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Sábado, 03 de Março de 2018

Crítica & Literatura: Os livros do Oscar 2018

Os livros do Oscar



Por Olga de Mello*

Neste domingo, tem premiação em Hollywood, e, como todo ano, entre os concorrentes, há diversas - quase vinte!!! - adaptações cinematográficas de livros - sem falar nas onipresentes produções baseadas em quadrinhos. Há livros e filmes para todos os gostos e idades, começando pelo simpático "O touro Ferdinando" (Intrínseca, R$ 39,90), de Munro Leaf e Robert Lawson, que se tornou popular pelo curta da Disney de 1938 e agora virou animação assinada pelo brasileiro Carlos Saldanha, e a mais recente montagem de "A Bela e a Fera" (Zahar, R$ 32,90), que na caprichada edição da coleção Clássicos Zahar traz duas das mais antigas versões da lenda, de 1740 e 1756.





Histórias românticas continuam encantando o público, entre elas "A forma da água"(Intrínseca, R$ 39,90), de Guillermo Del Toro, e "Me chame pelo seu nome" (Intrínseca, R$ 39,90), de André Aciman, ambas falando sobre paixões que desafiam as convenções.





Del Toro traz o confronto do amor com a insensibilidade política ao contar o romance de uma faxineira e um homem-peixe aprisionado por norte-americanos em plena Guerra Fria. Já Aciman mostra a doçura amarga do primeiro amor entre dois rapazes, um italiano e um americano, durante um verão na Itália, no início dos anos 1980.





Abrir mão de um pouco de "Todo o dinheiro do mundo" (Harper Collins, R$ 39,90) era dramático para o bilionário americano John Paul Getty, que levou meses até pagar o resgate pelo neto de 16 anos, sequestrado na Itália, em 1973. Getty capitulou quando os sequestradores lhe enviaram uma mecha dos cabelos e uma orelha do rapaz como "prova de vida".






Mesmo assim, conseguiu regatear valores, como conta John Pearson no livro que rendeu a indicação do veteraníssimo Christopher Plummer ao Oscar de melhor ator coadjuvante. Dinheiro também é a mola mestra de "A grande jogada" (Intrínseca, 39,90), autobiografia de Molly Bloom, a "Princesa do Pôquer", que ganhou fortuna e prestígio montando mesas de jogo ilegal para celebridades de Hollywood.





A Segunda Guerra Mundial continua inspirando o cinema. Na safra deste ano estão "O destino de uma nação" (Crítica, R$ 49,90), de Anthony McCarten, e "Dunkirk, a história real por trás do filme" (Harper Collins, R$ 29,90), de Joshua Levine. O primeiro mostra as decisões estratégicas do primeiro-ministro inglês, Winston Churchill, tomando a dianteira da resistência aos nazistas. O segundo tem subtítulo explicativo. O diretor Christopher Nolan contou com a consultoria do historiador Levine para montar seu filme sobre a retirada de 300 mil homens das tropas aliadas da praia de Dunquerque, na costa da França, ao longo de dois meses, em 1940.






Ainda entre os concorrentes o novo "Blade Runner", que continua a lidar com os dramas existenciais do primeiro filme, baseado em "Androides sonham com ovelhas elétricas?" (Aleph, R$ 29,90), de Phillip Dick, que conta a busca do caçador de recompensas Rick Deckard por seis androides fugitivos. Fora do Oscar, já chegou ao mercado brasileiro a nova edição de "A Livraria" (Bertrand Brasil, R$ 32,90), de Penelope Fitzgerald, finalista do Booker Prize, quando lançado em 1978. O filme de Isabel Coixet, com elenco todo britânico, acaba de conquistar o Goya, o maior prêmio do cinema espanhol, ao mostrar a luta do arcaico contra o novo na batalha da protagonista para abrir uma livraria numa cidadezinha na costa da Inglaterra.



*Olga de Mello é jornalista, cronista, crítica literária e escreve aos sábados em Conexão Jornalismo

 

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