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Política - Geral

 

Segunda-feira, 09 de Setembro de 2019

Preta Ferreira está presa há 72 dias



Mais de dois meses se passaram e a ativista Preta Ferreira permanece presa em São Paulo acusada de algo que não cometeu - vender e cobrar por vagas em imóveis abandonados em São Paulo. O caso de Preta a aproxima de outro escandaloso e que ocorre no Rio há anos: a prisão de Rafael Braga, também conhecido como o terrorista do Pinho Sol. Morador de Rua, ele é mantido preso, condenado, acusado de ato terrorista. Ele foi encontrado com uma garrafa do detergente Pinho Sol. Quem dará voz aos pobres encarcerados?



A notícia saiu no Brasil de Fato


"Eu fui presa por combater a injustiça. Isso sempre esteve em minhas veias. Agora bato de frente com ela diariamente". É assim que Preta Ferreira, como é conhecida Jacine Ferreira da Silva, uma das lideranças do movimento por moradia em São Paulo, define o que sente após 72 dias de prisão.

Detida na Penitenciária Feminina de Santana, ela é acusada de extorsão e associação criminosa por supostamente coagir moradores a pagarem taxas nas ocupações do centro da cidade de São Paulo. Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, ela conta que foi chamada a prestar um depoimento e não voltou mais para casa.

A denúncia que baseia a investigação foi feita a partir de uma carta anônima e é um desdobramento da apuração do incêndio no edifício Wilton Paes de Almeida, no Largo do Paissandú, em 1º de maio de 2018. Com a coordenadora do MSTC, outras três lideranças também foram detidas. Treze, no total, tiveram prisão decretada.

Em entrevista exclusiva ao Brasil de Fato, Preta Ferreira defende sua inocência e denuncia a ausência de provas. "Eu pergunto aos governantes, a quem me colocou aqui: Cadê as provas? Qual foi a extorsão que eu pratiquei? É uma prisão política. A sociedade está vendo o que está acontecendo".

A militante explica que existe um acordo entre os moradores da ocupação para que todos contribuam mensalmente com R$ 200,00 para a manutenção dos prédios. É esse pacto - tratado pelos investigadores como "extorsão" - que garante, por exemplo, a segurança e a limpeza do local, evitando que tragédias como a do Largo do Paissandú se repitam.

Em agosto, Carmen Ferreira, liderança do MSTC e mãe de Preta, foi absolvida por unanimidade pelo Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) com acusações semelhantes às que recaem sobre a filha.

Na opinião da jovem militante, que também é publicitária e produtora cultural, o objetivo desse processo é criminalizar os movimentos populares: "A nossa detenção e essa perseguição toda ao movimento de moradia faz parte de uma ameaça, faz parte de um plano para acabar com os movimentos de moradia. Prendem as lideranças, amedrontam quem não tem moradia, e aí acaba".

Durante a entrevista, ela também fala sobre seu cotidiano na Penitenciária, onde estão outras 2.056 mil presas. "Assim como eu, inocente, estou aqui presa, existem outras mulheres, em sua grande maioria negras, presas injustamente. Jogaram a gente em um navio negreiro", compara.

Sobre a campanha que os movimentos populares fazem por sua liberdade, Preta reforça que a luta não se resume a ela. "Não é só 'Preta Livre'. São 'Pretas Livres'".

A entrevista foi concedida na tarde do dia 4 de setembro. Confira na íntegra:

Brasil de Fato: Como você começou a se envolver com a luta do movimento de moradia aqui em São Paulo?

Preta Ferreira: Meu histórico com o movimento de moradia é de infância, quando minha mãe, uma retirante, veio de Salvador [Bahia] fugida de violência doméstica do meu pai. Ela deixa seus filhos para trás e vem pra São Paulo em busca de uma vida melhor - e até mesmo para garantir sua sobrevivência.

Ela passa a dormir na rua, depois em albergues, e então conhece o movimento de moradia. Depois de alguns anos, ela retorna para Salvador para buscar seus filhos. Eu vim nessa leva. Passamos a morar em uma ocupação que hoje se chama Ocupação 9 de julho em meados dos anos 1990.

Aí começa minha história no movimento social, onde eu aprendi que tenho direitos, onde aprendi que não nasci apenas para ser uma mulher negra para ter o "resto", como o 1% da população que detém a riqueza do país me ofereceu. Foi no movimento de moradia que eu aprendi a lutar, que aprendi que, além de ter deveres que devem ser cumpridos, tenho direitos constitucionais.

Quais são as fragilidades do processo em que você é acusada de extorsão?

A verdade é que essa prisão é totalmente irregular. Eu fui convidada a depor na delegacia, não tinha nenhuma prisão decretada. Fui convidada a depor no dia 24 de junho, e estou presa até hoje. E eu pergunto para os governantes, para quem me colocou aqui: Cadê as provas? Qual foi a extorsão que eu pratiquei? Já sabemos muito bem que não estou presa por extorsão. Não pratiquei nenhum crime. Isso é mentira e eles sabem disso.

Estamos vivendo em um momento do país em que todos sabem que a perseguição política existe. A minha prisão é uma prisão política. Eu não estou só afirmando: a sociedade está vendo o que está acontecendo. A minha prisão e a prisão dos demais [militantes de movimentos de moradia] são prisões políticas. Não existe nenhuma prova contra a gente.

Ainda em relação à acusação de extorsão, você pode explicar como realmente funciona a organização das ocupações?

Ninguém mora de graça. Quando ocupamos um prédio, ele não tem luz, não tem água, não tem elevador, não tem manutenção, não tem extintor de incêndio, não tem nada. O governo não ajuda em nada. Como mantemos esse prédio?

Quando a pessoa passa a fazer parte do movimento, ela assina um regimento interno onde tem lá, tudo escrito, como procede, como funciona o movimento, e que por mês tem que ser pago R$ 200,00. Ninguém trabalha de graça.

Como se extorque alguém que já sabe que vai entrar em um lugar tem que pagar? Não há extorsão quando a pessoa é ciente de deveres que tem que cumprir no movimento. O movimento é autogestor. Não tem ninguém para ajudá-lo. Não recebemos ajuda de nenhum governo. Para ser autogestor, os moradores têm que arcar - até porque são eles que moram. A segurança é para eles, a proteção é para eles. Não há extorsão quando a pessoa tem consciência que tem que pagar.

Até mesmo para que não aconteça casos como o do Wilson Paes de Almeida [edifício que desabou no Largo do Paissandú]. Aliás, estou sendo acusada de fazer parte daquele prédio, sendo que nunca entrei naquele lugar. Não conheço o movimento dali.

O MSTC sempre atuou junto ao poder público. Como faríamos as melhorias exigidas pela Prefeitura? Quem paga é quem está morando, nada mais justo. Morar de graça, ninguém mora.

Quem mora pagando aluguel de R$ 200,00? Isso não é aluguel, mas uma verba revertida para eles mesmos. As melhorias são dentro dos locais que eles moram, não vão para a minha casa. É para eles.

A acusação foi feita por meio de uma carta anônima.

Na verdade, esse processo é um emaranhado. Colocaram todos os movimentos em um funil só e determinaram que tudo é uma coisa só, mas não é. Existem movimentos éticos e movimentos não éticos, sim, mas eu atuo pelo Movimento Sem Teto do Centro, um movimento ético que trabalha junto ao poder público.

Tem que desvencilhar. Não se pode responder pelo que os outros fazem. Eu respondo pelos meus atos e pelo que eu falo. Sou responsável pelo que eu falo, pelo que eu faço. O MSTC não tem nada a ver com esses outros movimentos. É um movimento separado.

Acredita que ser quem você é, mulher negra e militante, pesa nesse processo?

Já nasci nessa república machista, racista, opressora. O fato de ser mulher negra e influenciar outras pessoas a exigirem os seus direitos constitucionais na cara deles é um desaforo [para eles]. Quem é que vai aceitar? Claro que eles não vão aceitar.

Eles escolheram o papel que tenho que estar: estar atrás de uma pia, de um fogão. E não é esse meu papel.

Para ler toda a entrevista publicada no Brasil de Fato clique aqui

 

Veja também:

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