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Política - Internacional

 

Sexta-feira, 14 de Julho de 2017

Olga de Mello abre curso para quem quer escrever bem e melhor

Levaria a Bíblia caso fosse para o BBB
Levaria a Bíblia caso fosse para o BBB

Jornalista, cronista, crítica literária, Olga de Mello é daquelas pessoas que reconhecem num bom livro um companheiro indispensável para carregar por toda a vida. Amante da arte de bem escrever, ela se prepara agora para mergulhar num ambiente novo, por isso mesmo tentador, embora conheça muito bem: ensinar grupos de até seis pessoas a desenvolver o dom de se comunicar bem através da escrita. Internauta de hábitos moderados, mas leitora compulsiva, a jornalista acredita que é hora de oferecer ferramentas para aqueles, por conta da internet, escrevem muito mais, mas pecam na aplicação de regras básicas de português. Além disso, com o advento dos "códigos da internet", o empobrecimento da língua, algo contra o qual todos devemos lutar, passa a ser um risco real. Desenvolver técnicas de texto e introduzir alunos no mundo da literatura passam a ser então o novo desafio de Olga de Mello.


Colunista semanal de Conexão Jornalismo (sua coluna é publicada aos sábados) da sessão Crítica & Literatura, Olga explicou a razão de ampliar sua atividade diária para o curso:

Conexão Jornalismo - Em que momento você entendeu que era hora de ministrar um curso para desenvolver texto e redação?

Olga de Mello - Porque percebo a queda na qualidade do texto na Internet em geral. Há muito erro ortográfico e gramatical, sem contar falhas de apuração e conteúdo. Ninguém deve escrever que "bombeiros fizeram uma espécie de rapel para alcançar o navio". Os bombeiros escalaram o casco do navio, usando cordas. Isso se compreende, a imagem evocada distrai e o leitor vai pensar em rapel como atividade esportiva.

Um adendo: a tela do computador fica aberta por horas. A folha de jornal é descartada depois de lida. O erro se consolida ao longo do dia. E não existe redator que dê jeito.

Conexão Jornalismo - Qual sua opinião sobre os textos divulgados hoje a exaustão na internet?[

Olga de Mello - A Internet é quase um prédio onde todos fazem fofoca. Há textos compartilhados à exaustão, que perdem autoria e pontuação, formatação etc. quando reproduzidos. A Internet suscita a discussão, o debate, convida à análise. No entanto, quem escreve para o veículo Internet parece mais preocupado em cobrir o espaço "em branco" do que em dar uma informação de qualidade, pressionado pela hora, pela ilusão do "furo". Isso não existe mais, principalmente quando qualquer um tem o direito de dar a informação. No entanto, a responsabilidade pela informação correta é atribuição do jornalista. Antes de dizer que aquele poema do "primeiro, eles levaram os ciganos, eu não liguei, porque não sou ciganos" é do Brecht, vale a pena pesquisar e descobrir que o escritor divulgou, sim, esse texto e o adaptou, mas que as palavras originais têm outro autor, um pastor protestante alemão ou polonês. Neste momento não estou garantindo a informação, estou levantando dúvida sobre uma autoria , é um exemplo, não uma afirmação. Nada impede, no entanto, que alguém recorte esta minha declaração e a reproduza como real, genuína.

Existem, então, dois cuidados que os tempos atuais deveriam impor a quem escreve: zelar pela forma e pelo conteúdo, não apenas pela informação pura e simples, descuidada, leviana.

"Parece que as pessoas substituíram
o cigarro pelo celular"






"Aumento de vocabulário vem com leitura,
com incursão na literatura" (Olga de Mello)



Conexão Jornalismo - A internet, que obriga a todos lerem e escreverem mais, é uma aliada da boa escrita ou o contrário? Por quê?

Olga de Mello - A Internet não obriga ninguém a ler mais. As pessoas estão escrevendo mais. Lendo, não. Cada vez se leem quantidades menores de texto. Nossa atenção se fragmentou, como um clipe musical, cujos takes duram pouco mais de um segundo. É como se houvesse uma urgência para receber as informações, sem tempo, no entanto, para decodificá-las, assimilá-las. Parece que as pessoas substituíram o cigarro pelo celular. A gente se espanta hoje com Mad Men, aquela fumaceira toda. Imagina um documentário sobre os tempos atuais, daqui a sei lá quantos anos. Todo mundo sentado na mesma mesa de restaurante, vendo mensagens no celular. Porque é impossível se desplugar. Ler exige reflexão. Ler no celular, uma distração rápida, não permite essa reflexão.

Conexão Jornalismo - Tem remédio?

Olga de Mello - Claro, existe metodologia para ensinar a escrever. Aumento de vocabulário vem com leitura, com incursão na literatura. E aí, claro, não seria uma literatura de puro entretenimento, não é Crepúsculo ou revista de banca de jornais, Paulo Coelho, Augusto Cury. Mas esses escritores são excelentes para inocular o vício da leitura.

Eu sinto que escrevo melhor depois que leio Machado de Assis. Isso acontece com os franceses que leem Proust, os ingleses que leem Oscar Wilde, por exemplo. Eu sempre fui leitora voraz, não tinha TV em criança, lia a Bíblia durante as aulas chatérrimas de preparação para a Eucaristia. Resultado: conheço um pouquinho da Bíblia, que sofre com péssimas traduções, mas tem uma linguagem simbólica maravilhosa, boa narrativa e é um bestseller há milênios, mesmo sabendo que o mocinho morre no fim.

E há trechos absolutamente literários e poéticos, como o Cântico dos Cânticos, uma aula de sedução, e a belíssima passagem em que Cristo fala sobre a simplicidade, no Sermão da Montanha ("Olhai os lírios do campo"), a carta de Paulo aos Coríntios sobre o amor... Não sou religiosa, considero-me uma ateia não praticante, mas recomendo vivamente a leitura da Bíblia. Seria o livro que eu carregaria na mochila caso fosse para o BBB. Pelo menos, teria o que ler.

 

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