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Domingo, 29 de Dezembro de 2019

Crítica & Literatura: Clássicos para os novos tempos

Clássicos para os novos tempos



Por Olga de Mello*

2019 foi um ano tão atípico - até o verão carioca custou a dar as caras - que nada melhor do que encerrá-lo reencontrando leituras "clássicas". Segundo Italo Calvino, os clássicos são aqueles livros que geralmente estão sendo relidos. Isso, explica Calvino no início de Por que ler os clássicos (Companhia das Letras, R$ 30,90), acontece pelo menos quem se considera "grande leitor" e não se aplica aos jovens, que vivem a idade em que "o encontro com o mundo e com os clássicos como parte do mundo vale exatamente enquanto primeiro encontro". Mais adiante, ele acrescente que a releitura de um clássico na maturidade é tão empolgante como sua leitura na juventude. Essa seria uma das definições de clássico.



Muitos especialistas apontam novos livros como "clássicos modernos", desprezando, talvez, a necessária distância histórica mínima de 50 anos desde o lançamento para consagrar um título. Afinal, há autores que entram e saem de moda como bebidas alcoólicas. Gim, que era popular nos anos 1960, acaba de ser redescoberto. O mesmo pode acontecer com o Prêmio Nobel de Literatura de 1946, Herman Hesse, que já foi o queridinho da contracultura nas décadas de 1960 e 1970, e que, na primeira metade do século XX, apresentou o Zen Budismo ao Ocidente. Romântico, espiritualista e um mestre da criação literária, o alemão de nascimento - e suíço por naturalização - Hesse popularizou o pensamento oriental através de práticas como a meditação e o jejum em diversas obras, entre elas Sidarta (Record, R$ 71,90).


A visão de Hesse sobre a trajetória do Buda, da juventude privilegiada até a maturidade, quando encontra na simplicidade a fórmula do bem viver, é habilmente traçada por Hesse, sem oferecer certezas para as dúvidas existenciais. A leitura dessa anti-autoajuda, que ganhou uma belíssima nova edição com capa dura coberta de mandalas em dourado, pode ajudar quem busca compreender os estranhos rumos do planeta, onde a incerteza, a barbárie e a desigualdade assomam tristemente, sem sepultar, no entanto, a esperança de tempos menos obscuros.

Que 2020 seja mais leve e divertido!




* Olga de Mello é jornalista, cronista, crítica literária e escreve em Conexão Jornalismo

 

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