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Sábado, 19 de Setembro de 2020

Crítica & Literatura: Feminismo e Feitiçaria

Por Olga de Mello*

Junto com o racismo, a misoginia permanece como um dos preconceitos mais arraigados em quase todas as sociedades do planeta. A nova edição brasileira de Malleus Maleficarum - O martelo das feiticeiras (Rosa dos Tempos, R$ 74,90), o manual que os padres dominicanos Heinrich Kramer e James Sprenger conceberam em 1450 para nortear os processos contra acusados de bruxaria, traz os pilares desse cultivo da misoginia.

A perseguição aos pecadores pela Inquisição, iniciada pela Igreja Católica Romana a Idade Média, teve como principais vítimas as mulheres e quem não seguia o catolicismo, notadamente os judeus. Professores de teologia, ambos foram inquisidores atuantes, os alemães Kramer e Sprenger foram incumbidos pelo papa Inocêncio VIII de redigir uma normatização processual para os casos de bruxaria - que vigoraria como Bíblia da Inquisição durante três séculos e seria usado até por líderes protestantes.














Embora popularíssimo, o Malleus Maleficarum foi rejeitado pela Cúria Romana, que o incluiu, em 1490, no Index, a lista dos livros de leitura proibida pela Igreja. No entanto, edições clandestinas em países que já dominavam a reprodução impressa ajudaram a difundir a tese de que a mulher é um ser instintivamente pecador, pronto a seduzir o homem para que incorra no pecado.

No prefácio da primeira edição do livro no Brasil, Rose Marie Muraro, fundadora da Rosa dos Tempos, primeira casa editorial voltada para o feminismo no país, recorda a histórica rejeição às mulheres a partir dos primeiros assentamentos de hominídeos.

"Se nas culturas de coleta as mulheres eram quase sagradas" por sua fertilidade e "estimuladoras da fecundidade da natureza", na sociedade sedentária, "por sua capacidade orgástica", tornam-se "as causadoras de todos os flagelos a essa mesma natureza", diz a escritora.

A intensificação da perseguição às bruxas ao longo de quatro séculos, de acordo com Rose Marie Muraro, foi uma estratégia bem planejada das classes dominantes para a centralização do poder e a estruturação do patriarcado. Embora não haja um número fechado quanto aos acusados de prática de bruxaria, estudos apontam que 85% desses réus eram mulheres. Em das aldeias da região alemã hoje conhecida como Colônia, em 1485, restaram apenas quatro mulheres moradoras, depois de um processo de bruxaria.



Além de instruções sobre métodos de tortura para obter confissões de delitos, o guia assinado pelos dois dominicanos atribui às mulheres a maioria dos males que podem afetar os homens, incluindo a impotência. São elas que se relacionam sexualmente com o demônio e, assim, espalham o mal e destroem o cristianismo, principalmente as solteiras, viúvas, pobres e idosas.
O manual, diz Rose Marie Muraro, normatizou o comportamento de homens e mulheres europeus, tanto no âmbito público quanto no particular.







Seis séculos depois de lançado o Malleus Maleficarum, o feminismo e a igualdade entre os sexos ainda são invocados como argumentos para a dissolução social por políticos conservadores. A contestação à submissão pelas mulheres é um dos temas da escritora Elena Ferrante, cujo último romance A vida mentirosa dos adultos (Intrínseca, R$ 43,90), discute essa questão através de personagens multifacetados - e pouco simpáticos - na Nápoles do fim do século XX. A narradora, a adolescente Giovanna, aos doze anos, ouve o pai compará-la a uma tia que a menina não conhece pessoalmente. Ao decidir encontrar a tia, a menina se depara com um novo universo, que pode incorporar a seu cotidiano de classe média alta, descobrindo o quanto a verdade é camuflada em diferentes fases da existência. Nascida no meio intelectualizado, Giovanna é levada a romper com a proteção da família e a admiração apaixonada pelos pais para buscar seu próprio crescimento.

Depois da tetralogia iniciada por A amiga genial (Biblioteca Azul, R$ 119 - os quatro volumes), dificilmente Elena Ferrante oferecerá outros retratos tão profundos e arrebatadores sobre a individualidade feminina. Mesmo assim, seu estilo continua hipnotizando os leitores. É praticamente impossível largar as 450 páginas do volume antes da conclusão da saga de Giovanna. Em outras épocas, poderia ser processada por feitiçaria.



* Olga de Mello é jornalista, cronista, crítica literária e escreve aos sábados em Conexão Jornalismo.

 

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