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Segunda-feira, 09 de Outubro de 2017

PF impediu que padres levassem conforto espiritual a reitor da UFSC

Da Redação


O escárnio do abuso de autoridade da Polícia Federal, e quiçá da Justiça Federal, chegou ao limite da fé. Segundo o religioso que rezou missa de sétimo dia pela alma do reitor morto em consequência de suicídio em Santa Catarina, a polícia vetou até mesmo a visita destinada a conforto espiritual que pretendiam fazer a Luiz Carlos Cancellier. Por que fez isso? Certamente não haverá uma autoridade disposta a revelar ou se expor. Mas a gente sabe: José Eduardo Cardozo deu a eles uma liberdade desenfreada que até hoje mostra as consequências. Como ministro da Justiça não conseguiu nem mesmo conter a onda de vazamentos. Está lá o corpo estendido no chão - como diz o samba de Aldir Blanc e João Bosco.




Padres denunciam: PF negou direito de apoio espiritual a reitor

(por Raquel Wandelli, dos Jornalistas Livres)

Ao celebrar missa em homenagem ao reitor Luiz Carlos Cancellier hoje pela manhã, no Templo Ecumênico da UFSC, o padre William Barbosa Vianna fez uma denúncia espantosa: ele e outro religioso foram impedidos ao menos quatro vezes pela Polícia Federal de oferecer apoio ao reitor, que foi preso, algemado nu, submetido a exame interno vexatório e encarcerado sem processo judicial. Segundo o padre, a Polícia Federal também proibiu a Pastoral Carcerária de visitá-lo no dia da prisão, em 14 de setembro.

Nos dias seguintes, quando a prisão de Cancellier foi relaxada, mas a juíza responsável o manteve exilado da universidade e recolhido em reclusão domiciliar noturna, os padres novamente tentaram socorrê-lo, conta Vianna. Sabiam do seu abalo emocional, mas novamente não obtiveram permissão para visitá-lo. "É preciso lembrar que o direito à assistência religiosa é garantido pelo artigo V da Constituição", afirmou o pároco, assessor da Pastoral Universitária da UFSC, fazendo uma revelação que assombrou a própria família do reitor, levado ao suicídio após vergonhoso processo de linchamento moral pela chamada Operação Ouvidos Moucos. Até então, sabia-se apenas que o dirigente máximo da UFSC estava privado do apoio de amigos, principalmente de pessoas de sua convivência na gestão da universidade. O pároco leu para o público o artigo V da Constituição, inciso VII: "É assegurada, nos termos da lei, a prestação de assistência religiosa nas entidades civis e militares de internação coletiva".

As cerca de 200 pessoas presentes à cerimônia aplaudiram de pé quando o irmão do reitor, Júlio Cancelier, se disse chocado e surpreendido com a revelação do padre sobre a recusa ao direito de ajuda espiritual. Júlio solicitou à reitora em exercício, Alacoque Lorenzini Erdmann, que apure a verdade e instaure processo para averiguar as calúnias apresentadas contra o reitor no processo calunioso patrocinado pela Polícia Federal, Corregedoria da UFSC e grande parte da mídia comercial. Sem disfarçar a consternação, William Vianna, que além de padre é professor e chefe do Departamento de Ciências da Informação da UFSC, lembrou que há muitos anos a Pastoral Carcerária já vem avisando sobre os abusos nas revistas vexatórias a mães, filhas e familiares em geral dos presos.

Uma ampla frente de forças progressistas chamada "Floripa contra o estado de exceção" está se mobilizando para fazer do suicídio do reitor um caso exemplar contra o estado terrorista e fascista que pratica o desrespeito total aos direitos de defesa e usa campanhas de difamação para atacar as instituições públicas. "Queremos a volta da democracia e do estado democrático de direito", afirma o professor e diretor do Centro de Ciências Jurídicas, Ubaldo Baltazar. Iniciado às 11 horas, o Culto Ecumênico foi organizado pelo Grupo de Oração Universitária e Pastoral da Juventude e teve a participação do Grupo Shalon e Emaús, como símbolo da pluralidade e interculturalidade religiosa que deve, segundo o Vianna, reinar em uma universidade.

Na terça-feira, às 14 horas, haverá Reunião do Conselho Universitário para decidir a continuidade da gestão. Como o professor faleceu antes de completar metade do mandato, é possível que sejam convocadas novas eleições, embora haja polêmica na interpretação do estatuto. Conforme o chefe de gabinete, Áureo Moraes, as eleições só ocorrem quando os cargos de reitor e de vice ficam vagos.

 

Veja também:

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