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Política - Rio

 

Terça-feira, 08 de Maio de 2018

Vereador e miliciano estariam envolvidos na morte de Marielle

Da Redação

Um vereador do Rio, político que, segundo a polícia, teria fortes ligações com milicianos de Jacarepaguá, estaria envolvido na morte de Marielle Franco, a vereadora do PSOL assassinada no dia 14 de março ao lado do seu motorista, Anderson Gomes. A versão surge 55 dias após o crime. De acordo com notícia divulgada pelo site do jornal O Globo, o nome do vereador teria sido revelado por uma testemunha chave que está ameaçada pela milícia da Zona Oeste do Rio.

Em três depoimentos, uma testemunha, cuja identidade é preservada, relatou reuniões entre um miliciano, que hoje está preso em Bangu 9, e um político do Rio - a identidade ainda é mantida em sigilo. As conversas, que tratavam dos prejuízos causados pelo combate da vereadora ao avanço de grupos paramilitares em comunidades de Jacarepaguá, começaram ainda no ano passado. Nos depoimentos, além do político e do chefe da milícia, também foram mencionados os nomes de outros integrantes do bando, que teriam participado da execução.

Negócios em conjunto



Segundo a testemunha, o miliciano e o político possuem negócios em conjunto, em um esquema que envolve pelo menos mais 15 pessoas. "Fui coagido: ou morria ou entrava para o grupo paramilitar. Virei uma espécie de segurança dele. Também ficava responsável por levar o filho para a escola; acompanhava a mulher de Orlando para compras em shoppings", revela.

O miliciano agiria como um capataz do vereador. Em troca, o político estaria apoiando a expansão do grupo pela região.

Desavenças



Segundo noticiado pelo site Yahoo, o homem trabalhou como segurança do miliciano por dois anos e teria participado de encontros entre os dois. Um deles aconteceu em junho do ano passado, em um restaurante no Recreio dos Bandeirantes. "O vereador falou bem alto: 'Tem que ver a situação da Marielle. A mulher está me atrapalhando. Depois, bateu forte com a mão na mesa e gritou: 'Marielle, piranha do Freixo'. Depois, olhando para o ex-PM, disse: 'Precisamos resolver isso logo", declara a testemunha, apontando que o vereador em questão seria o vereador Marcello Siciliano (PHS) e o ex-PM e miliciano é Orlando Oliveira de Araújo, conhecido como Orlando de Curicica.

Os problemas entre Marielle e o vereador teriam acontecido por conta das ações comunitárias de Franco na Zona Oeste do Rio. Suas iniciativas teriam contribuído para que a popularidade da vereadora crescesse em áreas de interesse da milícia que eram controladas pelo tráfico, incluindo comunidades em Jacarepaguá. Marielle, segundo a testemunha, teria "comprado briga" com a dupla quando passou a apoiar moradores da Cidade de Deus. O ex-PM seria dono da da Vila Sapê, em Curicica, que estaria em guerra com os traficantes da Cidade de Deus,


O crime



Cerca de um mês antes do assassinato, o miliciano, que já estava preso, teria dado a ordem para matar a política. Orlando teria ordenado a clonagem de um carro, um Cobalt prata, enquanto um homem recebeu a tarefa de identificar os hábitos de Marielle e analisar todos os trajetos dela, com o objetivo de garantir que a execução fosse realizada.

Duas pessoas teriam sido mortas em queima de arquivo sobre o caso. A primeira delas, Carlos Alexandre Pereira Maria, de 37 anos, e a segunda, o PM reformado Anderson Claudio da Silva, de 48 anos. Questionado pela publicação, o vereador Siciliano negou conhecer Orlando e afirmou que a notícia é "totalmente mentirosa".

Escuta essa: Em nota, na época da morte de Marielle, Siciliano informou que recebeu "com grande pesar a notícia de falecimento". "Durante o tempo em que esteve conosco, ele fez tudo pela sua localidade e estava sempre disponível para ajudar no que fosse necessário. Me solidarizo com a dor dos familiares e amigos. Podem contar comigo para ajudar no que for preciso", disse o parlamentar.

 

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