• Ouça a Rádio
  • Galeria de Fotos
  • Vídeos
  • Facebook
  • Twitter
SELECT TOP 3 B.Codigo , B.Nome_Arquivo , B.Href , B.Descricao FROM Banner B WHERE B.Publicar = 1 AND B.Data_Expiracao >= 20170627 AND B.[1pagina] = 1 AND B.Cod_Tipo_Banner = 4 ORDER BY B.Data_Publicacao DESC, codigo DESC
Conexão Jornalismo é o primeiro site do país a merecer o selo verde.
Planvale

Busca

 

Conexão TV

Terça-feira, 20 de Junho de 2017

Viva Roda - Felipe Pena faz a roda do jornalismo girar para a esquerda - vídeo

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook
VER +

Galeria de Fotos

 
 

 
 

Comunidade

home > notícias conexão

Notícias Conexão

 

Sábado, 03 de Junho de 2017

Crítica & Literatura: Rivânia e os livros

Rivânia e os livros



Por Olga de Mello*

Uma enchente arrasa uma cidadezinha na Zona da Mata pernambucana. Ao deixar a casa inundada, uma menina de 8 anos, Rivânia, faz sua trouxinha com livros. A avó recomendou que carregasse o que tinha de mais precioso. Rivânia pegou os livros, talvez sem entender o que seria valioso para a sobrevivência. Roupas, remédios, sapatos são essenciais. Mas para a criança, nos livros está o sonho.



Esse triste episódio será mais do que explorado em noticiário e comoverá redes sociais. Quem sabe Rivânia ganhe uma bolsa de estudos para um colégio particular, quem sabe a família receba uma casa num país de precariedades despejadas sobre a maioria da população, que desconhece os próprios direitos?

Rivânia: a história que comoveu na tragédia
Rivânia: a história que comoveu na tragédia   

Rivânia ainda é muito jovem para ler Uma vez (Paz &Terra, R$ 27,90), uma novela sobre a resistência à realidade de violência que a Segunda Guerra Mundial trouxe a tantos jovens judeus. Felix, um menino de dez anos, é recolhido a um orfanato católico como outras crianças de origem judaica. Acredita que os nazistas perseguem seus pais porque eles são livreiros. Quando soldados entram no orfanato para queimar livros, ele foge e começa sua saga à procura da livraria onde sempre viveu, de pais que provavelmente morreram, da proteção que poucos adultos oferecem a crianças sem família, no Gueto de Varsóvia.




Para o britânico Morris Gleitzman, de origem judaica polonesa, a história de Felix resgata o heroísmo de pessoas como o médico polonês Janusz Korczak, assassinado pelos nazistas ao lado das 200 crianças judias do orfanato que dirigiu, em 1942. Gleitzman, radicado na Austrália, onde publicou mais de 30 obras para o público infanto-juvenil, tem colecionado prêmios literários por esta história que comove leitores de todas as faixas etárias.

Distante dos horrores de uma infância de penúria, Marina Abramovic cresceu na Ioguslávia do pós-guerra, filha de dois heróis da resistência antinazista, o que lhe garantiu conforto material raro nos países da Cortina de Ferro. O casamento dos pais, no entanto, reproduzia um ambiente de permanente guerra doméstica. Além do costume de manterem armas de fogo (carregadas) nas mesas de cabeceira que ladeavam a cama do casal, brigavam violentamente. A mãe, diretora do Museu da Revolução, era culta, refinada e extremamente severa, disciplinando a filha com surras sem grandes explicações sobre os castigos. O pai, militar, avesso ao requinte intelectual, mulherengo e charmoso, sempre foi carinhoso com os filhos. Eu sua autobiografia - Pelas paredes (José Olympio, R$ 69,90) - , Marina destaca a presença frequente de sua família nas lembranças de sua trajetória como artista performática, que rompeu com um doutrinamento comportamental sufocante através da arte - sua válvula de escape e principal interesse da mãe, que a estimulava a ler e a conhecer toda a forma de expressão.

A opressão do Estado se imiscui nas memórias de Marina, que se considera uma privilegiada por jamais ter sido obrigada, na juventude, a lavar a própria roupa, arrumar ou limpar a casa, nem preparar suas refeições. Ao usar o corpo como espaço de sua própria arte, ela desconstrói os anos de obediência cega a uma ordem inquestionável. A mesma que o personagem de Morris Gleitzman não compreende. A mesma que Rivânia desconhece, por enquanto, e que dificilmente conseguirá contestar no país da precariedade.



* Olga de Mello é jornalista, crítica literária e escreve aos sábados em Conexão Jornalismo.

 

Veja também:

>> Gregório Duvivier defende a "democracia aleatória" - entenda: vídeo

>> Prisão de Rocha Loures deixa Temer pela bola sete

>> Janot denuncia Aécio Neves por corrupção e obstrução da Justiça

>> Gustavo Mendes, a Dilma do humor, critica Danilo Gentili - vídeo

>> Cancelamento de Sense8 deixa fãs inconformados

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook
  •  
  •  
  •  comentário(s)
  •  
 
Crítica & Literatura: Rivânia e os livros
 

Copyright 2017 - WebRadio Programa Conexão - Todos os direitos reservados

Desenvolvido por Go2web

Está no seu momento de descanso né? Entao clique aqui!