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Política - Geral

 

Quarta-feira, 24 de Novembro de 2021

Biomédica agredida por PMs em MG foi chamada a fazer reconhecimento

Luciana exibe as marcas da violência policial
Luciana exibe as marcas da violência policial

Por Fábio Lau

Cinco dias após ter sido barbaramente espancada por pelo menos cinco policiais militares da PM de Minas Gerais, na cidade de Monte Alegre, a Biomédica Luciana Ramalho foi chamada a ir ao Batalhão para ajudar no reconhecimento dos agressores. Ela, que é acompanhada por cinco advogados, está cautelosa sobre a sua segurança tendo em vista que até o momento não recebeu garantias de vida ou mesmo promessa de uma proteção por parte da Polícia Militar ou do governador Romeu Zema.


A agressão da PM ocorreu dias após a chacina de Varginha - uma ação da polícia ainda não totalmente explicada e que inicialmente tentou induzir a ideia de que os 28 mortos comporiam um grupo armado criminoso associado a uma espécie de "cangaço mineiro".

Caso vá ao reconhecimento na unidade da PM - o ato oficial deverá ser condicionado, pela defesa, a garantias de vida - a biomédica estará acompanhada dos advogados José Carlos Muniz, Raphaella Cardoso e um terceiro profissional do Direito de um total de cinco que a acompanham.

A defesa ainda não recebeu garantias de que os policiais foram afastados de serviço externo.

Vídeo e espancamento



A biomédica Luciana Ramalho caminhava na rua quando notou que PMs espancavam um homem que implorava para que parassem com a violência. Temendo que o pior acontecesse ao homem, ela passou a filmar a violência. Neste momento os policiais deixaram o homem de lado e passaram a agredir a Biomédica.

Eles deram socos, chutes. Luciana em seguida foi algemada e, colocada em um camburão que seria deixado ao sol por mais de uma hora.

-Para conseguir respirar busquei as frestas da viatura - lembrou.

"Ele estava desarmado e eram três ou quatro policiais. Desculpa, eu não achei justo. Poderia ser eu no lugar dele, por isso eu gravei ele sendo levado até o camburão", relatou ela ao 247.

A biomédica disse ter pensado que, com a gravação, os policiais ficariam intimidados e deixariam de agredir o homem. "E foi isso que aconteceu. Eles pararam de bater nele para bater em mim", descreveu.

Luciana destacou no vídeo que publicou em sua conta no Instagram, que mesmo tendo uma carreira acadêmica e intelectual de destaque, tendo feito mestrado, doutorado e muitos cursos de especialização, ela não conseguiu sair do radar do racismo estrutural e foi vítima de violência policial. "Poucas pessoas no Brasil têm a oportunidade de fazer a caminhada que eu fiz no meio acadêmico e intelectual. E do que que isso me valeu ontem (17)? NADA! O que valeu foi a cor da minha pele."

"Não interessava de onde eu era, de onde eu vinha, o que eu estava fazendo ali e nem o porquê. A única coisa que interessava é que eu não era bem vinda", lamenta.


"Eu só pensava nos meus filhos. Achei que ia desmaiar. A intenção deles era me matar sufocada. Mas eu pensei: hoje não. Buscava uma frestinha de ar, colocava o nariz e respirava", reviveu.

A tortura, agora respiratória, terminou no IML onde seria novamente subjugada - agora por uma médica legista. A profissional minimizou suas dores. Especialmente aquela que impregna a alma de quem é violado, desrespeitado nos mais elementares direitos.

Mas Luciana, negra, casada, mãe de dois filhos, com pós-doutorado em Biomedicina e vários cursos de pós graduação, não se intimidou. Está decidida a reconhecer os agressores - com ou sem o apoio de governador, deputados, vereadores.

Mas a gente lembra que sua proteção caberá ao estado - curiosamente o mesmo estado que a espancou e que por ora se omite.

Em depoimento na delegacia, alguns dos acusados tentaram culpabilizar Luciana pelo próprio infortúnio. Um deles chegou a sugerir que a mulher os teria ofendido e agredido fisicamente. A versão, no entanto, é desmentida por testemunhas.

Ao longo da semana a biomédica foi procurada por moradores que prestaram solidariedade e relataram numerosos casos onde eles ou conhecidos foram alvo da violência policial. Um deles surpreendeu:

- Uma autoridade da cidade me procurou, se solidarizou, mas disse que nada poderia fazer porque ele próprio já teria sido vítima de violência policial - disse Luciana a Conexão Jornalismo.

Monte Alegre



A cidade de Monte Alegre está na rota das produtoras de abacaxi. Com uma população de 21 mil pessoas, ou seis mil eleitores, ela está situada no triângulo mineiro e tem Uberlândia como cidade referência.

O atual prefeito, doutor Ultimo, é do PSD e mereceu 84% dos votos. A segurança pública é um dos mais graves problemas da região.

 

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Biomédica agredida por PMs em MG foi chamada a fazer reconhecimento
 

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