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Reportagem Especial

 

Quinta-feira, 15 de Janeiro de 2015

Ato de Matar: a Indonésia que quer fuzilar o brasileiro Marco Archer

Por Rogério Imbuzeiro

Difícil de acreditar, mas é tudo verdade.
Difícil de acreditar, mas é tudo verdade.
Existe um documentário chamado O Ato de Matar. Pode-se dizer que é um filme "sobre a Indonésia". Em 50 anos de cinema, nunca vi nada mais macabro e aterrador. Um crítico escreveu que nenhuma obra de ficção que tenha descrito a humanidade mergulhada em um futuro sombrio conseguiu superar a Indonésia de hoje, mostrada no documentário.

The Act of Killing aborda o genocídio de mais de um milhão de "comunistas", cometido há meio século (1965), sob a ditadura de Suharto. Mas os protagonistas do filme, que é de 2012, são exatamente os chefes supremos das milícias que comandaram aquele massacre, com o aval do governo militar.

De modo natural e perturbador eles contam como foi que exterminaram suas vítimas, muitas delas mulheres e crianças, além de camponeses e intelectuais sabidamente inocentes.

Três dos chefões responsáveis pelo genocídio desfilam tranquilamente, como heróis.
Três dos chefões responsáveis pelo genocídio desfilam tranquilamente, como heróis.  
Não satisfeitos com os relatos, os "astros" deixam-se maquiar e se fantasiam, como se estivessem em Hollywood para encenar as matanças, num show de frieza e sadismo, com direito a suposto senso de humor...

São pessoas de carne e osso, que nos dias atuais ainda têm muito prestígio e poder no país: a Indonésia, que pretende executar o brasileiro, nação mergulhada há décadas na pior bad trip que se possa imaginar.

Se você duvida, experimente, mas sem medo de se arrepender.

Não vamos entrar no mérito, aqui, sobre os terríveis malefícios da cocaína nem sobre a legislação mais ou menos rigorosa dos países quanto ao tráfico de drogas. Deixemos para o governo brasileiro tentar impedir o que, a essa altura, parece inevitável - o fuzilamento de Marco Archer, preso na Indonésia desde 2003.

Voltemos ao documentário. Algumas poucas imagens podem valer mais que milhares de palavras. Veja o trailer do filme, que chegou a ser exibido no Brasil mas teve pouca repercussão, ao contrário do sucesso alcançado no exterior:



O Ato de Matar foi dirigido pelo norte-americano Joshua Oppenheimer. Tem entre seus produtores o consagrado cineasta alemão Werner Herzog. Levou muitos anos para ser realizado. O primeiro passo foi convencer os carrascos a protagonizar a obra e narrar suas "façanhas".

Alguns deles se empolgaram de imediato e acreditaram que The Act of Killing os deixaria melhor ainda na fita... A tradução para o português roubou parte da força do título original, em que "act" faz referência às encenações às quais os nazi-indonésios aderiram com avidez e ansiedade.

O premiado diretor Joshua Oppenheimer.
O premiado diretor Joshua Oppenheimer.  
Somente depois de algum tempo de filmagem é que um ou outro começou a questionar se o filme não poderia acabar prejudicando a imagem deles. Tarde demais, o material já estava longe da Indonésia, em pré-edição.

Quando foi lançado em festivais, o documentário invariavelmente causou repulsa e mal-estar. Mas foi aplaudidíssimo e ganhou vários prêmios internacionais. Concorreu mas - não se sabe por quê - não faturou o Oscar na categoria.

Talvez por ser demasiadamente indigesto. Chocante. Aterrorizante. Atordoante.

Torturador em 1965, hoje ele faz parte de uma organização com mais de 3 milhões de milicianos!
Torturador em 1965, hoje ele faz parte de uma organização com mais de 3 milhões de milicianos!  
Não é exagero reforçar o aviso: cuidado antes de dar o Play, porque você pode se arrepender e aí será tarde demais, provavelmente você jamais conseguirá esquecer algumas cenas de The Act of Killing.

(leia, mais abaixo, informações sobre a sequência do filme, The Look of Silence, que será lançada ainda este ano)

O documentário, na íntegra, com legendas em espanhol:



Algo que também chama a atenção em O Ato de Matar - além das mais de duas horas e meia de terror infame - é a cafonice dos protagonistas, revelada em suas preferências artísticas e na decoração de suas casas. São pessoas sob certos aspectos primitivas, toscas e grosseiras, que circunstancialmente ganharam autoridade para fazer o que fizeram e que continuam reinando, impunes.

Mas é fundamental não generalizar. Apesar de todas as aberrações e degenerações, a Indonésia também é o país que costuma frequentar positivamente nossa TV, em programas de esporte e turismo, com suas ilhas paradisíacas e seu povo simples e acolhedor. Infelizmente conterrâneo dos gângsters que se tornaram celebridades e que costumam participar de programas de TV indonésios, onde repetem suas narrativas "heroicas" e são ovacionados com fervor por plateias desinformadas, sem referências que possam libertá-las da doutrinação.

Encenação com Anwar Congo: ele diz ter matado cerca de 10 mil pessoas com as próprias mãos.
Encenação com Anwar Congo: ele diz ter matado cerca de 10 mil pessoas com as próprias mãos.  
Este ano, também com produção de Werner Herzog & Cia, será lançada a sequência de The Act of Killing: The Look of Silence (O Olhar do Silêncio), que nas pré-estreias já foi alçado pela crítica ao mesmo patamar de excelência do primeiro filme. No novo documentário de Oppenheimer, o irmão mais novo de uma das vítimas do genocídio é colocado frente a frente com os assassinos ainda vivos.

- Queria mergulhar o espectador no muro de silêncio que os perpetradores daqueles crimes, e que ainda estão no poder, construíram em torno de si. A ideia era criar uma pausa para a reflexão sobre a tragédia. Aquelas vidas não podem ser redimidas porque foram destruídas. O filme faz o espectador ver bem de perto o silêncio em torno dessa matança, que ainda não conheceu a justiça - declarou o diretor.

Veja o trailer:



(não custa lembrar que nos anos 90 outra monstruosidade, condenada mundialmente, foi cometida pelos militares e paramilitares da Indonésia, contra o pequeno Timor-Leste, que teve um décimo da sua população dizimada, o que poderia ser indicativo de uma "vocação nacional" para a covardia e a crueldade)

Quanto a The Act of Killing, obviamente que ele foi proibido na Indonésia. Mas clandestinamente já teria sido assistido por milhões de pessoas, o que traz esperança de um futuro mais luminoso para o país.

Camuflagem para reviver os rituais covardes: experiência no set pode ter desencadeado pesadelos reais.
Camuflagem para reviver os rituais covardes: experiência no set pode ter desencadeado pesadelos reais.   
Detalhe: perto do fim do documentário, o chefe dos chefes, Anwar Congo, confessa sofrer com insônia, assombrado pelos "espíritos dos mortos"... Alguém poderia dizer: é o mínimo que ele merece. Embora quase sempre risonho, o ex-chefão não consegue esconder muito bem uma certa perturbação, também, quando observa seus relatos gravados para o filme numa pequena televisão, na sala de casa, ao lado dos netos.

Após rever O Ato de Matar nesta quinta-feira, nos arriscamos a lançar uma teoria: a de que a Indonésia carrega uma rejeição tão forte à presença de drogas e ao consumo de drogas em seu território porque já vive uma realidade surreal o suficiente, bizarra, alucinante... no pior sentido do termo.

Lamentamos imensamente pelo destino trágico de Marco Archer, que se deixou levar pelo "anticristo" (o pó), mas lamentamos ainda mais que em pleno século XXI exista no planeta um lugar tão sinistro e apavorante quanto a Indonésia. E que milhões de seus habitantes ainda estejam tão sujeitos à opressão, tão anestesiados pela ignorância e tão distantes de uma humanidade mais plena.

 

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