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Política - Internacional

 

Segunda-feira, 21 de Agosto de 2017

Amorim: Trump é irresponsável ao falar em intervenção militar na Venezuela

Da Redação

Longe de poder ser chamado de boquirroto, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, preserva sim um jeito fanfarrão. Fala em convocar guerras, seja contra a Venezuela ou Coreia do Norte, como se provocar ações que levaram a mortes, talvez milhares, especialmente de inocentes, não fosse algo que merecesse seriedade e profundidade no trato. E é sobre este tema que se debruça o ex-ministro da Defesa e chefe do Itamarati, Celso Amorim, ao falar sobre o anúncio de Trump de intervir na Venezuela. É sabido que o problema americano com a nação vizinha nada tem a ver com o campo político onde se situa o bolivarianismo, mas especialmente com a questão do petróleo.



Amorim disse que a conduta pede um posicionamento enérgico por parte da União das Nações Sul-Americanas (Unasul), e também do Mercosul, bloco composto atualmente por Argentina, Brasil, Uruguai, Paraguai, uma vez que a Venezuela foi suspensa.

"É uma coisa muito irresponsável e merecia uma reação, independentemente de ideologia. Se Trump dissesse a mesma coisa sobre o governo da Colômbia ou sobre o Peru - que não são regimes de esquerda, digamos assim -, por qualquer motivo que fosse, a reação teria que ser a mesma", ressalta o diplomata.

Para Amorim, que também foi ministro das Relações Exteriores nos governos Lula e possui larga experiência com a diplomacia, eventuais divergências políticas em relação à Venezuela não podem ser motivo para ameaças à soberania do país. "Você pode gostar ou não gostar da maneira como foi eleita a Constituinte, mas não pode, de maneira alguma, ameaçar a integridade territorial de um Estado, a soberania de um Estado latino-americano da maneira como isso foi feito agora", enfatiza

Nesta quinta-feira (17), o senador Roberto Requião (PMDB-PR) apresentou um requerimento à Comissão de Relações Exteriores do Senado, sugerindo que seja feito um voto de censura à ameaça feita por Trump. O colegiado deve apreciar o pedido na próxima quinta-feira (24).

O peemedebista apontou que o governo estadunidense financia a oposição venezuelana para derrubar o governo de Maduro por conta dos interesses econômicos relacionados às reservas de petróleo do país.

O senador lembrou ainda que o Estados Unidos são autores de intervenções militares em países como Iraque, Síria e Somália. Diante desse cenário, ele alertou para o risco de mais turbulência na relação entre os estadunidenses e o restante do continente: "Leva à instabilidade na América do Sul. Os nossos países todos têm relações comerciais muito próximas entre uns e outros, e o que pode acontecer é trazer uma instabilidade como a que a gente conhece em outros lugares do mundo."

Nesse sentido, o ex-ministro Amorim avalia que para além dessas questões, a declaração de Trump, dada há cerca de uma semana, fere as normas internacionais. "A ONU é muito clara quando fala não só da agressão, mas também da ameaça do uso da força como algo que não pode ser aceito. E o que está colocando na fala do presidente Trump é uma ameaça. A integridade territorial dos Estados e o principio do não uso da força armada e da não ameaça do uso da força armada são princípios fundamentais do Direito Internacional da nossa região".

A Venezuela vive uma grave crise política e econômica, gerada pelas sucessivas ações desestabilizadoras da oposição. Recentemente, o governo Maduro convocou a realização de uma Assembleia Constituinte com o objetivo de pacificar o país. No entanto, o boicote dos opositores e a pressão de países como os Estados Unidos para que o presidente deixe o cargo agravaram ainda mais a situação.

Do Brasil de Fato

 

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