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Quinta-feira, 11 de Abril de 2019

Tenente do Exército deu início aos 80 tiros que mataram músico no Rio

80 tiros contra o carro de um suspeito - criminoso
80 tiros contra o carro de um suspeito - criminoso

O mais graduado e único oficial entre os atiradores foi o responsável pelo início do massacre ao qual foi submetida a família do músico Evaldo dos Santos. Tenente do Exército, Ítalo da Silva Nunes Romualdo é por isso o único oficial entre os nove militares presos pelo fuzilamento do inocente. A informação, divulgada pelo jornal Extra, veio à tona nos depoimentos dos militares ao Exército prestados na madrugada do último domingo. Os outros oito agentes, também presos, que admitiram ter feito disparos, disseram que só apertaram o gatilho depois que o agente de patente mais alta atirou. Os militares também alegaram ter ouvidos barulhos semelhantes a disparos antes de começarem a atirar.



Nesta quarta-feira (10), os nove agentes que admitiram ter feito os disparos tiveram a prisão preventiva decretada pela juíza Mariana Queiroz Aquino Campos, da 1ª Auditoria Militar do Rio. Na madrugada do mesmo dia, o ministro da Justiça, banalizou a ação a qual se referiu como sendo um "incidente". Sua manifestação, tardia, ocorreu durante o programa do Bial, na Rede Globo.

Por decisão de Mariana Queiroz Aquino Campos, o soldado Leonardo Delfino Costa, único entre os militares a afirmar que não fez disparos, foi solto. A perícia feita pela Polícia Civil no carro encontrou marcas de mais de 80 disparos no carro do músico. Não havia armas ou drogas no veículo.

Em seus depoimentos, todos os militares afirmaram que confundiram o carro do médico com um outro veículo cujos ocupantes haviam trocado tiros com os agentes na manhã do mesmo dia. Ainda segundo os relatos, o confronto aconteceu por volta das 11h da manhã e deixou marcas de tiros nos blindados usados pelo grupo. Após a troca de tiros, o grupo foi almoçar e voltou ao mesmo local na parte da tarde. O crime aconteceu pouco depois das 15h.

- Eles não checaram a placa do carro e começaram a atirar. Não teve um comando para atirar. Atirou quem quis - afirmou o procurador Luciano Gorrilhas, responsável por pedir à Justiça a manutenção da prisão dos nove agentes.

Foto do perfil de Chistina Tavares, do Instagram
Foto do perfil de Chistina Tavares, do Instagram  


Seguem presos, além do tenente, o sargento Fábio Henrique Souza Braz da Silva e os soldados Gabriel Christian Honorato, Matheus Santanna Claudino, Marlon Conceição da Silva, João Lucas da Costa Gonçalo, Leonardo Oliveira de Souza, Gabriel da Silva de Barros Lins e Vítor Borges de Oliveira. Todos os militares são lotados no 1º Batalhão de Infantaria Motorizado, na Vila Militar.

A primeira nota do Exército chamou a atenção. Ela endossava a ação desastrada do Exército afirmando que teriam reagido a uma agressão. Horas depois ficou constatada a ação criminosa dos militares.

Os agentes foram presos em flagrante pelo crime de inobservância de lei, regulamento ou instrução, com pena máxima de seis meses de detenção por terem descumprido regras de engajamento, ou seja, atirarem sem terem sido alvos de ameaça.

Durante a audiência, entretanto, o Ministério Público Militar (MPM) pediu à Justiça que os militares respondam pelo homicídio do músico e por tentativas de homicídio contra os outros membros de sua família e do catador de material reciclável Luciano Macedo, baleado quando tentava ajudar as vítimas. Ele segue internado no Hospital Carlos Chagas.

Paulo Henrique Pinto de Mello, advogado dos dez réus, disse que as famílias dos militares estão sendo ameaçadas:

- Todos os militares não são novos na Força, não são recrutas, mas moram em favelas e suas famílias estão sendo ameaçadas. A prisão é ilegal, porque o artigo do CPM (Código Penal Militar) pelo qual eles foram presos (inobservância de lei, regulamento ou instrução) sequer prevê pena de prisão.

 

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