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Sábado, 13 de Março de 2021

Crítica & Literatura: O fim de um caso amoroso literário

Por Olga de Mello

O fim de um caso amoroso literário só é compreendido por quem se identifica com a famosa conclusão do conto "Felicidade clandestina", de Clarice Lispector: "Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante". Chegar ao momento da separação de um livro, de um autor, de um personagem é melancólico para o leitor que se deixou levar pela paixão por algum tempo. Quando o autor cria um personagem que usará em diversas histórias, esse amor foi cultivado, alimentado, cortejado até se transformar no porto seguro entre narrativas não tão inebriantes.

Aconteceu comigo e com Salvo Montalbano, o comissário italiano criado por Andrea Camilleri. A paixão literária não se confunde com as reais, porque mistura ao protagonista tudo o que o cerca: o cenário, os coadjuvantes - no caso, os outros policiais da delegacia de Vigàta, uma cidadezinha litorânea na Sicília, os mafiosos que dominam a região, o jornalista amigo, a eterna noiva que mora em Gênova. E como as boas paixões, custou a me conquistar.

Meu primeiro contato com Camilleri foi por um de seus romances históricos, gênero que só me seduz se tem a grife de Alexandre Dumas - se bem que nunca li seus livros como romances históricos, já que a História apenas serve de ambientação para suas tramas -, ou, mais recentemente, Vargas Llosa com o sensacional "Tempos ásperos" (Alfaguara, R$ 47,91), em que didaticamente apresenta a montagem dos golpes de estado em países latino-americanos orquestrados pelos interesses econômicos dos Estados Unidos. Refere-se especificamente à situação na Guatemala nos anos 1950, quando a reforma agrária promovida pelo governo democrático entrou em choque com as intenções da poderosa United Fruit Company, que monopolizava o plantio e comércio de bananas local.

O peruano Mario Vargas Llosa, Nobel de Literatura em 2010, persona non grata para muitos círculos intelectuais por suas contraditórias ideias políticas (renegou a simpatia pelo comunismo, contrário à prisão de escritores anticastristas em Cuba, defende o que chama de "liberalismo radical"), sabe como poucos apontar com sarcasmo e precisão os desmandos na politicagem latino-americana. A interferência externa para a ascensão das ditaduras na região marcam diversos de seus romances.



Este, além de expor de forma envolvente o xadrez geopolítico, tem um bônus realista: o recente encontro do escritor, nos Estados Unidos, com a ex-amante de um dos ditadores guatemaltecos até sua queda, quando se pôs sob a proteção do homem forte da República Dominicana, Trujillo. "Tempos ásperos" foi um dos consolos para o fim do caso com as aventuras do comissário Montalbano, pelo menos as publicadas no Brasil.

Li tudo salteado, o que foi lançado pela Coleção Negra, da Record, só de livros policiais. Apenas e tão somente quinze dos 27 romances, novelas e contos com Montalbano e sua turma. Ao perder o objeto da paixão é necessário correr atrás de tudo que remeta à obsessão. No caso, iniciar a busca das histórias faltantes, em outros idiomas que não o italiano original, já que há muito dialeto nos diálogos, pouco compreensíveis para os de outras plagas. Provavelmente, a busca levará a traduções em inglês.

É um momento de tocar a vida para a frente. O derradeiro encontro se deu com a leitura de três novelas curtas - ou três contos longos - que compõem "O primeiro caso de Montalbano". O que dá título ao volume traz um estranho caso resolvido pelo jovem comissário durante sua mudança para Vigàta, aparentemente em 1985.

Nenhum dos contos se baseia "em delitos de sangue", explica o autor, que comenta, num posfácio: "As vítimas de assassinato, nas minhas histórias, sempre foram um pretexto". Para bom entendedor, pretexto que mostra o estranho equilíbrio de uma sociedade em que o crime organizado domina todas as instâncias políticas e é respeitado como autoridade até pelo Estado. Montalbano, um policial incorruptível, só capítula diante da boa mesa e, algumas vezes, quando se depara com alguma bela mulher, embora, para padrões flexíveis, se mantenha fiel à Lívia, com quem briga religiosamente ao telefone pelo menos uma vez por semana. A versão humanizada da investigação policial não parou em Simenon. O problema é que Camilleri morreu. E o leitor, como fica?



* Olga de Mello é jornalista, cronista, crítica literária e escreve aos sábados em Conexão Jornalismo

 

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