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Política - Geral

 

Terça-feira, 05 de Dezembro de 2017

O Brasil visto por quem se debruça sobre sapatos para ganhar a vida

A crise nos arredores derruba o negócio do engraxate
A crise nos arredores derruba o negócio do engraxate
Por Francis Ivanovich*


A profissão de engraxate surge no Brasil com a imigração italiana, em 1877, em São Paulo, geralmente meninos italianos com idade entre os 10 e 14 anos, que percorriam as ruas, das 6 horas da manhã até a noite, com uma pequena caixa de madeira onde guardavam latas de graxa, escovas, panos, e outros objetos.

Sempre respeitei os engraxates. Tenho por eles a maior admiração, e sempre que posso, não me furto ao prazer de entregar meus calçados a eles e ter uma boa conversa.

Hoje visitei o engraxate da Almirante Barroso, no Centro do Rio, que está ali há muitos anos, à porta da sucursal de um tradicional jornal paulistano. Todos o conhecem, pois de segunda a sexta, lá está ele ao lado de sua velha cadeira alta, que se parece com um trono, onde os fregueses se sentam como reis para terem seus sapatos lustrados.

O velho engraxate conta que perdeu 60% da freguesia. Que o banco em frente mandou num só dia, 50 funcionários para o olho da rua. Contou também que há mais de um ano está na fila para operar sua catarata. E que eu era o terceiro freguês do dia em mais de três horas de espera.

Indignado, reclamou que roubaram o país, destruíram o Rio e que a população da rua aumentou tanto que já não é possível tomar um cafezinho no boteco sem que seja interpelado por um pedinte com fome. Disse o engraxate: "o desemprego destrói a família. Não é por acaso que a violência aumentou tanto. Tem muita gente que perde a cabeça e acaba fazendo besteira", sentenciou.

Fiquei a pensar. O engraxate da Almirante Barroso não é sociólogo, economista, jornalista, político, especialista, salvador da pátria. É um homem comum, que passa seus dias trabalhando curvado sobre os sapatos dos outros. E que clareza.

Esse homem simples, sabe mais do que muita gente que está sentada numa cadeira na universidade, numa empresa de pesquisa, em gabinete refrigerado e em programa de entrevista na TV.

Antes de nos despedirmos, o admirável engraxate, que deve estar com seus 70 anos de idade, me disse: não podemos desistir. A gente precisa escolher melhor quem vai governar o país. Concordei e segui em frente pisando lustrado.

E tem gente que acha que o povo não sabe de nada!

* Francis Ivanovich é diretor e autor de teatro e cinema

 

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