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Política - Brasil

 

Terça-feira, 12 de Abril de 2016

Cabo PM pega carona e vira doutor em Administração de Empresas

Da Redação

Laudicério Aguiar Machado
Laudicério Aguiar Machado
A história do cabo da Polícia Militar, Laudicério Aguiar Machado poderia perfeitamente virar um roteiro de filme de auto-ajuda ou mesmo aquelas histórias que nos comovem e que frequentam os filmes vespertinos da TV. Pobre, com a patente de cabo da Polícia Militar de Mato Grosso, ele penou para conseguir realizar o sonho de virar doutor. E conseguiu. É hoje doutor em Administração pela Faculdade de Gestão e Negócios da Universidade Metodista de Piracicaba (Unimep), em São Paulo.

A informação é do RD News

Vindo de uma família humilde, com cinco irmãos, ele é o único a obter essa titulação. "Tentei convencer os demais a seguir esse caminho, mas apenas minha irmã conclui o ensino superior", conta. Laudicério começou os estudos em 2003 e, em fevereiro de 2016, aos 37 anos, se tornou o primeiro cabo doutor da Polícia Militar de Mato Grosso em 296 anos de história.

Mas, sua história não foi fácil. Após trabalhar durante toda adolescência como auxiliar de cozinha, serviços gerais e office-boy, a primeira grande dificuldade que o cabo encontrou foi conseguir recursos para custear o curso de graduação em Administração, com Habilitação em Hospitalar na FAUC. "Eu fui demitido do serviço que tinha na época e acabei deixando cinco mensalidades em atraso", conta.

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Paralelo à faculdade, em março de 2003, entrou para o curso de formação da Polícia Militar. Na época, não conseguindo pagar as mensalidades e sem trabalhar pensou em desistir, no entanto, utilizou uma política da instituição a seu favor. "A cada aluno que eu levava, ganhava 10% de desconto. Saia cedo da minha casa no trevo do Santa Isabel de bicicleta, ia até a lagoa do Paiaguás onde tomava banho e vestia uma roupa social para percorrer todo o Centro Político a procura de novos alunos", conta.

"Tem pessoas que têm
o sonhode comprar um
Corolla, um Civic, o meu
era de estudar", diz cabo



A mensalidade que custava pouco mais de R$ 250, pois Laudicério já possuía uma bolsa parcial e acabou saindo de graça. "Eu consegui colocar mais de 20 pessoas para estudar", lembra. Mesmo tendo que administrar a carreira militar e os estudos, o cabo não parou por ai. Passou no mestrado em Administração pela Faculdade de Gestão e Negócios da Unimep na área de concentração em Gestão de Organizações e Negócios. Para o feito, o cabo passou os anos de 2010 e 2011 na estrada, rodando de carona em carona. "Eu saia nas terças e voltava na sexta. Era um dia de estrada pra ir, dois estudando, um dia de estrada para voltar".

Entre uma carona e outra, já que não havia dinheiro para a compra das passagens, diversos casos vividos serviram para o seu crescimento pessoal. "Houve uma vez que um motorista de ônibus negou uma carona. Eu disse, tudo bem. Que Deus o abençoe. Peguei o ônibus que passou em seguida e antes de chegarmos na cidade de Jataí (GO), vimos que o outro ônibus havia sido assalto. Foi um tremendo livramento".

Quando chegava em Cuiabá, Laudicério não parava fazia bico como garçom nos finais de semana e dava aula aos sábados. Ele foi o primeiro ex-aluno da Fauc a ser contratado como professor. "Era tudo muito corrido, mas eu não tinha problema para estudar. Passava as noites estudando ou dentro das carretas e ônibus. Foram dois anos nessa luta".

Nessas idas e vindas, Laudicério lembra de momentos dolorosos também e chega a se emocionar muito ao lembrar de passagem onde relata a fome e a falta de recursos. "Não foram nem quatro, nem dez vezes que eu fui com R$ 3 ou R$ 4 para São Paulo. Mas as pessoas me davam as coisas, me ofereciam comida e aposento. Eles viam o meu esforço e achavam interessante".

Após os dois anos de muita labuta, ele não pensou em parar. Logo no final do mestrado, em 2011, se inscreveu para a especialização em Docência do Ensino Superior. E, no ano seguinte, foi aprovado também na Unimep para o doutorado. "A minha mãe sempre teve o sonho de ter um filho doutor, quando eu tinha uns 12 ou 13 isso entrou no meu consciente e ficou, hoje tem uns seis anos que ela é deficiente visual em razão de um diabetes. Mesmo assim, levei ela e meu pai a minha apresentação e disse que independente disso, ela pode não ver, mas ela pode sentir o orgulho de ter um filho doutor".

Sonho preto no branco
Sonho preto no branco  




















Para os colegas, ele é motivo de muito orgulho e já inspira outros a trilhar o mesmo caminho como é o caso do cabo Brito, que atualmente faz mestrado em Física pela UFMT e que tão logo concluído seguirá na tentativa de entrar no doutorado.
"A partir dele vieram outros e eu sou um deles, ele se tornou um exemplo e aprendo toda hora cada dia mais com ele aqui, existe uma admiração nossa. Não só pelos praças mas também pelos oficiais".

A aluna e soldado Valdirene afirma que antes de entrar na corporação não fazia ideia de que tinha tantas pessoas buscando o crescimento acadêmico.

"Sou da turma nova e a nossa sala vê ele como um exemplo para todos os praças, pois, não caiu no comodismo e foi buscando espaço dentro da academia. Ele é a prova de como podemos crescer aqui dentro".

Já para a oficial, 1ª tenente Tatiane, além de competente e dedicado, Laudicério é fiel aos laços de amizade. "É um motivador, ele é prova de que a busca do estudo nada tem a ver com a patente, mas é inerente. Se a pessoa tem interesse e determinação ela consegue, lógico que dentro das suas limitações e com inúmeras dificuldades como foi o caso dele".

Ajuda na formação de novos praças
Ajuda na formação de novos praças  


















Após onze anos dedicados à pesquisa na área de saúde do policial, Laudicério está de volta às atividades da PM. Ele é um policial comum, assumindo atividades de policiamento demandada pela organização, atuando de acordo com sua patente dentro da hierarquia militar. Além disso, hoje o cabo é gestor do Observatório da Polícia Militar, atribuição delegada por razão de sua formação acadêmica adquirida no doutoramento em administração.

O setor é uma das atividades desenvolvidas no Centro de Desenvolvimento de Pesquisa (CDP), subordinado a Diretoria de Ensino da PM/DEIP, sendo dedicado à investigação e acompanhamento de tópicos relacionados à Polícia Militar e à segurança pública, com ênfase aos relatórios, projetos, ações e estratégias de enfrentamento dos problemas da segurança pública. Busca parcerias com instituições públicas e privadas, centros de estudos, universidades e grupos de pesquisa, com proposito de promover debates, sugestões e projetos.

O Centro de Desenvolvimento de Pesquisa funciona nas dependências físicas da Escola de Formação e Aperfeiçoamento de Praças da Polícia Militar do Estado de Mato Grosso (Esfap), e tem seu corpo técnico formado por oficiais e praças da PM com mestrado e doutorado, ou cursando ambos.

Laudicério também dá aula ainda em uma universidade particular na Capital e pensa para um futuro próximo lançar um livro com os estudos de caso do seu doutorado. E retomar o curso de Direito que precisou trancar quando entrou no mestrado.

 

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