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Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019

Jornalista aponta ausência de negros na redação do Sportv

 
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Política - Brasil

 

Quinta-feira, 10 de Outubro de 2019

David Miranda: As feridas abertas da escravidão

O racismo está impregnado na sociedade brasileira
O racismo está impregnado na sociedade brasileira

Marca da escravidão



Por David Miranda*

A História do Brasil nos explica o porquê de tamanha desigualdade entre a população negra e a branca. Nosso país foi o maior destino de tráfico de africanos no mundo e o último a tornar a escravidão ilegal. E mais: a lei foi decretada de qualquer maneira, deixando muitos recém-libertos sem emprego e sem educação, por exemplo. Passando para os dias atuais, temos dados que mostram uma realidade cuja a igualdade ainda não veio: 75% das vítimas de homicídios são negras, como revelou recentemente a pesquisa do Atlas da Violência.


O Brasil precisa olhar para o seu passado e enfrentar as feridas abertas que a escravização de negras e negros vindos da África promove na nossa sociedade. A menina Ágatha de oito anos morreu com um tiro nas costas no Complexo do Alemão e até hoje as autoridades não deram qualquer resposta sobre o assassinato. Uma família negra foi alvejada pelo exército com mais de 200 tiros, um jovem negro foi enforcado e morto diante de clientes no supermercado Extra do Rio de Janeiro. O Governador do Rio comemorou a morte de um jovem em surto que fazia de refém passageiros de ônibus na Ponte Rio-Niterói e falou abertamente em atirar mísseis na favela. Quando Witzel lamentou as mortes de jovens negros na favela, na sequência se adiantou em lamentar também "pelos que virão".


Menor chicoteado em supermercado
Menor chicoteado em supermercado  

Há poucos meses, um jovem negro foi chicoteado por seguranças de um mercado da Zona Sul de São Paulo.
Repito: CHICOTEADO!
Não é uma advertência ou coincidência o ato criminoso desses seguranças, é a marca profunda da escravidão, que apresenta para a população negra a marca contundente da violência.







Até quando vamos vendar nossos olhos e não encarar o fato de que a sociedade brasileira se estruturou e se vale até hoje do racismo para dividir as classes sociais? Até quando terreiros de Candomblé e de Umbanda serão aterrorizados e ameaçados por cultuar seus Santos e Orixás? Até quando a insensibilidade institucionalizada perante o choro das mães e famílias vítimas da violência de Estado permanecerá?

Ágatha: execução sumária
Ágatha: execução sumária  


O Brasil não é o país da democracia racial. O caveirão só entra na favela, o helicóptero só atira na favela - onde, em regra, a maioria é negra. Mas, lembremos, os 117 fuzis foram encontrados na casa do vizinho do presidente da República, um condomínio de luxo na Barra da Tijuca. E o dono do helicóptero com toneladas de pastas de cocaína até hoje não foi julgado.
E nem se fala mais nisso. Todo quartinho de empregada tem um "q" de senzala, e ainda há quem acredite ser elogio chamar a mulher negra de "mulata tipo exportação".





Os herdeiros do povo que construiu e levantou esse país não podem e não aceitam permanecer sob a égide da violência e da falta de políticas públicas. Nossas vidas não são mercadorias descartáveis e esse horror que opera contra nós, corpos negros, terá um fim quando uma mudança radical, que parece ser impossível hoje, for 'inevitável. Onde a História fará justiça e reparação e levará "os humilhados a serem exaltados". Aí, sim, o Brasil fará as pazes com o seu passado e uma democracia racial estará por vir.

Fuzis de guerra na casa do vizinho do presidente
Fuzis de guerra na casa do vizinho do presidente  

Para finalizar, dos governantes, temos que exigir políticas de reparação e promoção da igualdade, e nos empenharmos com vigor para não permitir que prevaleçam os retrocessos que estão tentando impor à sociedade, como, por exemplo, o "pacote anticrime" que dá licença para matar a juventude negra e pobre das favelas.



*David Miranda, 34 anos, é jornalista e deputado federal PSOL-RJ.

 

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