• Ouça a Rádio
  • Galeria de Fotos
  • Vídeos
  • Facebook
  • Twitter
SELECT TOP 3 B.Codigo , B.Nome_Arquivo , B.Href , B.Descricao FROM Banner B WHERE B.Publicar = 1 AND B.Data_Expiracao >= 20210418 AND B.[1pagina] = 1 AND B.Cod_Tipo_Banner = 4 ORDER BY B.Data_Publicacao DESC, codigo DESC
Conexão Jornalismo é o primeiro site do país a merecer o selo verde.
Planvale

Busca

 

Conexão TV

Sábado, 17 de Abril de 2021

Jornalista teria sido vítima de racismo dentro da CNN

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook
VER +

Galeria de Fotos

 
 

 
 

Comunidade

home > notícias conexão

Notícias Conexão

 

Sábado, 27 de Fevereiro de 2021

Crítica & Literatura: Quem mandou gostar de ler

Por Olga de Mello*

A mudança chegou um ano e meio atrás com 87 caixotes de livros. O resto - objetos da casa, panelas, CDs, DVDs, a coleção de sininhos herdada da madrinha -, a tranqueira de uma vida inteira, não somava 60 caixas. Uma semana depois que os caixotes quase se integraram à decoração do ambiente, veio aquele momento temido por todo dono de muitos livros, o da descoberta de que não há espaço para tantos volumes na casa nova, menor do que a anterior.



O problema não é sempre o das dimensões dos imóveis, mas do tamanho da biblioteca, que causa indignação em muitos visitantes, pessoas que aceitam a idiossincrasia de colecionar centenas de pares de sapatos, bolsas ou roupas, mas não mais do que 50 livros. A guru da arrumação Marie Kondo já se retratou de suas declarações sobre manter apenas 30 volumes em casa. Autora do best-seller "A mágica da arrumação" (Sextante, R$ 24,90), depois de ter vendido mais de 5 milhões de cópias de seu manual do minimalismo doméstico, Kondo deixou de lado a pressão contra os amigos das traças, lembrando a importância de estarmos cercados pelo que nos deixa felizes.

Em mudança, é natural dispensar os livros impossíveis de manuseio ou de aspirar (fisicamente). Não cultivo o hábito de sorver o aroma do livro novo, costume bastante difundido entre leitores compulsivos. Ao abrir um volume amarelo e coberto de fungos, minha deficiente respiração de asmática absorve todos os alérgenos que aquele exemplar carrega, obrigando o combate da alergia com doses industriais de corticoides. Por isso, a mudança é pretexto para dispensar a coleção Clássicos do Bolor, ainda que doa na alma a separação daquela surrada brochura, esburacada e repleta de anotações do antigo proprietário sobre o texto lido.





Montadas as estantes, chumbadas as prateleiras, despedidas as miniestufas de ácaros, há que se decidir a organização da biblioteca, sem ligar para o incauto visitante que surgia (em tempos anteriores à pandemia), munido de três indagações:

1) Por que você não compra um Kindle, armazena bibliotecas do mundo inteiro lá e doa tudo para uma biblioteca comunitária?

2) Você Já leu isso tudo que guarda aí?

3)Você quer me emprestar as obras completas de Lima Barreto?







A resposta se repete: não, não e não.

1) Não quero, porque
1.a) é impossível ler todas as bibliotecas do mundo numa só encarnação.
1.b) na mudança, doei 600 livros - a imensa maioria em bom estado - para bibliotecas comunitárias.
2) Não, apenas uns 85%.
3) Não, ainda não li, ganhei há pouco tempo o box maravilhoso da Nova Fronteira (R$ 250 - esgotado) e não empresto livro virgem.

E aí acontece que o Lima Barreto, numa caixa tão bonita, tem volumes acima do tamanho das outras obras de literatura brasileira.... Lima acaba indo para o lado da prateleira dos portugueses, porque adentraram seis Saramagos oriundos de uma biblioteca de família desfeita. Próximo a eles está "Colégio de freiras" (Iluminuras, R$ 24,90), de Raimundo Carrero, que ficará perto de "A febre de notícias ao entardecer" (Aura com Livros, R$ 30,90), do meu primeiro editor, Pinheiro Júnior, que já devorei, mal apareceu aqui em casa. Pinheiro encadeia suas passagens por jornais cariocas nos anos 1960/70 com ficção, contando episódios reais de cobertura e edição das histórias que mais interessavam ao público de então, como a 'caçada' ao bandido Cara de Cavalo, desmistificando lendas difundidas nas redações. Por que Pinheiro, Carrero e Lima serão mantidos próximos? Ora, porque a seção de ficção brasileira é uma das que mais viaja entre as prateleiras, pois a todo momento há uma renovação de títulos - sejam lançamentos ou edições mais recentes, com estudos, introduções caprichadas etc.




Embora os thrillers tenham ganhado espaço VIP em meu quarto, espraiando-se por uma estante só para eles, está chegando o tempo de serem transferidos para outra, maior, onde hoje são as seções de bibliofilia ("livros sobre livros"), estudos literários, comunicação/jornalismo, esportes, sociologia, religiões e lendas europeias, africanas e asiáticas. Por isso, "A garota anônima" (Faro Editorial, R$ 34,90), suspense de Greer Hendricks e Sarah Pekkanen, sobre o envolvimento de uma jovem maquiadora no que ela pensa ser um experimento de uma psicóloga quanto à ética atualidade, estará provisoriamente sobre a pilha que se amontoa em cima de minha mesa de trabalho, servindo de apoio informal para o mouse e meu braço, reduzindo a tendinite.






Em "A biblioteca, à noite" (Companhia das Letras, R$ 54,90), Alberto Manguel conta que, ao montar o que deveria ser a morada definitiva para seus 40 mil livros, no interior da França, imaginava "estantes que começassem à altura do quadril e subissem apenas até onde chegasse a ponta dos dedos" do braço estendido. Livros "condenados a alturas que pedem escadas ou a profundezas que obriguem o leitor a rastejar acabam por receber muito menos atenção que seus companheiros à meia altura, seja qual for seu assunto ou mérito", afirma. Por falta de espaço para expandir horizontalmente as prateleiras, Manguel, que hoje é o presidente da Biblioteca Nacional da Argentina, teve que se contentar em empilhar livros até o teto. E, claro, encaixotar tudo outra vez na mudança da França para a Argentina.



* Olga de Mello é jornalista, cronista, crítica literária e escreve aos sábados em Conexão Jornalismo.

 

Veja também:

>> Quando vamos começar a falar sobre as apostas que manipulam o futebol?

>> Mundo pós-covid: o fim do turismo de negócios e Saúde remota - saiba mais

>> Não é piada: Boulos se torna réu por ocupação do tríplex do Guarujá

>> Vergonha: Brasil volta a bater recorde de mortos por covid e não fala em lockdown

>> Danilo Gentili diz que Marcius Melhem quer silenciá-lo

 
  • Enviar para um amigo
  •  
  • Compartilhar no Twitter
  •  
  • Compartilhar no Facebook
  •  
  •  
  •  comentário(s)
  •  
 
Crítica & Literatura: Quem mandou gostar de ler
 

Copyright 2021 - WebRadio Programa Conexão - Todos os direitos reservados

Desenvolvido por Go2web

Está no seu momento de descanso né? Entao clique aqui!