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Sábado, 27 de Junho de 2020

Crítica & Literatura: Na pandemia, leia o que bem entender!

Na pandemia, leia o que bem entender!




Por Olga de Mello*

Nesses tempos de adiamento da vida, quem pode fica enclausurado, vendo filmes e lendo. Há os que buscam leituras sérias, clássicos jamais enfrentados antes, aproveitando para reciclar seus conhecimentos. Definitivamente não estou entre os que pretendem desbravar A Odisseia às vésperas do apocalipse zumbi. Leio um bocado, sem qualquer compromisso com os um tanto escassos lançamentos do mercado, menos ainda em aprimorar minha parca erudição. A indeterminação deste período, que não sabemos como nem quando acaba, é suficiente para decidir a desordem do pensamento e a busca do mais egoísta prazer solitário.





Claro que policiais não faltam, com destaque para a releitura de duas saborosas (como sempre) aventuras do Inspetor Montalbano - A paciência da aranha (Record, R$ 44,90) e O cão de terracota (BestBolso, R$ 15), do maravilhoso Andrea Cammilleri, que deu ao thriller contemporâneo um humor deixado de lado desde a era de ouro do suspense literário. Também mereceram releitura - e decepção - duas novelas menores de Agatha Christie. Gosto da Inglaterra literária de Christie, sofisticada, com belos jardins e segredos tenebrosos sob paredes de mansões aristocráticas, mas reconheço que sua imensa produção tem obras-primas literárias e outras dispensáveis.







Qualquer autor é irregular - aí está o encanto da criação. Um de quem menos espero novidades é o norueguês Jo Nesbø, com suas paisagens frias. Prefiro as histórias que não têm o detetive Harry Hole tocando a investigação, pois, em vez de estender-se sobre os problemas do proagonista mulherengo e alcoólatra, Nesbø trabalha outros personagens e bons enredos. O filho (Record, R$ 44,90) tem um jovem anti-herói presidiário inteligentíssimo em busca do assassino do pai.








Na vida real, a geração de renda pela criminalidade se infiltra na política de diversos países. A máquina da lama - Histórias da Itália de hoje (Companhia das Letras, R$ 32), do jornalista Roberto Saviano, que vive sob proteção policial por denunciar as organizações de crime organizado italianas, recorda a luta do Estado para desbaratar as quadrilhas nos anos 1980, e a resistência da  Máfia, da Camorra e da 'Ndrangheta, influentes em quase todos os estratos sociais do país. No prefácio da edição brasileira, em 2012, Saviano lamenta que o Brasil não seja conhecido apenas pela excelência de seu futebol, mas por ter se tornado o porto de distribuição de cocaína para a Europa.




A quarentena, que já passa dos 100 dias, abriu uma fase italiana em minhas leituras, insuflada pelo lançamento de A vida mentirosa dos adultos (Intrínseca, R$ 54,90), de Elena Ferrante. É daqueles livros que "acaba rápido". Um leitor contumaz devora as mais de 400 páginas em menos de três dias. Nos anos 1990, uma pré-adolescente, filha de um casal de intelectuais de classe média, descobre que seus adorados pais podem ser dominados pelas paixões com a imaturidade e o descompromisso dos jovens. Ao ser comparada com uma tia, exemplo de feiura e de tudo que há de ruim na humanidade, a menina passa a desvendar segredos de família, enquanto estabelece um círculo de amizades diferente do que os pais lhe apresentaram. O livro deve chegar às livrarias em agosto.


Para me consolar do banzo com o fim da leitura de Ferrante, ataquei Segredos, de Domenico Starnone (Todavia, R$ 59,90), que mais uma vez usa três narradores diferentes para mostrar a ambiguidade de seus personagens. Novamente, fica claro o destaque do protagonista na narrativa: as lembranças de um professor que é alçado à fama por suas ideias sobre o papel da escola na formação do indivíduo ganham mais espaço do que os relatos de outros personagens. Se Ferrante (pseudônimo da escritora que seria a tradutora Anita Raja, casada com Starnone) investiga a alma feminina sob a ótica da mulher madura, Starnone fala com extraordinário brilho sobre o intelectual no envelhecimento. Apontado como o "verdadeiro" Elena Ferrante, cujos livros venderam mais de 12 milhões de cópias no mundo inteiro, Starnone nega a autoria e se limita a comentar sua própria obra, dominada por homens em dúvida a respeito das próprias qualidades e conquistas. Nos pequenos detalhes de incompreensão quanto as atitudes de cada personagem, pincela um quadro de imensa atualidade: a vã busca por significados e sabedoria que se perde diante das exigências do viver.



* Olga de Mello é jornalista, cronista, crítica literária e escreve aos sábados em Conexão Jornalismo.

 

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