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Quinta-feira, 18 de Fevereiro de 2021

Itália também registrou aumento do feminicídio durante lockdown

Foto I Stock - mulheres foram alvos da violência também na Itália
Foto I Stock - mulheres foram alvos da violência também na Itália


Não foi apenas o Brasil que registrou aumento no número de casos de violência e mortes de mulheres, o chamado feminicídio, durante a pandemia e mais especificamente a partir do lockdown. No primeiro semestre do ano, quando a situação se revelou mais grave, 648 casos foram verificados no país. No mesmo período, a Itália também viu crescer o número de mortes de mulheres em torno de 50%.

Por Paolo Teodori

Um relatório divulgado pelo Instituto Nacional de Estatística (Istat) revelou que nos primeiros seis meses de 2020, período em que a Itália anunciou medidas mais restritivas para evitar a propagação da Covid-19, o número de feminicídios aumentou em relação ao mesmo período do ano anterior.

Segundo os dados, o total de homicídios passou de 35%, no primeiro semestre de 2019, para 45%, nos seis meses iniciais de 2020, agravando a situação da mulher no país. O percentual, porém, saltou para 50% durante o lockdown imposto em março e abril.

Os números revelam que o rastro de sangue no país continuou sem interrupção, já que em 2019 a quantidade de feminicídios havia chegado a marca de 101 e, em 2018, o percentual de homens acusados de cometer o crime era de 93%.

De acordo com o Istat, em 90% dos casos registrados no primeiro semestre do ano passado, as mulheres foram mortas dentro da própria casa, em um contexto emocional e familiar, sendo que em 61% dos crimes o autor era companheiro ou ex-parceiro da vítima.

Em 2019, os registros revelaram 315 assassinatos (contra 345 em 2018), dos quais eram 204 homens e 111 mulheres. Já na esfera familiar, o número de mortes também cresceu: 150 em 2019 (47,5% do total), com 93 vítimas femininas (83,8% do total de homicídios de mulheres).

As diferenças de gênero, portanto, aponta o Istat, permanecem fortes: em 2019 os homicídios no âmbito familiar ou afetivo eram 27,9% do total dos cometidos por homens e 83,8% dos que tinham vítimas mulheres. A quantidade representa um aumento considerável se for levado em conta 15 anos atrás, quando os mesmos valores eram 12% e 59,1%, respectivamente.

Especificamente, em 2019, 55 homicídios (49,5%) foram causados por um homem com quem a mulher tinha relação afetiva (marido, companheiro, namorado) e 13 (11,7%) por ex-companheiro.

Entre os companheiros, em 70% dos casos o assassino é o marido.

Aos homicídios praticados por parceiros somam-se os de outros familiares (22,5%, igual a 25 mulheres) e de outros conhecidos (4,5%; 5 vítimas), valores globais estáveis ao longo dos anos.

Em 2019, a taxa de mulheres vítimas de parceiros era mais elevada nas Ilhas italianas (0,36 por 100 mil mulheres, contra 0,22 da média nacional). Na sequência aparecem o nordeste (0,25) e o noroeste (0,23). Já entre as regiões, Abruzzo, Emilia-Romagna, Ligúria, Sicília e Sardenha estão acima da média, com taxas que variam de 0,45 a 0,36 por 100 mil mulheres.

Os poucos homicídios ocorridos na Úmbria, nas províncias autônomas de Trento e Bolzano, e quase todos os que ocorreram no Piemonte, Ligúria, Marcas, Toscana, Campânia, Calábria, Puglia e Sardenha os autores estão dentro da família.

Na Basilicata, no entanto, não houve assassinatos de mulheres durante todo o ano de 2019. Os dados foram confirmados no relatório do Serviço de Análise Criminal da Polícia da Itália.

O estudo revelou um ligeiro aumento de vítimas femininas, de 111 em 2019 para 112 em 2020, e um aumento de mulheres mortas na família, que passou de 94 em 2019 para 98 no ano passado. Mais especificamente, o estudo policial mostrou que em fevereiro, maio e outubro de 2020, 100% das mulheres vítimas de homicídio perderam a vida em ambiente familiar.

Publicado no Universa

 

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