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Política - Geral

 

Quarta-feira, 13 de Dezembro de 2017

Volks vai divulgar relatório admitindo participação na ditadura no Brasil

Empresa contribuiu com a delação, prisão e tortura de operários
Empresa contribuiu com a delação, prisão e tortura de operários

A Volkswagen não foi a única, mas é uma das primeiras a admitir publicamente que contribuiu, financeiramente inclusive, com a instalação e condução da ditadura militar no Brasil. Nesta quinta-feira (14), em um ato que vai acontecer simultaneamente no Brasil e na Alemanha, a multinacional de automóveis vai divulgar relatório que detalhará sua atuação.



A montadora informou que também anunciará apoio a entidades que promovem os direitos humanos. Alguns ex-funcionários - incluindo um trabalhador preso na própria fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, em 1972 - decidiram não comparecer ao evento por entender que ele é uma ação de marketing, e não um evento de caráter político instucional.

O estudo teve à frente o professor Christopher Kopper, da Universidade de Bielefeld, na Alemanha, contratado para esse trabalho. Ele estará presente ao evento na unidade do ABC, ao lado do presidente da Volks na chamada Região SAM (América do Sul, América Central e Caribe), Pablo Di Si, que assumiu esse cargo e o de presidente e CEO no Brasil em outubro, vindo da Argentina.


O ferramenteiro Lúcio Bellenteni foi preso e torturado na fábrica de São Bernardo
O ferramenteiro Lúcio Bellenteni foi preso e torturado na fábrica de São Bernardo  

Em algumas ocasiões, o historiador já apontou evidências da participação da montadora na colaboração com a ditadura. Um documentário divulgado recentemente na Alemanha trouxe mais detalhes à história. Recentemente, relatório do perito Guaracy Mingardi e do advogado Martin Carone dos Santos apontou a existência de "conluio" ente a Volks e a repressão, entre outras empresas do setor automobilístico. As conclusões foram incluídas em inquérito do Ministério Público Federal.

Dois anos atrás, ex-trabalhadores da Volks, ao lado de centrais sindicais e juristas, entregaram ao MPF uma representação em que denunciavam a empresa por graves violações de direitos humanos. "Desde então, mesmo com toda a repercussão no Brasil e no exterior, a empresa praticamente não tem se manifestado no inquérito", diz nota divulgado pelo IIEP (Intercâmbio, Informações e Estudos e Pesquisas). "As únicas manifestações oficiais no inquérito acrescentaram muito pouco à documentação que já havia sido apresentada pelos trabalhadores. Não há qualquer sinal de disposição da empresa para colaborar com as investigações e o devido andamento do inquérito no MPF."

Para o grupo de ex-funcionários que assina o documento, o relatório a ser divulgado por Kopper "deverá ser somado" ao do perito Mingardi, contratado pelo MPF, que segundo eles "compromete irreversivelmente a Volkswagen naquilo que ela foi acusada de violações de direitos humanos, criação de grupos com outras empresas com a contratação de militares para vigiar e perseguir trabalhadores e até mesmo a população das regiões onde estão instaladas suas fábricas".

Um dos signatários é Lúcio Bellentani, operário e então militante comunista que foi preso dentro da fábrica, em julho de 1972, fichado no Dops e torturado durante meses. Ele quer que a empresa peça desculpas formalmente.

Da Rede Brasil Atual


E as outras?

Da Redação

A Volks não é a primeira a fazer o gesto do reconhecimento. A Rede Globo fez o mesmo há quatro anos. Foi a deixa para embarcar no golpe contra Dilma Rousseff dois anos depois. Mas é sabido que pelo menos oitenta empresas participaram diretamente do processo ditatorial do país. Alguns nomes foram levantados pela Comissão da Verdade:

Chrysler, Ford, General Motors, Toyota, Scania, Rolls-Royce, Mercedes Benz, e também de outros setores, como a Brastemp, a estatal Telesp, a Kodak, a Caterpillar, a Johnson & Johnson, a Petrobras, a Embraer e a Monark - todas elas concentradas no ABCD paulista e no Vale do Paraíba.

 

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