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Domingo, 30 de Julho de 2017

André Borges: a história do homem que fugiu da prisão para fazer a luta

Da Redação

O Jornal O Globo na sua edição deste domingo (30 de julho) mostra o quanto a leitura tem mudado a vida de prisioneiros no Rio. Curiosamente, foi este hábito, iniciado há décadas, que encheu de ideologia e determinação o então presidiário André Borges, à época com seus 25 anos. Com a consciência social e política advinda da leitura, André fugiria da prisão para ingressar na luta armada durante a década de 60. Esta semana, o autor desta façanha vai lançar um livro que retrata este momento peculiar da vida deste brasileiro. Será no próximo dia 8, uma terça-feira, no Bar e Café Lamas, no Flamengo.

A trajetória de André Borges é para lá de instigante. Preso em abril de 1958, aos 25 anos, por assalto a mão armada, escapou de ser assassinado pelo temível Esquadrão da Morte, por ordem do general Amaury Kruell, chefe de polícia do então Distrito Federal, que atrás de seus diabólicos, frios e cintilantes olhos azuis, ordenara aos seus comandados:

-Leva ele para enfrentar o noturno.

Esta era a senha para levar presos que seriam submetidos a tortura e outras sevícias para a prisão de Rio Bonito. Ali, depois de espremidos para que delatassem esquemas e comparsas, em geral eram mortos e tinham os corpos abandonados na linha férrea ou no leito de rios.

André Borges
André Borges  


Seu destino não repetiu o de tantos internos por uma ação jurídica. Um advogado impetrou pedido de habeas corpus. E com as visitas judiciais indispensáveis para análise do caso, a morte foi sendo adiada. Após iniciar um ciclo de prisões que chegaria a 21 anos no total, André foi parar na Penitenciária Lemos de Brito, considerada um estabelecimento penal modelo.

Seu assessor de imprensa, o jornalista Adilson Gonçalves, faz uma observação pontual sobre esta prisão: negros retintos eram poucos naquele estabelecimento prisional.

A vida de presidiário o levou a prática da leitura de livros. A partir daí as coisas foram se encadeando na sua vida: o embasamento cultural o levou à conscientização política e, embora tivesse sido preso por um crime comum, fez com que ele passasse atuar na militância política, ainda que intra-muros, tornando-se assim o elo entre os presos comuns e os políticos. Estes já começavam a ser alojados no sistema carcerário durante a conturbada década de 60.

Sua inserção entre os grupos de esquerda os uniu formando um coletivo carcerário, responsável por várias reivindicações, algumas vezes fazendo greve de fome e saindo vitorioso em várias delas.

Entre os vários cursos feitos por André durante o período de reclusão, destaca-se o de jornalismo, criado pelo jornalista Flávio Castelar, também preso, ministrado naquela unidade penal, em meados daquela década, por alguns jornalistas, como Zuenir Ventura e Paulo Henrique Amorim, na ocasião repórteres da Revista Realidade.



O curso fez de André Borges o jornalista responsável pela publicação interna de O Encontro. Ele ainda conquistou o 1° lugar em um Festival de Poesias do Sistema Carcerário, transmitido ao vivo pela extinta TV Tupi, produzindo festivais de música, peças de teatro e outras atividades culturais e sociais, em prol do coletivo carcerário.

Com o acirramento da luta política, a militância dentro da cadeia já não o satisfazia. Apesar de ser um detento considerado de bom comportamento, com livre trânsito dentro daquela unidade carcerária, em 26 de maio de 1969, empreendeu uma fuga cinematográfica da Penitenciária Lemos de Brito, em um final de tarde de uma segunda feira.

O objetivo era participar ativamente da luta armada. Da fuga, que foi manchete durante dias na imprensa carioca, participaram 10 presos, sendo sete deles políticos e três comuns - André era um dos comuns. Esse ato revolucionário
revelou às pessoas que se mantinham alheias ao clima político reinante no país, que o sistema ditatorial era contestado, rompendo assim a censura imposta aos meios de comunicação.

André Borges
André Borges  


A liberdade durou apenas dois meses, ao ser preso após uma expropriação (assalto para financiar a luta armada) ao Banco Nacional em Vista Alegre. Além do embasamento cultural e da consciência política adquirida, a prisão fez com que ele transpusesse o muro existente entre a denominação de preso comum (chamado pelos agentes penitenciários de vagabundos) e preso político (subversivo). Agora, de fato, era um preso político.

A fuga e recaptura, fez com que a repressão não mantivesse mais os presos políticos em uma área urbana, enviando-os para o presídio da Ilha Grande. Ali mais torturas físicas e psicológicas, divisão dos grupos de presos opositores do regime militar, a disputa (algumas vezes autofágicas) pela hegemonia política dentro do pavilhão - foram passadas, até culminar em novas transferências e na sonhada libertação.

Ao sair da prisão, sua primeira atividade foi ler o manifesto de greve de fome dos presos políticos exigindo anistia em ato histórico realizado no Teatro Casa Grande. Um mês depois, foi assinado o Decreto-Lei 6683/79, instituindo anistia política aos opositores do regime.



André Borges é um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT). Com a vitória de Leonel Brizola, tornou-se assessor da direção do Desipe. Achava que a experiência com os anos de reclusão seria útil na defesa dos direitos humanos no sistema carcerário. No entanto, a volta ao sistema carcerário com autoridade constituída, em uma posição hierárquica superior àqueles que pouco tempo antes o espancavam, provocou controvérsias.

Mas uma reação a esta nomeação não tardou. Agentes penitenciários viram seu nome como uma afronta e receberam apoio dos meios de comunicação. A mídia, especialmente a que fazia oposição a Brizola, abanaram a história com a seguinte pergunta: "Como pode um criminoso, ex-presidiário, ser detentor de poder dentro do sistema carcerário?"

André Borges
André Borges  


Apesar da resistência, Brizola o manteve no cargo até que mais tarde fosse transferido para a Secretaria Estadual de Justiça, a qual estava subordinado o Departamento de Sistema Penitenciário.

Em seus 21 anos de reclusão, André conheceu pessoas de destaque no mundo artístico. Uma delas foi a atriz Ângela Leal, então estudante de Direito que estagiou na Divisão Jurídica do Sistema Penitenciário que dava assistência jurídica aos detentos. Outra personalidade foi a atriz e escritora Neila Tavares, responsável pela edição do livro Poesia na Prisão - uma coletânea de vários autores presos. Neila também conseguiu algo inédito: a transmissão inédita, ao vivo, do Festival de Poesias, realizado no interior da penitenciária, cujo prêmio foi conquistado por André Borges.



Uma memória registrada no livro diz respeito ao lendário assaltante de bancos carioca, Lúcio Flávio (que virou tema de filme); Certa vez o criminoso lhe revelou algo que soou como um quase arrependimento:

- André, teria sido melhor ter canalizado a minha revolta para a participação no enfrentamento ao regime militar, do que assaltar bancos, mas mesmo assim, estou do lado de vocês - disse.

Além de ser um dos fundadores do PDT, André participou também da criação da Confederação Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB). Atualmente, é Vice-presidente do Instituto Palmares de Direitos Humanos (IPDH) no Rio de Janeiro, ligado à questão racial, Diretor cultural da Casa da América Latina e
Coordenador Estadual-Adjunto do Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH).

 

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