariana Enriquez. A tensão do dia a dia difícil das décadas de 1980 e 1990 se expressa em histórias fantásticas, com pessoas que desaparecem sem explicação lógica, alegoria clara para o sofrimento do povo argentino nos anos de ditadura militar e incerteza sobre o futuro.



Em comum com o universo descrito por Angie Thomas está a incompreensão e desprezo dos adolescentes pelos adultos, vistos pelos filhos como incompetentes e passivos diante de um mundo que só reforça as condições de desigualdade, sem apresentar esperança ou solução para seus problemas. Como boa parte dos autores argentinos, Mariana Enriquez faz das condições sociais, políticas e econômicas elementos essenciais na narrativa, que tem como personagens principais mulheres fortes ou inconformadas com uma rotina de sacrifícios. A instabilidade econômica sedimenta a saída para o fantástico e o horror que, segundo Mariana, encontram nas dificuldades da sociedade argentina um terreno natural para seu próprio desenvolvimento dentro da ficção.




Se a literatura não muda a realidade, ela pode registrá-la e levar à reflexão. Com violência urbana em índices altíssimos, como nos Estados Unidos, e sérios problemas econômicos e políticos, semelhante aos da Argentina, no Brasil, diariamente, são assassinados 63 homens negros de 15 a 29 anos. Dos 30 mil homens desta faixa etária que morrem assassinados a cada ano, 23 mil são negros.



*Olga de Mello é jornalista, cronista, crítica literária e escreve aos sábados em Conexão Jornalismo.

 

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