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Reportagem Especial

 

Quinta-feira, 05 de Fevereiro de 2015

Como enfrentar a falta de água e energia? Entrevista com especialistas da UFRJ e da PUC

Por Rogério Imbuzeiro

Conexão Jornalismo publica diariamente reportagens e artigos sobre a crise hídrica e o drama vivido por milhões de pessoas em diferentes estados. Situação que tende a se agravar nos próximos meses, após as chuvas de verão. Este ciclo ainda não trouxe a reposição de água necessária para trazer o país à normalidade.

Para aprofundar as discussões sobre esta questão que se tornou vital conversamos com dois dos principais especialistas do tema: Nivalde de Castro, professor de Economia da Universidade Federal do Rio de Janeiro e coordenador do Grupo de Estudos do Setor Elétrico (GESEL), e Reinaldo Castro Souza, professor de Engenharia Elétrica da PUC-RJ e coordenador de um projeto estratégico que está sendo desenvolvido para a Agência Nacional do Setor Elétrico (ANEEL).

À frente de suas equipes, eles tentam encontrar soluções para nossas crises. O primeiro entrevistado nos disse, logo de cara, que devemos mandar a conta para a natureza. O segundo, responsabiliza principalmente os governantes.

Os dois divergem também quanto à prioridade que se deve dar às usinas termoelétricas.

Mas se afinam na defesa das fontes alternativas de energia e de projetos voltados para a produção de energias renováveis e não poluentes, como a eólica e a solar.

Leia, ouça, saiba mais sobre esse assunto fundamental para o dia a dia e o futuro de todos nós.


Em São Paulo, após meses tapando o sol com a peneira, o governo do estado finalmente pediu a palavra e assumiu: teremos racionamento, sim, e provavelmente serão cinco dias da semana sem água e apenas dois com fornecimento liberado para a população.

Professor de Economia da UFRJ, Nivalde de Castro.
Professor de Economia da UFRJ, Nivalde de Castro.   
Mas, por que não falaram três ou quatro dias, para só depois chegar nos assustadores cinco, como costumam fazer os políticos? Ou será que teremos uma situação ainda pior do que a anunciada?

Dá para pensar nisso. Principalmente depois que um diretor da Sabesp declarou: "Saiam de São Paulo, porque aqui não vai ter água."

Pois é. Não dá para reclamar quando (parte d)a mídia cai de pau em cima das autoridades, especialmente no que se refere à crise da água. Que pode desembocar numa também seríssima crise da luz. Vide o apagão que tivemos no fim de janeiro.

Nivalde de Castro prefere usar outro termo, em vez de "hídrica", para adjetivar a crise.

- Na realidade, se é para culpar alguém, é para culpar São Pedro. Porque efetivamente o Brasil está passando por uma das piores crises hidrológicas dos últimos 80 anos, haja vista os problemas de abastecimento de água, que estão ficando cada vez mais dramáticos.

Reinaldo Castro Souza também olha para o céu, à espera da chuva tão aguardada. Mas faz questão de não poupar as autoridades. Ele diz que o problema começou quando o governo, num momento em que o nível dos reservatórios ainda era razoável mas não o ideal, resolveu reduzir o preço da tarifa de energia, principalmente para o consumidor residencial.

Professor de Energia Elétrica da PUC, Reinaldo Castro Souza.
Professor de Energia Elétrica da PUC, Reinaldo Castro Souza.  
- Aí, é lei zero da economia: o preço baixo da energia elétrica significou uma corrida aos pontos de venda para adquirir aparelhos elétricos. Ou seja, incremento do consumo.

Esta foi a consequência imediata: consumo maior de energia. A médio prazo, colheu-se outro resultado.

- Desde maio (de 2014) já tínhamos indicativos de que poderíamos estar passando por essa crise sem precedentes. Na época, a bandeira que nós levantamos foi: vamos alertar a população? Para que a população, assim como comércio e indústria, faça uso racional de energia, combata o desperdício. Mas a palavra racionamento tira votos, pelo que eu pude perceber. Agora, mais da metade do período de chuvas já se foi e... o que vai acontecer? Acho que São Pedro puxou a orelha dos governantes que apostaram muito nele.

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Mesmo com a estiagem em vários estados, mais de mil hidrelétricas estão em funcionamento no país.
Mesmo com a estiagem em vários estados, mais de mil hidrelétricas estão em funcionamento no país.  
Para o Professor Nivalde, apesar da falta de água que tanto preocupa, nossa seca é conjuntural (regional) e não estrutural. Pode-se, teoricamente, puxar energia de onde esteja chovendo para onde esteja faltando água.

Ele acredita que continua valendo a pena investir na construção de hidrelétricas, o que inclui os grandes projetos em andamento da Região Norte do país. E reclama que o planejamento da política energética brasileira enfrenta uma resistência cada vez maior de ambientalistas, principalmente quando se trata de construir usinas com reservatórios.

- Então, tem sido cada vez mais difícil você construir hidrelétricas, elas atrasam muito. O Brasil tem uma das legislações ambientais mais rigorosas e temos algumas indefinições da legislação quanto à Constituição. Uma medida de médio e longo prazo, para tornar nossa situação menos dramática, seria regulamentar rapidamente essa legislação, para que o Brasil possa aproveitar o grande potencial de rios que nós temos e construir mais hidrelétricas, porque as hidrelétricas são uma fonte de energia menos poluidora, mais sustentável e mais barata.

Obras da usina de Belo Monte, no Pará.
Obras da usina de Belo Monte, no Pará.  
O Professor Reinaldo também critica a demora na concessão das licenças ambientais, embora admita que algumas vezes a situação é mesmo delicada, em termos humanos e ecológicos.

- Eu sou pró-reservatório. Porque com reservatório você consegue de fato ter o controle e monitorar com muita precisão a questão energética. A água que está ali é uma energia assegurada que eu tenho. O problema é que o nosso potencial hidráulico, agora, ele está em regiões mais planas, então você precisa construir reservatórios e inundar regiões complexas.

O poder (caro, quase sempre poluente) das termoelétricas

Seja à base de carvão, gás, óleo combustível ou energia nuclear, as usinas termoelétricas são apontadas por Nivalde de Castro como o melhor remédio para o momento que vivemos.

- O problema não tem sido tão grave porque desde 2003 o Brasil tem construído muitas termoelétricas, que têm uma função de substituir as hidrelétricas quando há problemas de abastecimento. Elas não têm sido suficientes porque a crise chegou muito forte, com muitas hidrelétricas inativas por falta d'água. Cada vez mais, o Brasil vai ter que construir termoelétrica.

Usina termoelétrica em pleno funcionamento.
Usina termoelétrica em pleno funcionamento.  
Reinaldo Castro Souza concorda que as termoelétricas são de fato imprescindíveis neste momento, mas não pode haver uma acomodação. Elas não devem ser pensadas como alternativa de longo prazo.

- O que acontece é que hoje nós temos bastantes térmicas - ótimo. Mas e o preço que nós vamos pagar? As térmicas não vieram ao mundo para operar "na base" (no seu limite máximo). Os leilões e os contratos preveem: elas não podem funcionar assim muito tempo, elas têm que entrar em manutenção. E é o que está ocorrendo agora, muitas delas estão saindo de operação.

E ele aponta para o futuro.

- Elas vão sempre existir, porque exatamente a função delas é fazer uma complementação sempre que a energia limpa faltar. Mas a médio prazo a prioridade de investimento tem que ser em energia limpa e renovável, e isso precisa ser visto com o máximo de clareza.

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Sol e vento - a hora e a vez das forças da natureza

Os dois especialistas defendem as usinas nucleares, amplamente utilizadas no Hemisfério Norte e sem registros relevantes de acidentes desde Chernobyl, afirmam. Fukushima não entraria no rol, porque foi decorrência de uma tsunami, e ainda assim o Japão teria reagido bem aos problemas que surgiram.

Nivalde e Reinaldo também se mostram satisfeitos com o gradual progresso do país quanto à utilização das fontes alternativas de energia, como a eólica e a solar. Eles lembram que o governo tem realizado leilões que atraem cada vez mais o interesse da iniciativa privada. Nivalde destaca o imenso potencial oferecido pelo vento.

- A matriz que tem mais crescido, ampliado a participação, é a energia eólica. E ela tem sido contratada a preços muito baratos, certamente é um dos mais baratos do mundo, por conta da forma de contratação (contratos de 20 anos). E a tendência é crescer muito porque o potencial eólico no Brasil é muito grande - um potencial estimado em 400 mil megawatts, e por enquanto o Brasil tem "apenas" 120 mil megawatts de capacidade instalada. Então, ainda temos muito vento para aproveitar.

Embora apoie os investimentos nessa área, Reinaldo faz uma ressalva.

- O potencial eólico nosso é fantástico, fabuloso. A construção, também, é quase que imediata, quase da noite para o dia se constrói um parque eólico. O problema é que onde normalmente você tem intensidade e constância de vento, em geral você está longe do centro de consumo. Aí você tem que construir linha de transmissão, e aí começa o problema. Então, é um projeto de médio e longo prazo que também esbarra em questões ambientais.

Ele acredita que a energia solar será a "energia do futuro". Cada vez mais aproveitada em países mais desenvolvidos (e com bem menos sol que o Brasil), aqui ela ainda engatinha, principalmente devido ao alto custo do material.

- O solar é fantástico. A tecnologia de médio prazo que vai resolver as questões nacionais é, sem dúvida alguma, a geração fotovoltaica, ou seja, a transformação térmica em energia elétrica - e, mais importante ainda, esse é o grande potencial nosso: é você fazer a geração distribuída, ou seja, o próprio consumidor que tenha teto, que tenha um teto razoável onde você possa colocar as placas fotovoltaicas (20 metros quadrados ou 40 metros quadrados de placa), você aproveita os raios solares no período de alta insolação durante o dia, você gera para abastecer o seu consumo e você injeta na rede, e à noite você cria esse "crédito de energia".

Mas ele reconhece que o "sonho de consumo" ainda está distante da maioria dos brasileiros.

- Já existe no país, já tá regulamentado pela ANEEL, mas ainda é um investimento caro. Para você ter uma ideia, para você fazer um projeto desses, de geração distribuída, no nosso país, você investe algo em torno de 12 a 14 mil reais. Só que a redução da sua fatura, em média, para com a concessionária, ela cai de 60 a 70%. Se você paga 300 reais de conta por mês, vai passar a pagar 100. O investimento se paga em seis ou sete anos. Mas a tendência é que isso vá ficando cada vez mais barato, como já ocorre em outros países.

Mais uma razão explícita para a crise da água ter chegado aonde chegou.
Mais uma razão explícita para a crise da água ter chegado aonde chegou.  
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Como ambas, eólica e solar, são energias intermitentes (ao contrário da nuclear, produzida 24 horas por dia, 12 meses no ano), o Professor Nivalde reforça a defesa das termoelétricas.

- Insisto que o Brasil precisa ter mais usinas para garantir o equilíbrio entre a oferta e a demanda - quando não chove, quando não venta e quando não faz sol. Você constrói um parque eólico, aí você precisa ter praticamente uma termoelétrica equivalente, pra quando não ventar aquela termoelétrica funcionar.

E conclui.

- No Brasil, pelo menos hoje, nenhuma energia pode ser desperdiçada. O Brasil é dependente de todas as fontes. Todas as fontes juntas atendem à demanda. Como nós estamos numa crise hidrológica, muitas hidrelétricas não estão funcionando, mas todas as termoelétricas estão funcionando - estamos no limite. Qualquer coisa que você tire, particularmente no horário da tarde, pode dar um desequilíbrio entre oferta e demanda, que foi mais ou menos o que aconteceu na segunda-feira retrasada, naquele blecaute que a gente enfrentou no período da tarde.

Seca no Sistema Cantareira: imagem-símbolo da crise.
Seca no Sistema Cantareira: imagem-símbolo da crise.  
Reinaldo pede para voltar ao início de 2014.

- A estratégia do governo pra mim foi totalmente equivocada. 10% de redução de consumo naquela época talvez tivessem evitado que hoje nós estivéssemos ligando termoelétricas, e todas elas a pleno vapor, caríssimas e poluentes. Agora, o jeito é enfrentar a situação da melhor maneira possível. E quando o ministro diz que se chegar a 10% temos que fazer o racionamento... Chegar a 10% o nível dos reservatórios no Sudeste?! É caos!

Ele ironiza. Diz que em 2015 provavelmente teremos o racionamento por decreto mas, também, o racionamento pelo bolso... Com os aumentos de tarifa já anunciados e com os que ainda estão por vir, os consumidores terão obrigatoriamente que economizar energia. Antes tarde do que nunca.

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Ouça a entrevista que gravamos com Reinaldo Castro Souza:

 

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